“Não é uma bosta”: Russell analisa carro da Mercedes após testes em Barcelona

George Russell destacou bom comportamento do carro da Mercedes, mas citou força das rivais nos testes em Barcelona para fugir do rótulo de favorito na Fórmula 1 2026

George Russell elogiou o início de trabalho da Mercedes com o W17, carro para a temporada 2026 da Fórmula 1, mas tratou de esfriar qualquer projeção sobre a disputa pelo título. Durante o evento de lançamento da temporada da equipe alemã, nesta segunda-feira (2) o britânico destacou o bom comportamento do modelo nas primeiras atividades, embora tenha reforçado que ainda é cedo para conclusões mais ambiciosas.

A F1 inicia em 2026 um novo ciclo técnico, com mudanças profundas no chassi e nas unidades de potência. Com tudo praticamente novo, a ordem de forças do grid ainda é vista como uma incógnita, mesmo após os testes iniciais realizados em Barcelona.

Ainda assim, a Mercedes deixou a Espanha com motivos para otimismo. A equipe completou a maior quilometragem entre todas as escuderias, e Andrea Kimi Antonelli chegou a realizar uma simulação completa de corrida. O desempenho levou o diretor de engenharia Andrew Shovlin a classificar o período como “animador”.

Mesmo nesse contexto, Russell evitou cravar a Mercedes como candidata ao título logo de cara. Ao mesmo tempo que elogiou o W17, também destacou que ficou impressionado com o que viu de alguns rivais, especialmente no lado das equipes que utilizam a unidade de potência da Red Bull, mesmo com o projeto sendo novo.

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Mercedes foi a equipe que mais andou nos testes em Barcelona (Foto: Mercedes)

“Obviamente, só andamos por três dias e ainda é muito cedo, mas não parece ser uma bosta de carro, o que já é um bônus. Nos primeiros dias, dá para perceber rápido quando o modelo é realmente problemático, e não acreditamos que seja o caso. Mas se é capaz de lutar pelo Mundial, ainda é cedo demais para dizer”, afirmou.

“Ficamos bastante surpresos com o que vimos de alguns concorrentes, especialmente no lado da Red Bull Powertrains. Parece muito forte, considerando que é um projeto completamente novo e já mostrou boa confiabilidade. Mérito deles. Nosso teste foi muito sólido, mas precisamos esperar para ver se o carro corresponde às expectativas”, completou.

O cenário atual é bem diferente daquele enfrentado pela Mercedes em 2022, primeiro ano do efeito-solo na era moderna da F1. Na ocasião, o time sofreu com um carro imprevisível e problemas severos de porpoising, o que dificultou a reação diante do domínio inicial da Red Bull. Agora, Russell acredita que a equipe conseguiu entregar um modelo mais alinhado com o que era esperado nos simuladores.

“Ninguém esperava o porpoising em 2022, então não dá para descartar nada agora. Mas saímos de Barcelona com uma sensação positiva porque o carro reagiu como prevíamos. Os números da aerodinâmica batem com o que vimos no simulador, e o comportamento na pista corresponde ao que sentimos ali. Isso é algo que, como equipe, não víamos desde 2021”, explicou.

W17, carro da Mercedes para 2026 (Foto: Mercedes)

O britânico reforçou que a concorrência promete ser forte, citando também Ferrari e Haas pelo volume de voltas completadas com a unidade italiana. Mas, apesar do discurso cauteloso, Russell admite que se sente pronto para disputar o título pela primeira vez na F1, independentemente do rótulo de favorito.

“Estamos marcando todas as caixas que queríamos marcar, mas não dá para ignorar os rivais. A unidade de potência da Ferrari parece confiável, eles andaram bastante, e a Haas também acumulou muitas voltas. A verdade é que podemos ter uma boa briga pela frente, mas estamos satisfeitos com o que vivemos até agora”, avaliou.

“Sinceramente, não senti nada ao ouvir sobre favoritismo. Já digo há muito tempo que me sinto pronto para lutar pelo título, e esse tipo de comentário não muda em nada minha abordagem. Estou trabalhando muito com a equipe, todo mundo aqui está se esforçando ao máximo para extrair o melhor desse novo regulamento”, concluiu.

Após os testes coletivos em Barcelona, as equipes terão duas semanas para retornar às fábricas e trabalhar com base nos dados coletados nos últimos dias. Dessa forma, os carros só voltam à pista entre 11 e 13 de fevereiro, durante os testes de pré-temporada no Bahrein.

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