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Felipe Massa vive seu último final de semana em Interlagos como um piloto da F1 neste final de semana e sabe que vai viver novas emoções na pista em que cresceu. O brasileiro, no entanto, reconhece que será muito difícil acontecer algo tão "louco" como foi em 2016, em que a corrida parecia parada para ver sua despedida do público paulista depois de seu abandono.
Nesta quinta-feira (9), em coletiva com a presença do GRANDE PRÊMIO, o brasileiro atendeu a imprensa brasileira por cerca de 15 minutos e falou de tudo um pouco. Desde a emoção pela despedida "real oficial" até o futuro que pode ser na F-E ou até em um cargo da Confederação Brasileira de Automobilismo daqui alguns anos.
O paulista garantiu que não se incomoda com o fato de estar atrás do companheiro de equipe novato Lance Stroll e lembrou que o mesmo acontece com Fernando Alonso em relação a Stoffel Vandoorne na McLaren.
Felipe Massa esepera uma nova emoção em Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
A despedida e a emoção
"Agora é minha despedida real, real oficial, não tem outra. É sempre especial estar aqui, uma sensação incrível para qualquer piloto brasileiro, mas é uma sensação única, mesmo 15 anos depois de tudo ter começado. É onde eu cresci. Quero viver mais uma emoção na corrida de casa. Sei que é difícil chegar no ponto do que foi ano passado, aquela loucura, mas quero ter um bom final, com um bom resultado no meio de todas as brigas em que estamos".
"Difícil saber como o carro vai se comportar aqui, mas nós temos consciência que a Force India tem um carro melhor, a Renault também tá um pouco melhor, mas vamos ver o que acontece a partir de amanhã".
Friozinho na barriga
"A experiência de pista que eu tenho não apaga isso. Estar em Interlagos sempre me dá emoções diferentes, mas acho que preciso pegar essa energia que vem de fora e ir para cima, buscar um resultado melhor".
Felipe Massa falou da falta de brasileiro no grid em 2018 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Falta de brasileiros na F1
"Está faltando a escola, a formação de pilotos hoje é bem mais complicada. São menos categorias, os pilotos precisam sair daqui mais cedo para ter a chance de ter sucesso no futuro. O dinheiro interfere, os que estão lá fora às vezes também não têm o talento necessário para chegar à F1 rapidamente. É um conjunto, também precisamos de uma federação mais moderna, copiando as de fora. Algumas mudanças precisam acontecer. Temos um novo presidente, vamos torcer para que coisa novas apareçam".
"Claro que uma federação não pode dar a grana pra bancar um moleque, nem precisa ficar criando categorias, mas ela pode, sim, correr atrás de quem faça isso ou entrando direto no governo ou indo pelo caminho das empresas. Isso ajudaria os moleques que merecem chegar lá em cima".
Cargo na CBA
"Por que não? Isso tudo precisa ser pensado com calma mais para frente, mas sempre é uma possibilidade. Já chegou até mim alguns convites, mas meu momento é diferente, não pensei ainda. Mas também não pensem que vou mudar tudo de uma hora pra outra, não é assim que as coisas são".
Felipe Massa testou com a Jaguar e gostou bastante (Foto: Jaguar)
F-E
"Estive mais perto ano passado, sinceramente. Com todas as mudanças que aconteceram, acho que deu uma travada nisso. Daqui para frente eu vou me preparar bastante, seguir o caminho certo para que eu seja uma peça importante, um cara para brigar por título em qualquer categoria que eu esteja. Não vou entrar em lugar nenhum sem estar nessa condição. Não é só achar um lugar livre.
"Não dá para comparar um carro da F1 com um da F-E, mas é uma competição e isso te dá prazer. É um campeonato que vem crescendo, a maior parte das montadoras está entrando, corre em lugares bacanas, vai ter Brasil, então acho que o futuro é bom pela frente. Mas sei que também vai ter uma evolução técnica nos próximos anos em cima do carro".
"Os carros realmente não podem ser comparados, mas as corridas lá certamente são mais divertidas. Eles andam muito mais próximos, tem muito mais ultrapassagem, isso é uma diversão. Se for comparar um carro com outro, lógico que a diferença é grande, ainda mais que eu guiei numa pista larga. Não foi problema me adaptar ao carro, mas sei que tem uma diferença grande para os circuitos do calendário. Enfim, não é hora de pensar nisso ainda, tem muito por vir".
Briga entre Mercedes, Ferrari e Red Bull em 2018
"Acho que as pessoas gostariam, mas é difícil ter certeza sobre isso. A Mercedes voltou a ter o melhor carro do grid, ainda que tenha sido menos competitiva em algumas pistas e em relação ao ano passado. Mesmo assim, o campeonato acabou cedo. As chances da Mercedes evoluir pro ano que vem são grandes, então é bem possível outro domínio deles. Mas tomara que tenha briga entre as três".
Felipe Massa e Lance Stroll brigam pelo décimo lugar no Mundial de Pilotos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Ficar atrás de Stroll no Mundial de Pilotos
"Isso me incomodaria se fosse culpa minha, se faltasse ritmo, mas não é o caso. As corridas em que ele marcou mais pontos foram as que eu estava na frente dele: Rússia eu tinha ritmo para ser sexto, Barcelona eu larguei muito bem e aí furaram meu pneu, Baku, que ele foi pro pódio, eu estava na frente ele e na última corrida, de novo, furou meu pneu depois de uma boa largada. O Verstappen também tocou e com ele não aconteceu nada. As pessoas parecem que não analisam o todo, o ritmo de corrida em geral. O Alonso está atrás do companheiro de equipe e nunca vi ninguém falar que ele tem que parar e coisa e tal. Só que o trabalho que ele mostra e eu também mostro, de classificação e ritmo de corrida, mostram outra coisa. Do meu ponto de vista estou bem tranquilo".
Disputa com Stroll
"Sempre tem, em qualquer que seja a equipe ou o momento da temporada. Mas é aquilo: eu fiz várias grandes corridas e cheguei em nono porque as quatro maiores estavam todas lá. Nas dele, alguns caras quebraram e ele foi parar lá na frente. Mas não tem problema, faltam duas corridas e vou tirar o máximo do carro, ver até onde dá para ir".