GUIA 2026: Domínio incomum faz Indy abrir temporada em modo todos contra Palou

Campeão em quatro dos últimos cinco anos, Álex Palou parte como favorito em 2026, mas rivais se reforçam para desbancar espanhol do topo da Indy

Tradicionalmente, a Indy não é uma categoria afeita a domínios. Por mais que se fale em ‘Era Scott Dixon‘, o neozelandês precisou de 17 anos, entre 2003 e 2020, para conquistar seus seis títulos — para efeito de comparação: na F1, Lewis Hamilton venceu seis campeonatos em sete temporadas, entre 2014 e 2020, pela Mercedes. Ainda assim, o nível de atuação de Álex Palou nos últimos anos faz com que 2026 tenha um enredo claro: todos contra Palou.

Ainda no início de 2025, após o espanhol abrir a temporada com uma vitória suada sobre Scott Dixon e Josef Newgarden no GP de St. Pete, uma pergunta em entrevista coletiva reverberou e causou incômodo no piloto da Penske: “O que fazer para parar Álex Palou?”, indagou Bob Pockrass, jornalista da FOX. Na ocasião, Newgarden ressaltou o equilíbrio da Indy e ainda cutucou o repórter, que iniciava a cobertura em tempo integral pela emissora, também estreante na categoria.

Apesar de ter soado precoce, aquela pergunta permeou a temporada 2025, pois Palou começou de maneira avassaladora, deixando claro que o título teria o mesmo dono dos anos anteriores. E mais: venceu as 500 Milhas de Indianápolis, quebrando o jejum de nunca ter triunfado na prova ou sequer em um circuito oval. A conquista veio com leitura estratégica impecável, dando aos presentes no Indianapolis Motor Speedway a sensação de que a vitória viria ainda antes da metade da corrida.

Para 2026, a Indy não apresenta grandes novidades técnicas: mantém o mesmo carro e o motor híbrido introduzido em 2024, conjunto que parece totalmente domado por Palou. Assim, não há elementos inéditos para a equipe do carro #10 assimilar.

Álex Palou com a família ao receber troféu de campeão da Indy em 2025 (Foto: IndyCar)

As rivais, porém, já se movimentam para estancar o prejuízo. A Penske quer retomar, de forma isolada, o posto de maior campeã da categoria, hoje dividido com a Ganassi. A contratação de David Malukas é relevante, mas o retorno de Tim Cindric como estrategista de Scott McLaughlin foi o que mais chamou atenção no paddock.

Cindric havia sido demitido após os escândalos envolvendo atenuadores adulterados ilegalmente, flagrados depois de denúncia durante a classificação da Indy 500. Foi sacado da presidência da equipe ao lado dos diretores Ron Ruzewski e Kyle Moyer. À época, Roger Penske afirmou que a integridade do esporte estava acima dos interesses da equipe. Fica a dúvida: após discursos tão contundentes, trazer o dirigente de volta ao mesmo ambiente — onde também esteve envolvido no episódio do push-to-pass em St. Pete — não soa contraditório?

Fato é que a Penske não quer, novamente, ser coadjuvante na própria casa — especialmente considerando quem é o proprietário da categoria. Recorreu a alguém que conhece profundamente os bastidores da equipe, talvez até mais que o próprio Roger. Em nova função, é verdade, mas Cindric já dava sinais de que não desejava permanecer como presidente. Trata-se de um dos nomes mais vitoriosos da história recente da Indy, algo reconhecido até pelos rivais.

Andretti e McLaren também se reforçaram. Ambas aproveitaram nomes que ficaram disponíveis no mercado após as demissões na Penske. A Andretti, além de contratar Ron Ruzewski, aproveitou o fim do contrato para trazer Will Power, melhor piloto da Penske nos últimos anos. O australiano vai ocupar a vaga de Colton Herta, que parte para a Fórmula 2 em busca dos pontos necessários à superlicença para a F1. O movimento consolida o salto estrutural iniciado com Rob Edwards, chefe de operações, ainda antes transição de comando de Michael Andretti para Dan Towriss.

