Análise: rejeição de Ecclestone em se adaptar ao mundo atual fere F1
O ano é 2014, mas o chefão da F1 Bernie Ecclestone ainda nega de forma veemente. Toda sua história e responsabilidade por transformar a categoria em um show global e na máquina de fazer dinheiro que é hoje, não devem ser esquecidas, mas o futuro não pode ser negligenciado. A F1 precisa se alinhar com o ramo da comunicação no Século XXI e necessita saber melhor o que fazer com todo o dinheiro que contabiliza
Enquanto Bernie Ecclestone diz aos sete ventos que só deixa a F1 em um caixão, os problemas para a categoria se acumulam, e a resistência a mudanças na forma como gerir diversas plataformas do negócio do qual não desgruda deixa os envolvidos cada vez mais incrédulos no que o dirigente inglês pode inovar.
As declarações recentes do chefão demonstram sua total falta de apreço pela veracidade dos fatos no Século XXI. Ao dizer que prefere "atingir um rico de 70 anos" a um mercado de jovens, Bernie briga contra a realidade. Obviamente, perde. Ao tratar o termo "jovens" como por pessoas que se interessam por produtos da Disney, o todo-poderoso da categoria parece esquecer que nem todos nasceram aos 84 anos em que ele se encontra em 2014.
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Sua resistência às redes sociais e aos anos da computação e do compartilhamento de tudo não serve apenas como dogmas pessoais, mas como amarras que mantém a F1 enraizada em tempos passados em que o Twitter não faz mais que mostrar algumas fotos que não podem ser utilizadas porque a categoria coloca suas imagens em um pedestal, intocáveis.

Enquanto a MotoGP faz vídeos especiais com momentos de sua temporada, brinca com seus pilotos e trata de manter suas redes sociais atualizadas durante eventos oficiais, enquanto a Indy leva um de seus pilotos à rua para ver o quão reconhecido ele é entre as pessoas, a F1 se prende. Não promove suas plataformas, não humaniza seus pilotos e não aproxima seu mundo singular dos fãs.
Para os aficionados, a impressão é de que a F1 é inalcançável. Uma espécie de mundo virtual, que acaba uma vez que a televisão é desligada. Os pilotos, então, ficam com a imagem de bonecos de cera, inabaláveis e vencíveis apenas por outro de seus pares.
Assim, defasado por ideologia, Ecclestone passa a ser motivo de chacota por dentro de seu império. Em suas contas oficiais no Twitter, Lotus e McLaren se apressaram para se afastar da declaração arcaica do chefe. Christian Horner, da Red Bull, fez piada.
A cada temporada que a F1 espera se sustentar frente aos fãs sendo apenas o que sempre foi, peca. Perde espaço, e acaba tentando correr atrás do próprio rabo com pontuações dobradas e qualquer tipo de jogada para tentar recuperar o público que antes negligenciou até que fosse embora. Afinal, não é possível que Ecclestone acredite de fato que o público de centenas de milhões de expectadores que segue cada temporada seja formado apenas por ricaços de 70 anos.
Se as acusações e os julgamentos não serão o caixão de Ecclestone, talvez a recusa a viver em 2014, seja. Ou talvez seja a crise, quem é que vai saber. Mas as opções são amplas neste momento.
Além da personalidade dogmática quanto à tecnologia, 2014 foi o ano da explosão de que a distribuição de renda da F1 está equivocada. Gasta-se demais para competir. Equipes sem o mecenato de construtores gigantes tentam seguir a balada, só que acumulam dívidas colossais.
Se eram as nanicas Caterham e Marussia a demonstrar problemas financeiros inicialmente, além da Lotus, por condições especiais, a sequência no ano mostrou que Sauber e Force India também nutrem graves dificuldades. E com essa quantidade de agonizantes, parece hora de discutir uma reforma distributiva partindo dos robustos cofres da F1. Salvando a classe média do Mundial, Ecclestone garante a competição e pode equilibrar as coisas.
Mas, novamente, ideias mirabolantes aparecem. Fazer as maiores equipes levarem três carros à pista, ou então uma frase de efeito como: "Se eles acham que estão gastando muito, então que gastem menos".
É hora de agir para manter a F1 fora da espiral da morte que se prepara para arremessar a categoria na vertical contra o solo, mas Bernie não consegue parar de ser Bernie e inventar uma prova na Coréia do Sul uma semana antes do GP da Espanha. Tem dívida? Mande sua equipe para um pit-stop a 9.8 mil km de distância, sete dias antes de ir para a Europa.
Mas após 38 anos de Ecclestone como o Big Boss, quem poderia defender a F1 em seu lugar? Bom, a notícia nova é do 'Financial Times', e dá conta de que Paul Walsh vai ser o próximo presidente no conselho diretivo da F1 no lugar de Peter Brabeck, que passa por problemas de saúde. E, segundo o jornal, o grupo CVC, detentor dos direitos comerciais da categoria, deseja ver Walsh diminua a atuação de Ecclestone, assumindo algumas funções executivas.
Walsh foi diretor-geral da empresa de bebidas Diageo, dona de marcas famosas, como Smirnoff, Guinness e Johnnie Walker. Por lá, chegou a negociar com Ecclestone, e o resultado foi que a Johnnie Walker passou a patrocinar a F1.
Com 59 anos de idade, Walsh talvez seja a resposta da CVC à pergunta: Quem vai dar sequência aos dias de Bernie? Fato é que todos parecem já ter entendido que a F1 precisa de mudanças pontuais, rápidas e eficazes para que se sustente, poderosa, no longo prazo.
Se Ecclestone realmente só pretende deixar a F1 num caixão, ninguém sabe. Mas é notório que ele precisa se reciclar ou deixar a F1 antes que talhe o caixão da categoria.
A REVISTA WARM UP e o GRANDE PRÊMIO abriram nesta terça-feira (2) sua já tradicional votação de 'Melhores do ano'. Depois de votação interna dos jornalistas da equipe da AGÊNCIA WARM UP, cinco candidatos foram indicados em cada uma das 11 categorias, e os vencedores serão definidos pelos leitores em votação popular que fica aberta por uma semana, até o dia 8 de dezembro.
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A comissão de notáveis formada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para apurar as causas do acidente de Jules Bianchi concluiu que o francês foi o principal responsável pela batida que aconteceu no GP do Japão, no dia 5 de outubro, em Suzuka. O relatório, divulgado nesta quarta-feira (3), disse que o piloto falhou ao não reduzir o suficiente a velocidade ao contornar a curva 7 e minimizou a presença da presença de um trator na área de escape sem que o carro de segurança fosse acionado.

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