Da aerodinâmica ativa às unidades de potência com a parte elétrica ampliada, a F1 chega a Barcelona cercada de expectativas. O GRANDE PREMIUM listou os pontos que despertam mais atenção para que você não perca nada da semana de testes coletivos
A partir desta segunda-feira (26), a F1 inicia para valer o trabalho voltado para a temporada 2026. Mas ainda que a categoria dê sequência a mais um capítulo da era híbrida, em vigor desde 2014, fazia tempo que uma mudança no regulamento técnico não causava tanta expectativa — e, por que não, apreensão diante da total imprevisibilidade do que, de fato, os carros vão apresentar em termos de desempenho na primeira semana de testes coletivos, em Barcelona.
As atividades no circuito da Catalunha, no entanto, serão a portas fechadas, com as equipes podendo escolher três dos cinco dias disponíveis para testes. E algumas já se manifestaram confirmando que não estarão presentes no primeiro dia, preferindo dedicar cada instante possível no desenvolvimento na fábrica. McLaren e Ferrari, por exemplo, devem dar as caras apenas a partir de terça-feira.
A escolha por Barcelona é lógica por se tratar, primeiro, de um circuito localizado na Europa, onde todas as equipes estão sediadas, a maioria na Inglaterra. Além disso, o traçado catalão é um dos mais completos em termos de variações de curvas, com trechos de alta e baixa velocidade, longa reta e setores que exigem dos freios. Não é por acaso que a etapa espanhola costuma ser o palco preferido para atualizações.
É por essa razão que, mesmo não aberta à imprensa, os testes privados que vão movimentar a semana da Fórmula 1 serão determinantes, pois será a oportunidade para que cada uma veja na prática o funcionamento de tantos recursos novos. O 10+ desta semana, portanto, listou dez coisas para ficar de olho em Barcelona. Confira!

Estreia da Cadillac
Depois de tanto insistir, a Cadillac fará a tão aguardada estreia na F1 2026, mas as novidades param por aí. Isso porque a escuderia norte-americana terá os velhos conhecidos Sergio Pérez e Valtteri Bottas, que não deixaram a melhor das últimas impressões na passagem mais recente pela categoria.
Mesmo assim, são dois pilotos muito experientes integrados a um projeto que nasce audacioso, pois a expectativa é que a GM, montadora por trás da Cadillac, entre com fornecimento próprio de motores ainda neste ciclo de regras, em 2029. E esse tempo pode ser uma vantagem, pois a tendência é que se tenha um regulamento mais maduro daqui a três anos. De início, o fornecimento das unidades de potências será responsabilidade da Ferrari.
Estreia da Audi
Quem também vai estrear na F1 em 2026 é a Audi, ainda que a transição da Sauber para a marca das quatro argolas tenha na verdade acontecido ao longo de toda a temporada 2025. E a julgar pelo progresso alcançado pela equipe no último Mundial, dá para esperar um desempenho bastante decente já no começo da temporada.
A questão aqui, entretanto, é o motor, que ao contrário da Cadillac, será responsabilidade da própria Audi já em 2026. O discurso é de pés no chão, tanto que Mattia Binotto, líder do projeto na F1, já avisou que não espera ver a unidade de potência entre as melhores. Mesmo assim, o trabalho parece caminhar dentro do cronograma estipulado, o que já é um ponto a ser comemorado, considerando que se trata de uma montadora nova na categoria.

