GP Recomenda: cinco bons motivos para não se perder o GP da Rússia 2017

O GP da Rússia do próximo domingo, quarta etapa da temporada 2017, terá alguns bons atrativos em seu nome. A Mercedes pela primeira vez em três anos está realmente atrás de outra equipe no Mundial de Construtores, e Lewis Hamilton tem que reagir. Fernando Alonso, depois de toda a felicidade nos Estados Unidos, volta para a realidade desagradável que vive na McLaren. Os cinco motivos para ver o GP russo

1. ALONSO DE RESSACA
 
O Fernando Alonso que foi visto na Indy nem parece o mesmo que o mundo conheceu na F1. A imagem superior, muitas vezes carrancuda ficou de lado para um surto de simpatia. Alonso está feliz de enfim realizar algo que quer há muito tempo: disputar as 500 Milhas de Indianápolis e perseguir a Tríplice Coroa. É evidente que Fernando só tem olhos para a Indy 500 e para o tratamento que está recebendo nos Estados Unidos, num mundo com menos amarras no que diz respeito ao esporte a motor.
 
Depois do fim de semana no Alabama, falando em fazer história, se mostrar completo como piloto. Falando em vencer novamente. Alonso volta à realidade miserável que vive na F1. Para o GP da Rússia, o maior objetivo é, como o espanhol falou, chegar ao fim da corrida.
 
O papo de vitória e de sonhar com as possibilidades terá de ser suspenso até o meio da semana que vem, quando ele volta ao lado de cá do Atlântico para testar o carro da Andretti. Pela McLaren, a realidade é de uma equipe que foi incapaz de marcar ao menos um nos mais de 300 pontos já disputados no Mundial de F1.
 
Depois da simpatia na TV americana, o Alonso esperado na Rússia é aquele que não gosta do que tem nas mãos e faz questão de deixar claro no rádio da equipe. 
Gil de Ferran já se encontrou com seu 'aluno' Alonso neste domingo em Barber (Foto: Indy)
2. MERCEDES ATRÁS
 
Durante os três anos de amplo domínio da Mercedes, apenas duas vezes antes de agora a equipe terminou uma corrida fora da ponta do Mundial de Construtores. Após a primeira prova de 2014, quando Lewis Hamilton quebrou e a McLaren – isso mesmo – terminou o GP da Austrália na frente apesar da vitória de Nico Rosberg; e após a primeira etapa deste ano, com vitória de Sebastian Vettel e o quarto lugar de Kimi Räikkönen, colocando a Ferrari na ponta.
 
Mas a conta aqui é que agora, pela primeira vez nesse período, a Mercedes está de fato atrás. Porque uma única corrida pode produzir liderança mentirosa. Depois de três etapas, a coisa muda de figura. A Mercedes tomou a ponta da Ferrari depois da China, porém voltou a perder no Bahrein. A Ferrari lidera entre os Construtores, Vettel lidera o Mundial de Pilotos e a Mercedes se vê em uma posição estranha.
 
Atrás, pela primeira vez volta a ser perseguidora e não perseguida após o período de sucesso atroz. Resta ver qual será a reação.
GP da Rússia (Arte: Rodrigo Berton)

3. UMA PROVA ESTILO AUSTRÁLIA?

 
A pista de Sóchi não é um traçado de rua tradicional, mas também não é um circuito permanente. É estreito, tem poucos locais de ultrapassagem e já teve sua fase de críticas, especialmente após o Mundial de F1 de 2014, quando estreou e produziu uma corrida monótona. Se salvou com uma prova divertida em 2015, mas 2016 voltou a mostrar uma etapa mais parada.
 
O histórico até aqui, porém, importa menos do que a nova realidade. Isso porque depois de duas corridas cheias de ultrapassagens e diversão na China e no Bahrein, em pistas que dão aos pilotos a possibilidade sobretudo do ataque nas curvas, a Rússia  se assemelha mais ao traçado do GP da Austrália. Travado, com poucas oportunidades de aproximação mesmo nas curvas e onde o downforce trabalha para repelir um carro que tente perseguir o outro. 
 
A probabilidade está ao lado de uma corrida mais parecida ao GP australiano do que as duas seguintes. Resta saber se as equipes encontrarão alguma resposta rápida. 
Lewis Hamilton (Foto: AFP)
4. O TROCO DE HAMILTON
 
Hamilton está sete pontos atrás de Vettel no Mundial de Pilotos. E nessa temporada, respondeu com uma pilotagem segura na China para responder a derrota do rival na Austrália. Depois de novo resultado adverso, no Bahrein, Hamilton tem no calendário uma pista onde vai bem. E precisa responder, para não começar a ver uma distância maior se abrir em relação para o que dá pinta de ser o único rival do ano, Vettel.
 
Lewis foi o vencedor das duas primeiras edições do GP da Rússia na F1. Acuado, é hora de mostrar novamente que não vai entregar os pontos tão fácil. Se o GP da Rússia for realmente o que se espera, uma corrida de ultrapassagens escassas, largar na pole-position é um grande passo para a vitória. E a Mercedes ainda é um pouco superior à Ferrari neste quesito.
 
Na Austrália, Hamilton perdeu para Vettel na estratégia. Basta que Lewis consiga nova pole e que a equipe não erre. A junção das duas coisas dará grande vantagem a Lewis.
O domingo é de GP da Rússia. Sóchi amanheceu com céu encoberto (Foto: Twitter/Red Bull)
5. PRIMEIRO EVENTO PÓS-ATENTADO TERRORISTA
 
Ok, isso sai completamente do campo esportivo, mas GP da Rússia será o primeiro grande evento esportivo em solo russo após o atentado terrorista ocorrido em São Petersburgo no último dia 3 de abril. Na ocasião, um terrorista uzbeque nascido no Quirguistão deixou uma maleta com explosivos dentro do metrô da cidade. 15 pessoas morreram – e uma outra maleta foi encontrada em outra estação de metrô, mas desarmada sem causar estragos. 
 
Os atentados terroristas são um problema endêmico na Rússia – e antigo. Um levantamento do Global Terrorism Database, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, sobre o terrorismo na Europa nas últimas quatro décadas, apontou que mais de 3.500 pessoas morreram em mais de 800 ataques terroristas na Rússia desde 1970. Nunca, no entanto, em grandes eventos internacionais.
 
A Rússia sempre foi capaz de evitar qualquer tipo de problema em eventos esportivos de grande porte, especialmente numa Sóchi projetada pelo presidente Vladimir Putin para ser o centro dos esportes no país. Mas esperem ver um esquema ultra especial na segurança – talvez sem precedentes – para manter a F1 segura.

 

PADDOCK GP #74 DEBATE: QUAIS OS PILOTOS COM POTENCIAL DE FUTURO CAMPEÃO MUNDIAL DE F1?

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