McLaren admite tensão e diz que é difícil entender Honda: “Quando todos vão para a direita, eles preferem a esquerda”

Éric Boullier, uma vez mais, reconheceu que a situação entre a McLaren e Honda é difícil, mas descartou o fim da parceria – ao menos por enquanto. O francês acha que a montadora vai conseguir o nível de competitividade que deseja, mas não será em curto prazo

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Diretor de corridas da McLaren, Éric Boullier rejeitou a ideia de encerrar o vínculo com a Honda, ainda que a situação entre as duas grandes empresas seja de tensão e descontentamento. A parceria entre as duas marcas teve início ainda em 2015 e tinha como objetivo lutar pelo título mundial da F1 em três anos. Só que o planejamento ainda não vingou, especialmente devido à enorme dificuldade da montadora japonesa em tornar seu motor competitivo. A unidade sofre de falta de potência e confiabilidade, e impede um avanço da equipe inglesa com relação à disputa com suas rivais. Até o momento, a esquadra inglesa não somou pontos em 2017 e é a última colocada da tabela de classificação.

 
Falando sobre o desenvolvimento e o papel da Honda no trabalho com a McLaren ao jornal francês 'La Dernière Heure', Boullier contou que a equipe nunca teve a garantia do produto final e que também não paga pelos motores. "O problema é que nós não compramos apenas um motor. A Honda começou do zero com os novos regulamentos e sempre teve uma boa reputação, mas nunca tivemos nenhuma garantia com relação ao produto final, porque não devemos esquecer que nós não pagamos por esses motores", disse o dirigente.
 
O cenário atual dentro das garagens da McLaren é de tensão. Pelo terceiro ano, os resultados são os mesmos. O time, embora tenha Fernando Alonso em um de seus carros, não consegue passar do grupo intermediário do grid e segue longe da luta por pódios e vitórias. Além disso, são frequentes as quebras e as punições por troca dos elementos da unidade de potência.
Éric Boullier é o direito de corridas da McLaren (Foto: Glenn Dunbar/McLaren)

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Ainda assim, Boullier se mostrou confiante e otimista, apesar de não prever uma melhora a curto prazo. "Antes de procurarmos um advogado, temos de entender que estamos em uma zona intermediária e que buscamos soluções. Eu divido o meu tempo entre o Japão e a Inglaterra tentando motivá-los, mas é difícil. Se já é difícil para um europeu entendê-los, agora imagine para um europeu que compete com eles. A maneira como encaram a F1 é: quando todo mundo vai para a direita, eles decidem ir para a esquerda. É extraordinário e parece que funciona, porque o Japão é uma potência mundial", afirmou o francês.

 
"Mas hoje em dia se trata muito do tempo para tudo isso. Eles vão chegar aonde querem, mas vai levar seis ou sete anos. E nós temos de sobreviver. Se melhorarmos, tudo será bom, mas se estivermos atrás no pelotão, vai ficar mais complicado motivar e se convencer de que vamos conseguir."
 
"Tudo é possível. Queremos mesmo que isso funcione. E não temos intenção de encerrar o vínculo com a Honda. Não vou tomar essa decisão. Mas quem decide são os proprietários da McLaren", terminou.
 
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