Ausência da Williams
Embora a F1 tenha uma nova equipe no grid em 2026, serão dez escuderias participando da semana do shakedown em Barcelona. A Williams não conseguiu cumprir o cronograma do FW48 a tempo de participar das primeiras atividades oficiais da temporada, e isso já acende um sinal de alerta que também vale para todas quanto à complexidade das regras que estarão em vigor.
McLaren, por exemplo, explicou em coletiva de imprensa que o MCL40 ainda passaria pela AVL, empresa de engenharia automotiva especializada em esporte a motor com sede na Áustria. Tudo para garantir que o carro esteja o mais pronto possível para as atividades de pista.
No caso da Williams, o FW48 vai fazer o programa VTT (teste de pista virtual, em tradução livre), mas o portal neerlandês RacingNews365 divulgou que o carro não passou no crash-test da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), de extrema importância para a segurança. É uma notícia preocupante para a equipe que encerrou 2025 como a quinta força e alcançou dois pódios com Carlos Sainz, resultados que a deixaram sonhar com mais.

Alpine Mercedes
Sem dúvida, o casamento mais inesperado que poderia acontecer na F1, mas que não chega a chocar totalmente se for levado em conta que o mandachuva do lado de Enstone é Flavio Briatore. E se tem uma coisa que o italiano não tem medo é de ousar, mas no caso específico da Alpine, não havia muito o que fazer depois da decisão da Renault, a montadora por trás da marca, de não entrar na nova era da F1. Restou, portanto, procurar um fornecedor, e não deixa de ser curioso ver que a pior equipe de 2025 está prestes a ter nos carros aquele que é considerado o melhor motor do grid.
Claro que motor sozinho não ganha campeonato, vide o fato de a própria Mercedes ter passado longe da disputa do título na era do efeito solo. Só que a unidade de potência da Renault tinha um déficit considerável de performance comparada às demais montadoras, e é por isso que dá para apostar ao menos na Alpine desgarrando da lanterna.
Ferrari mexe (de novo) na suspensão
Assim que apresentou o carro, a Ferrari mandou Lewis Hamilton e Charles Leclerc à pista de Fiorano para o tradicional shakedown, e das novidades do carro que chamaram a atenção, a suspensão dianteira se destacou — não exatamente por algo novo, mas pelos italianos terem deixado de lado o modelo pull-rod adotado no ano passado e retornado ao push-rod, que traz o braço da suspensão na descendente em direção à roda.
Ano passado, a justificativa para a escolha pela suspensão pull-rod (quando o braço da suspensão tem o seu ponto mais alto na roda, e não no chassi) foi melhorar o desgaste de pneus, além de ajudar na estabilidade do carro. Só que não foi exatamente o que aconteceu, e ainda que não atribua a mudança à queda de performance em relação a 2024, não deixa de ser notório ver que a Ferrari decidiu voltar ao formato mais convencional de uma peça tão importante. Agora, é possível que a escolha tenha a ver diretamente com as demais mudanças aerodinâmicas que o carro de 2026 terá.

