Hamilton vence 1ª com Ferrari na F1 em tática arrojada na Catalunha. Antonelli quebra

Lewis Hamilton repetiu o feito de Michael Schumacher ao vencer a primeira com a Ferrari em Barcelona. Líder do Mundial, Andrea Kimi Antonelli quebrou a três voltas do fim

A Ferrari agora pode se dar ao luxo de dizer que tem em sua laureada história dois heptacampeões como vencedores de corridas na Fórmula 1. No GP da Catalunha deste domingo (14), Lewis Hamilton apostou em uma tática arrojada de três paradas, contou ainda com aquela ‘sorte de campeão’ no safety-car virtual e bateu a poderosa Mercedes, que viu o líder, Andrea Kimi Antonelli, quebrar a três voltas do fim quando estava em segundo.

O escaldante asfalto de Barcelona trouxe os pneus para o protagonismo do GP da Catalunha, e a Ferrari resolveu dobrar a aposta ao colocar Hamilton de macios para o stint inicial desenhando a tática óbvia: ao menos um carro vermelho faria três paradas na corrida.

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Os adversários diretos, sobretudo a poderosa Mercedes, foram na bola de segurança e realizaram dois pit-stops. E independentemente do safety-car virtual causado pela quebra de Fernando Alonso, Hamilton apresentou ritmo constante o bastante para ao menos brigar de igual para igual contra as ‘Flechas de Prata’

Foi a 106ª vitória de Lewis na F1, a sétima em Barcelona, superando Schumacher, com quem dividia o posto de maior vencedor em solo catalão. Curiosamente, os números de Hamilton e Michael também coincidem no fato de que o alemão também venceu pela primeira vez com a escuderia italiana na Catalunha.

O triunfo de Hamilton também foi o primeiro da Ferrari desde o GP da Cidade do México, em 2024. No lado pessoal, Lewis não sabia o que era cruzar a linha de chegada em primeiro desde o GP da Inglaterra de 2024, já que a vitória na Bélgica, no mesmo ano, veio em função da desclassificação de Russell.

Antonelli quebrou a três voltas do fim (Foto: Reprodução/F1)

Barcelona trouxe a famosa corrida tática. Com o alto desgaste de pneus já previsto, abriu o leque de oportunidades e colocou, além de Hamilton, Lando Norris também na briga, até pelo ritmo próximo ao dos carros prateados. Mas o campeão vigente só conseguiu o pódio na quebra de Antonelli, chegando atrás de George Russell.

Max Verstappen terminou em quarto, com Oscar Piastri, Isack Hadjar, Pierre Gasly, Franco Colapinto, Liam Lawson e Arvid Lindblad completando o top-10. Charles Leclerc foi outro que teve problemas no mesmo instante de Antonelli e recolheu aos boxes, abandonando.

Gabriel Bortoleto teve um início complicado, despencando para 17º depois de largar em 12º. Após três paradas, completou em 11º, enquanto o companheiro de Audi, Nico Hülkenberg, também encerrou a corrida mais cedo.

A Fórmula 1 volta de 26 a 28 de junho no GP da Áustria, oitavo da temporada 2026, no Red Bull Ring.

Lando Norris foi o terceiro colocado (Foto: McLaren)

Confira como foi o GP de Barcelona-Catalunha:

Com nada menos do que 31°C de temperatura ambiente, 50°C no asfalto e umidade relativa do ar em apenas 30%, a F1 se armou para uma verdadeira batalha na pista catalã, afinal, seria uma prova de resistência tanto para os pilotos quanto para os carros, por conta do já esperado desgaste excessivo de pneus. Não por acaso todo mundo poupou ao menos um jogo de duros novos da gama C2, C3 e C4 levada pela Pirelli para o final de semana.

Mas houve quem resolveu apostar nos macios para o stint inicial, e esse foi o caso de Hamilton e Verstappen, em segundo e quinto, respectivamente. Hülkenberg, em nono com a Audi, também optou pela mesma tática, mas com a vantagem de ter macios novos para a largada, ao contrário dos demais adversários.

Colapinto, Sainz e Ocon também apostaram nos compostos de faixa vermelha, enquanto Pérez, Stroll e Alonso (largando dos boxes) foram de duros para a largada. Os demais calçaram os médios, seguindo o planejamento convencional da Pirelli para a corrida.

Não era difícil imaginar a razão de a Ferrari ter colocado macios para Hamilton. Com o melhor sistema de largada e partindo da segunda posição, ao lado de George Russell, era mais um fator a colocá-lo como favorito a pegar a ponta ao menos na freada da curva 1.