Will Power com o carro da Andretti (Foto: Chris Owens)

Power e Ruzewski representam uma tentativa de entregar uma consistência que faltou à equipe nos últimos anos. Sempre competitiva, mas vulnerável nos momentos decisivos. Em 2025, Kyle Kirkwood venceu três provas e parecia uma ameaça a Palou, mas não manteve regularidade — não subiu mais ao pódio nas outras 17 etapas. Outro ponto estratégico: a Andretti vai dividiar a sede em Fishers com a Cadillac na F1, ampliando a sinergia técnica.

Na McLaren, Kyle Moyer passa a integrar a estrutura liderada por Tony Kanaan. A equipe, que ocupa agora a antiga sede da Andretti, ampliou o trabalho e a capacidade operacional. Na pista, Pato O’Ward segue como principal nome. O mexicano de 26 anos fez boa temporada em 2025, mas esbarrou no ano estrelar de Palou. Enquanto isso, Christian Lundgaard desponta como potencial ameaça, enquanto Nolan Siegel precisa mostrar desempenho para justificar a permanência.

O ano de 2026 marca ainda o retorno de um brasileiro em tempo integral: Caio Collet assume vaga em uma Foyt em franca evolução. Após dois anos de destaque na Indy NXT, o piloto chega em busca do título de Novato do Ano, disputa que terá outro nome importante: Mick Schumacher. O ex-F1 atraiu a atenção na RLL e vai para uma estreia badalada. Já Dennis Hauger, antigo rival de Caio na base, assinou com a Dale Coyne e integra, portanto, a lista dos estreantes.

Ainda, Collet terá suporte técnico da Penske, parceira da Foyt, e vai compartilhar o time com Santino Ferrucci, piloto veloz e competitivo, especialmente nas 500 Milhas. Não será tarefa simples, mas há sintonia nos bastidores — fator essencial para evolução do time, que já colheu pódios recentes e viu Malukas terminar a Indy 500 em segundo.

Caio Collet (Foto: Chris Owens)

Helio Castroneves retorna ao grid para as 500 Milhas de Indianápolis em busca do inédito pentacampeonato. Apesar de falhas estratégicas da Meyer Shank no ano anterior, a parceria com a Ganassi alimenta esperança. A evolução técnica foi perceptível.

O calendário de 2026 traz novidades: o retorno do oval de Phoenix; a estreia do GP de Arlington, organizado em parceria com Dallas Cowboys e Texas Rangers; o GP de Markham, que substitui o GP de Toronto no Canadá; e a Freedom 250, corrida em circuito de rua montado nos arredores da Casa Branca, iniciativa apoiada pela FOX e associada às celebrações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos.

A venda de um terço da Penske Entertainment para a FOX marca também um novo capítulo institucional. Em 2026, a emissora estreia como proprietária da categoria. No aspecto entretenimento, o grupo tem grande expertise. Resta saber se conseguirá ampliar a promoção das demais etapas e manter, ao longo do ano, o público que tradicionalmente se concentra na Indy 500 — a corrida mais assistida dos EUA em 2025, muito acima das demais provas do calendário.

Por fim, 2026 pode ser trampolim para mais brasileiros. Enzo Fittipaldi assume vaga na HMD na Indy NXT em busca do título, enquanto Nick Monteiro chega à Foyt na mesma categoria. Nas divisões inferiores, Leonardo Escorpioni e João Vergara miram a conquista da USF2000 para avançar à Pro 2000.

O GRANDE PRÊMIO dá início, em 23 de fevereiro, ao Guia da temporada 2026 da Indy. Nos próximos dias, trará análises aprofundadas, projeções e tudo o que é preciso saber antes do sinal verde para o primeiro treino livre do GP de St. Pete.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GPTV

Indy hoje: saiba aqui as notícias mais importantes do dia da IndyCar Series

▶️ Indy confirma permanência de Honda e Chevrolet em nova era de motores
▶️ O’Ward reforça vontade de vencer Palou por título da Indy: “Fez parecer fácil”
▶️ Newgarden vê alívio com fim de pior ano na Penske e mira “reset completo” na Indy 2026
▶️ Collet elogia “enorme estrutura” da Foyt na Indy 2026: “Eleva nível de preparação”

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Indy direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!