Guerra dos motores
2026 mal começou, e já tem a primeira polêmica colocando Mercedes e Red Bull no centro: a brecha encontrada no regulamento de motores que pode significar um ganho de performance em até 0s3 por volta. Trata-se da exploração das taxas de compressão, com limite agora estipulado em 16:1, e não mais em 18:1. Medida em temperatura ambiente, a suspeita é de que os alemães, assim como os taurinos, tenham encontrado um meio de aumentar a taxa de compressão quando o motor está funcionando em alta temperatura, proporcionando um ganho de desempenho.
De início, a FIA atestou a legalidade dos motores, mas se reuniu com as montadoras antes das atividades de Barcelona para esclarecer o que poderá ser feito com relação às inspeções. Do outro lado, há quem se preocupe com a desvantagem por não ter tido a mesma “interpretação inteligente”, como sugeriu Ross Brawn ao comentar a polêmica. E ainda tem o aumento da parte elétrica, que agora vai responder por 50% da potência e exigir gerenciamento preciso da bateria, além do combustível 100% sustentável.
Aerodinâmica ativa
Outra coisa que deu para notar bem no shakedown da Ferrari foi o funcionamento da aerodinâmica ativa, a mudança na angulação das asas que os pilotos poderão fazer durante a volta — os chamados Modo Reta e Modo Curva. Esquisito num primeiro momento, principalmente o movimento dos flaps da asa dianteira, mas que já é visto por muitos como o fator crucial que realmente vai decidir a ordem de forças em 2026.
Vale lembrar que no último ciclo de regras, o efeito solo destronou a Mercedes e colocou a Red Bull em impressionante domínio por duas temporadas e meia, graças ao trabalho do antigo projetista dos taurinos, Adrian Newey, no assoalho. Veio, então, a McLaren, e virou o jogo também com um bom entendimento da aerodinâmica, mas principalmente do controle do desgaste dos pneus. É por isso que o desenvolvimento do chassi sempre vai puxar a fila quando o assunto for dizer quem terá o melhor carro.
Pneus Pirelli
Elemento cada vez mais decisivo nas corridas, os pneus também vão passar por mudanças, a começar pelo tamanho: ainda que o diâmetro das rodas siga sendo o mesmo ― 18 polegadas ―, a largura dos pneus reduziu 25mm na dianteira e 30mm na traseira, enquanto o diâmetro total diminuiu 15mm no pneu da frente e 10mm no de trás.
São mudanças feitas para comportar as alterações no carro, mais estreitos, um pouco menores e também mais leves — alteração que, sem dúvida, já vai começar a dar muita dor de cabeça aos times por conta da redução de mais de 30 kg do peso mínimo (de 800 kg para 768 kg). Mas a questão em torno dos pneus é mais complexa e envolve sobretudo a durabilidade de um composto para o outro. No Catar, por exemplo, foi preciso estipular número máximo de voltas por jogo, o que acaba deixando as táticas totalmente previsíveis.
Arvid Lindblad
Em meio a tantas novidades técnicas, a única mudança que o grid de 2026 terá é a chegada do novato Arvid Lindblad ao grid da Racing Bulls. O britânico é um dos pupilos do programa de pilotos da Red Bull, mas a primeira experiência com o VCARB 03 não foi das melhores: no shakedown realizado em Ímola, Lindblad perdeu o controle e rodou com o carro, precisando do reboque para voltar aos boxes.
Claro que é impossível julgar qualquer desempenho de carro e piloto em um dia de filmagens, mas não deixa de ser necessário frisar que estaremos diante de um estreante, e que assim como aconteceu com Isack Hadjar, Gabriel Bortoleto e companhia em 2025, o normal é vermos um ano de erros e aprendizados. Mas Lindblad também tem potencial para seguir os passos de Hadjar e aprontar…

McLaren vai manter soberania?
E chegamos ao que realmente interessa: a McLaren vai carregar para a nova era da F1 o status de equipe a ser batida? Condições para isso não faltam, primeiro por ser uma das clientes da Mercedes (o que já garante a chance de ter em mãos o melhor motor do grid), mas também por ter dado o grande pulo do gato ao desenvolver um sistema inteligente de arrefecimento que foi crucial para o bom cuidado dos pneus até mesmo em corridas com temperaturas muito elevadas. E esse é um item que certamente fará parte do projeto de 2026.
O único ponto negativo é realmente a forma como a equipe escolheu gerenciar a rivalidade entre Lando Norris, o atual campeão, e Oscar Piastri, que tomou uma virada impressionante, terminando 2025 atrás até de Max Verstappen. As ‘regras papaias’ serão mantidas, e tanto Andrea Stella quanto Zak Brown enfatizaram em vários momentos que prefeririam perder o título a transformar um dos dois em escudeiro do outro. Ok, é uma forma de trabalho, ainda que controversa, mas a verdadeira bola de segurança para o time de Woking será acertar também no chassi de 2026. E se isso acontecer, ao menos será possível dizer que despontam favoritos ao Mundial de Construtores.
A Fórmula 1 está em Barcelona, onde realiza testes privados durante toda a semana. Depois, seguem para o Bahrein para mais duas sessões da pré-temporada: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades de 2026.
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