Fernando Alonso abandonou o que pode ter sido a última corrida da carreira em Barcelona (Foto: Aston Martin)

Só que o apagar das luzes subverteu toda a lógica, com Russell partindo sólido na primeira posição, enquanto o máximo que Hamilton conseguiu foi trancar Antonelli, que precisou se defender de um esperto Norris se posicionando na linha de dentro da curva 1. Felizmente para o líder do Mundial, o terceiro posto foi defendido, enquanto Hadjar, largando em sexto, acabou escapando, caindo para a 14ª posição.

Bortoleto também não partiu bem e fechou a volta 1 em 17º, enquanto Hülkenberg mantinha-se na nona posição, entre os dois carros da Racing Bulls. Só que a direção de prova colocou o alemão sob investigação por ter saído da pista e ganhado vantagem em disputa com Lindblad.

Quem se deu bem na largada foi Leclerc, de médios e aproveitando bem a vantagem da Ferrari em largadas. Foram três posições conquistadas, também graças à má partida de Hadjar.

Enquanto isso, de cara para o vento, Russell anotava voltas mais rápidas em sequência e abria 2s8 para Hamilton, limitando o ritmo de Antonelli, ainda sem conseguir se aproximar do #44 da Ferrari para brigar pela segunda posição. Só que Norris também não era ameaça até então, uma vez que se via a 2s5 de distância para Kimi.

Largada limpa, com Hamilton mantendo a segunda posição (Foto: Reprodução/F1)

Volta 8, Leclerc se aproveitou de leve espalhada de Piastri na saída da curva 1, emparelhou por fora e ganhou a sexta posição no contorno das curvas 3 e 4. Paralelo a isso, a McLaren perguntava a Norris sobre a performance dos pneus, que já apontava sinais de gaste ao dizer que estava “escorregando o tempo todo”.

Volta 11 de 66, Russell levava 3s5 de vantagem sobre Hamilton, 1s7 à frente de Antonelli. Norris, Verstappen, Leclerc, Piastri, Lawson, Hülkenberg e Lindblad completavam o top-10, com Bortoleto ainda no 17º posto.

Volta 12, a janela de paradas começou para valer. Como já era esperado, a Ferrari chamou Hamilton aos boxes e o devolveu à pista com um jogo de pneus duros. “Ele deve estar indo para três”, disse Russell, prevendo uma tática de três paradas. A Mercedes, então, chamou o #63 para a primeira troca, na volta 13.

Verstappen também entrou no mesmo giro e calçou os duros, enquanto Norris foi na 14, escolhendo o mesmo composto. Enquanto isso, Antonelli, Leclerc e Piastri ocupavam as três primeiras colocações.

A janela de paradas seguiu, com Hülkenberg, Ocon e Albon também trocando pneus. E Antonelli também entrou para a troca obrigatória em seguida, no giro 15. “Vocês me deixaram expostos a Kimi”, reclamou George, considerando a primeira parada prematura.

George Russell tomou um passão de Antonelli, mas ficou em segundo (Foto: Mercedes)

Bortoleto entrou na volta 16, um pit-stop em 2s6 que o devolveu à pista atrás de Albon. Depois, na 17, foi a vez de Leclerc também efetuar a troca de pneus, retornando em sexto, à frente de Piastri.

Posições restabelecidas, Russell recuperou a liderança, seguido por Hamilton, agora com a melhor volta da corrida. Antonelli era o terceiro, mais de 8s atrás do #44 e com 9s5 de vantagem sobre Norris. Verstappen vinha na sequência, sendo o único do top-7 com mais um jogo de pneus médios, uma vez que guardara dois novos do tipo para a corrida.

Volta 20, Antonelli conseguiu ser de 0s5 a 0s7 mais rápido do que os ponteiros. Mais alguns giros, e baixou a diferença para Hamilton para 5s. “Vamos para o plano C”, avisou a Ferrari a Lewis, já sinalizando as três paradas previstas por Russell.

“Tudo bem esse ritmo?”, quis saber Kimi após tirar um pouco o pé, até pelo risco de um desgaste mais acentuado, mas Peter Bonnington afirmou que as voltas eram boas. Ele, então, voltou a acelerar e rapidamente voltou a ficar na casa dos 5s de distância para Lewis.

Enquanto Bottas se unia a Stroll na lista dos abandonos, Pérez e Alonso amargavam as últimas colocações, o asturiano tomando simplesmente 26s do carro da Cadillac. Já na meiuca do grid, boa disputa entre Hülkenberg e Lawson, o neozelandês defendendo com unhas e dentes a posição ganhada na parada, mas um movimento em desaceleração irritou Nico.

