Brawn vai atrás da MotoGP e negocia para evitar confronto de datas com F1: “Situação atual não é inteligente”

Diretor-esportivo da F1, Ross Brawn se encontrou com o chefão da MotoGP, Carmelo Ezpeleta, para tentar um acordo para evitar a coincidência de datas entre as duas categorias no futuro. O inglês acha que “não é muito inteligente” concorrer com o outro grande campeonato mundial do esporte a motor

 

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Desde a compra pelo Liverty Media – finalizada neste início de ano -, a F1 vem passando por gradativas mudanças em sua gestão e na forma de entender o esporte. E mais um exemplo foi dado por Ross Brawn, agora responsável pelo lado esportivo da maior das categorias de monopostos do planeta. O ex-chefe da Ferrari e da Mercedes revelou que se reuniu com Carmelo Ezpeleta, o diretor-executivo da Mundial de Motovelocidade, para discutir a possibilidade de evitar uma coincidência de datas entre os dois principais campeonatos do esporte a motor no mundo.

 
Nesta temporada, a abertura de ambos os campeonatos aconteceu exatamente na mesma data. No último dia 26 de março, a F1 disputou o GP da Austrália, enquanto a MotoGP foi ao Catar para realizar sua primeira etapa em 2017. Além disso, os dois calendários preveem mais seis confrontos até o fim do ano – incluindo a data final do Mundial de Motovelocidade, em Valência, que vai ocorrer na mesma data do GP do Brasil, em Interlagos. 
 
Em entrevista à agência 'Reuters', o diretor-executivo da F1 admitiu que a situação atual "não é muito inteligente" e que se encontrou com o dirigente espanhol com o objetivo de entender o "cada um pode aprender". "Não estamos muito orgulhosos de consultar outros campeonatos e elaborar um caminho a seguir", reconheceu Brawn.
Ross Brawn quer evitar o confronto de datas entre F1 e MotoGP (Foto: Twitter)

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"É difícil fazer malabarismos com as datas, e nem sempre conseguimos o que queremos, mas, ao menos, estamos tendo um diálogo para tentar resolver isso", completou.

 
O britânico também revelou ser um admirador da estrutura feita pelo Mundial de Motovelocidade. "Gosto da meritocracia que eles têm entre Moto3, Moto2 e MotoGP. Acho que é interessante olhar para o lado comercial, a forma como estruturam as equipes e os negócios, e maneira como trabalham as equipes clientes", acrescentou Ross, levando em consideração que, na F1, os pilotos vêm de todas as partes, que dá uma abertura enorme para a entrada de pilotos pagantes.
 
"Devemos ter os 22 ou 24 melhores pilotos do mundo na F1", afirmou. "Há sempre considerações comerciais, o que significa que nem sempre conseguimos isso. É um problema complexo, porque você tem de colocar as equipes em uma posição em que elas não tenha a necessidade de tomar decisões apenas comerciais. Elas precisam tomar decisões com base nos pilotos", explicou.
 
Ainda falando sobre a complexidade do lado comercial da F1 e da expectativa de uma mudança na distribuição da renda entre as equipes do grid, Brawn admitiu que este é um assunto delicado, mas que faz parte de um projeto de longo prazo. "Não vai haver uma revolução na F1, onde, de repente, chegamos uma mudança e tudo fica melhor. Vai ser, sim, processo constante", falou.
 
"Até que tenhamos a capacidade de realmente entender a direção que o esporte deveria mudar, não vamos mudar nenhuma dos grandes acordos, é muito arriscado", reconheceu.
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