Comissário, Giaffone diz que desafio da FIA é adequar circuitos para limites de pista: “Tem de fazer o piloto perder tempo”

Ex-piloto da Indy e disputando a Copa Truck, Felipe Giaffone vai assumir o cargo de comissário da FIA no GP do México. Falando ao GRANDE PRÊMIO, o brasileiro vê as decisões da entidade que rege o esporte transparentes, mas admite que os circuitos atualmente estão dificultando a vida dos homens que analisam os incidentes de corrida da F1

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Felipe Giaffone faz parte dos delegados da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e atua como comissário nacional do GP do Brasil de F1. Ex-piloto da Indy e disputando a Copa Truck, o brasileiro também vai analisar a corrida no Hermanos Rodríguez neste fim de semana. O paulista chega na esteira da polêmica punição dada a Max Verstappen em Austin, no último domingo. O holandês perdeu o terceiro lugar do pódio porque a entidade entendeu que houve um ganho de vantagem na ultrapassagem em cima de Kimi Räikkönen na volta final da corrida norte-americana. O episódio reabriu as discussões sobre os limites de pista e sobre aquilo que é permitido ou não.

 
Por conta da enorme repercussão que o caso ganhou, o diretor de prova da F1, Charlie Whiting, falou aos jornalistas, no México, sobre as razões que levaram à punição. Para o inglês, Verstappen ultrapassou os limites e fez a ultrapassagem tendo um benefício indevido. O dirigente contou que a decisão dos comissários foi técnica, mas também emocional, diante da performance do jovem holandês durante a prova.
Felipe Giaffone também atua como comissário da FIA (Foto: Luciana Flores)

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"Temos de adotar uma abordagem prática para isso. Uma vez que ficou absolutamente claro que o piloto ganhou vantagem ele foi devidamente punido. O ponto é que, realmente, os comissários sentiram que ele levou vantagem. Ele cortou a pista. Estava claramente fora do traçado e ainda superou um outro piloto", afirmou o britânico.

 
Em conversa com o GRANDE PRÊMIO, Giaffone entende que os comissários acertaram na decisão. Felipe ainda vai mais longe e acha que o problema com relação às incertezas quanto aos limites de pista está na própria maneira como os circuitos vêm sendo construídos. O que está causando esses problemas é a pista. “Acho que agora o grande desafio da FIA é fazer com que a pista minimize esse problema, mas sem comprometer a segurança. Hoje, o negócio é você tentar lidar com o limite de pista fazendo com que o cara perca tempo. Mas que ainda mantenha o traçado seguro”, explicou o brasileiro.
 
“Acredito que as pistas estão sendo feitas de uma forma que agora está dificultando muito a vida do comissário. E até para os próprios pilotos para saber até onde eles podem ir, então é por isso também que eles aqui estão trabalhando com essas lombadas aí, como na curva 1, mas é difícil acertar no caso da F1, porque cada carro tem uma altura diferente. Quer dizer, é algo bem complexo”, completou, se referindo aos reparos feitos pela FIA no circuito mexicano.
As 'lombadas' para evitar as escapadinhas de pista (Foto: Evelyn Guimarães/Grande Prêmio)
Giaffone ainda afirmou que os comissários são muito bem treinados e têm todos os recursos para tomar a decisão, mas, talvez, uma melhor adequação da pista seja o caminho mais fácil para evitar as polêmicas. “A quantidade de imagens e de dados que a gente tem acesso na F1 é um absurdo, então podemos rever todos os acidentes e, ao mesmo tempo, você tem a parte de interpretação, em que é o ponto, porque até os pilotos veem uma situação de forma diferente. Por isso, acho que a melhor forma é tentar acertar a pista e fazer com o que os pilotos não consigam ultrapassar esses limites. Ou seja, fazer de um jeito que, se for para fora, eles percam tempo”, concluiu. 

O GP do México acontece neste domingo, com largada prevista para 17h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pelo canal SporTV 2 e narração de Galvão Bueno. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO, em TEMPO REAL e 'in loco' com a jornalista Evelyn Guimarães direto do Autódromo Hermanos Rodríguez.

VIGIAR E PUNIR

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