Gabriel Bortoleto ficou em 12º (Foto: Audi)

Na frente, Antonelli já vinha a 1s de Hamilton quando, na volta 28, a Ferrari confirmou a tática das três paradas ao chamar o #44 aos boxes e colocar um jogo de médios. Ele voltou em sétimo, atrás de Piastri, mas ganhou a posição em uma volta.

Dois giros depois, foi a vez de Verstappen entrar para mais uma troca, mas o trabalho da Red Bull foi ruim, em 4s5. Ele voltou 14s atrás de Piastri, em sétimo.

Na volta 31, enquanto tentava se livrar dos retardatários, Antonelli já aparecia a 0s7 de Russell, apenas estudando o melhor momento para efetuar a ultrapassagem. Quando entraram na reta principal, Russell conseguiu um respiro graças à potência do motor Mercedes, porém Antonelli se manteve na cola.

Abertura da volta 33, Antonelli tentou por fora, mas tomou uma fechada de Russell, que manteve-se na ponta. “Kimi, lembre-se do limite de pista”, avisou Bono, uma vez que a próxima infração resultaria ao #12 5s. O arrojo, portanto, teria de ser friamente calculado.

Mas a preocupação da Mercedes também era com o ritmo de Norris, a 4s5 de distância e na mesma estratégia. Tanto que o pedido seguinte a Antonelli foi para que tanto ele quanto Russell administrassem a vantagem para não correrem riscos.

Lewis Hamilton brilhou com a Ferrari (Foto: Ferrari)

Volta 36, a McLaren chamou Norris para a segunda parada. Russell, então, recebeu a ordem e entrou na 37. Antonelli, que vinha a somente 0s2, ganhou a chance que precisava para abrir vantagem, parar e voltar à frente.

Russell perdeu 2s8 na troca. Kimi, então, entrou no giro seguinte e fez a mesmo tempo de troca de Russell, voltando atrás do colega de Mercedes e à frente de Lando, que era a maior preocupação da esquadra alemã.

Hamilton passou a ser o líder, e em estratégia de três paradas. A vantagem sobre Russell, o virtual líder, era de 17s4, insuficiente para manter a ponta após a nova parada, porém seria interessante ver se Lewis conseguiria em sete voltas imprimir ritmo para entrar na briga de vez pela vitória.

E a corrida ganhou tempero diferente na volta 41, quando o carro de Fernando Alonso apareceu parado na curva 9. A direção de prova, no entanto, acionou apenas o safety-car virtual, mas abriu a janela necessária para que a Ferrari chamasse Lewis para a parada final, ainda mantendo-o na ponta.

E foi exatamente o que aconteceu. Com a velocidade limitada, o tempo total de perda nos boxes passou a ser de apenas 12s. Era só a Ferrari acertar a troca final para colocar o #44 na marca do pênalti para brigar de igual para igual contra os Mercedes famintos imediatamente atrás.

Trabalho impecável, Hamilton passou a abrir significativamente distância dos Mercedes, que passaram a travar particular duelo, com Norris somente à espreita. E Antonelli efetuou belíssima ultrapassagem sobre Russell a três voltas do fim, mas sequer pôde desfrutar do momento: assim como foi com o #63 no Canadá, dessa vez Kimi experimentou o gosto amargo da confiabilidade ainda duvidosa do W17 e abandonou a disputa.

F1 2026: resultado do GP de Barcelona-Catalunha

POSPilotoEquipeVoltas
1L HAMILTONFerrari66 voltas
2G RUSSELLMercedes+19.561
3L NORRISMcLaren Mercedes+23.719
4M VERSTAPPENRed Bull RBPT Ford+40.497
5O PIASTRIMcLaren Mercedes+58.661
6I HADJARRed Bull RBPT Ford+1 volta
7P GASLYAlpine Mercedes+1 volta
8F COLAPINTOAlpine Mercedes+1 volta
9L LAWSONRacing Bulls RBPT Ford+1 volta
10A LINDBLADRacing Bulls RBPT Ford+1 volta
11G BORTOLETOAudi+2 voltas
12C SAINZWilliams Mercedes+2 voltas
13E OCONHaas Ferrari+2 voltas
14S PÉREZCadillac Ferrari+3 voltas
15C LECLERCFerrariNC
16A ANTONELLIMercedesNC
17O BEARMANHaas FerrariNC
18A ALBONWilliams MercedesNC
19F ALONSOAston Martin HondaNC
20N HÜLKENBERGAudiNC
21V BOTTASCadillac FerrariNC
22L STROLLAston Martin HondaNC
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