Coluna Apex, por Andre Jung: Desperdício

Não se ganha corridas na primeira volta. Essa máxima do mundo da velocidade não refrescou a mente de Sebastian Vettel, que deixou todas as chances de vitória escaparem com poucos metros de prova percorridos

Quando – e se – Lewis Hamilton sagrar-se pentacampeão mundial, ao final da temporada, Sebastian Vettel não terá como explicar a derrota, a não ser assumindo a superioridade inconteste do rival.
 
Num ano em que a Ferrari criou um carro superior aos demais, terminando o domínio que a Mercedes impunha desde o início da era híbrida, seu campeão não foi capaz de converter em título a vantagem técnica que teve à disposição.
 
Não se ganha corridas na primeira volta. Essa máxima do mundo da velocidade não refrescou a mente do alemão, que deixou todas as chances de vitória escaparem com poucos metros de prova percorridos.
 
Ao sair para a esquerda, tentando cobrir a parte interna da curva, Vettel foi limitado pelo carro de Räikkönen. Com a curva seguinte para a direita, foi fácil para Hamilton contornar por fora a primeira perna para, então, sair à frente na segunda.
(Ilustração: Marta Oliveira)

Se o movimento dava um momento de superioridade, o afoito Vettel garantiu o resto ao tentar resistir quando Inês já estava com as canelas esticadas. Se o alemão tem do que reclamar, é de si próprio.

 
Com a permanência na Ferrari muito ameaçada, Kimi começou o final de semana acertando no Q3 – coisa rara – e cravando a pole mais rápida da história. Com Vettel largando ao seu lado, a Ferrari parecia pronta a escrever mais uma bela página da sua história em Monza, faltou combinar com os alemães.
 
Com uma conduta perfeita, estratégia brilhante e um trabalho soberbo de seu primeiro piloto, os homens da Mercedes deram uma aula de como vencer o rival quando tudo conspira a favor dele.
 
Pena para Räikkönen que, se tivesse vencido, daria argumento muito forte para os que querem sua permanência – eu, por exemplo. Porém o finlandês, que aos 38 anos continua veloz, não teve como resistir a maior qualidade do piloto e da esquadra rivais.
 
Se Räikkönen teve um bom final de semana, o mesmo não se pode dizer do postulante ao seu cargo, Charles Leclerc. O monegasco teve uma de sua corridas mais apagadas do ano, no dia em que debutava na F1, no templo da velocidade, em frente à torcida ferrarista.
 
Magnussen, após as escaramuças na classificação, afirmou não ver a hora de Alonso deixar a categoria. Perder Alonso e preservar Magnussen? Acho que a balança não concorda.
 
O dinamarquês é desses pilotos que não cultiva simpatia. É difícil ultrapassá-lo sem que haja um toque, e dessa vez foi Checo (Choco?!?!?) Pérez quem serviu de vítima. Ao menos a corrida do piloto da Haas também foi prejudicada, o que fez justiça ao bravo mexicano, um dos destaques da prova.
 
Bonita recuperação da Force India, que não fosse a cassação dos pontos amealhados sob a antiga administração, estaria, com justiça, novamente no quarto lugar na classificação dos construtores. Isso lembrando que, quando a temporada começou, seu carro estava muito longe do desempenho do campeonato anterior, demonstrando capacidade técnica da equipe em identificar e corrigir os problemas que afligiam o VJM11.
 
Outro destaque do GP da Itália fica para a Williams, que levou Lance Stroll ao Q3 e conseguiu pontuar com seus dois carros graças à punição sofrida pela Haas. Em meio à tempestade que castiga o outrora campeoníssimo time inglês, ter os dois carros na zona de pontos merece uma discreta comemoração.
 
Por fim, a punição de Verstappen. Considerei justa, levando em conta que ele já tinha passado reto na chicane, quando sofria forte ataque de Bottas, sem ter recebido punição. No episódio que motivou a punição, ele claramente moveu seu carro na zona de frenagem – coisa que já vimos Max fazer em outras oportunidades – e atingiu o finlandês. Se manobras assim não gerarem punição, essa prática pode se tornar constante.
 
Enquanto isso…
 
… a Renault comemora a punição de Grosjean que tirou da Haas os pontos que a deixariam no quarto lugar na tabela do Mundial de Construtores…
 
… rápido, inteligente e jovem, Esteban Ocon, que bateu Max Vestappen em categoria de acesso, corre o risco de ficar fora do grid em 2018.
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