O título de Rubens Barrichello neste domingo (30) em Curitiba rendeu homenagens do time para o qual o piloto de 42 anos torce. O Corinthians se manifestou nas redes sociais e deixou uma mensagem carinhosa, remetendo a uma conhecidíssima frase dita há 12 anos durante uma transmissão da F1.
O 'hoje, sim', cunhado por Cléber Machado durante o GP da Áustria de 2002, referia-se a uma situação em que Barrichello teve de dar passagem para Michael Schumacher na linha de chegada e abria mão da vitória na corrida que dominou no A1-Ring — hoje Red Bull Ring.
Rubens Barrichello no pódio da Stock Car em Curitiba (Foto: Carsten Horst/Hyset)
Uma casca de banana e o Fantástico
Após a prova, Barrichello falou que levou um susto. "Tinha uma casca de banana que estava ali. Eu quase rodei, eu não sei se era água ou óleo, mas graças a Deus tinha uma distância e consegui controlar”, explicou o piloto ao canal SporTV.
Primeiro título na Stock Car, Barrichello não escondeu a felicidade da conquista. Porém, mesmo em meio a emoção, ficou contido nos agradecimentos. “Campeão é campeão. Eu tenho que agradecer à equipe Full Time”, disse. “A equipe me deu um carro sensacional pelos pontos. É um orgulho estar correndo com estes caras. Se eu for agradecer todo mundo, vou ficar até o Fantástico ou o Jornal Nacional. Obrigado de coração pelo carinho enorme. Agora, a gente se sente aliviado”, continuou.
Sempre acompanhando o pai, os filhos de Barrichello marcaram presença mais uma vez nos boxes da equipe, e o piloto não poderia agradecer mais o apoio da família. “É demais”, afirmou. “Vencer o campeonato nessa situação é muito bom. Estou me segurando para não soltar aquelas lágrimas”, encerrou o campeão.
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O hiato de títulos acaba
Depois do desempenho na categoria inglesa, o brasileiro foi para a F-3000 no ano seguinte. Naquela que era o último degrau antes da F1, Rubens fechou a temporada em terceiro, com 27 pontos. Um ano depois, estava estreando no Mundial pela pequena Jordan. A primeira temporada foi marcada por boas atuações, mas o pouco desempenho do carro também comprometeu, e o piloto acabou terminando aquele ano em 17º, com dois pontos apenas.
Aí veio o trágico ano de 1994. O então novato havia começado muito bem aquele campeonato, pontuando nas duas primeiras provas. No GP do Brasil, foi o quarto colocado, enquanto no Japão, em Aida, conquistou o primeiro pódio, com o terceiro posto. A performance o colocou na vice-liderança da classificação. Só que tudo no mudou na volta à Europa.
Durante os treinos para o GP de San Marino, Rubens sofreu o pior acidente de sua carreira. O piloto decolou depois de passar por uma zebra, na Variante Baixa em Ímola, acertando com força a barreira de pneus. A pancada foi violenta, e Barrichello teve ferimentos no braço e faturou o nariz. E ficou de fora da etapa, que se mostrou ainda mais triste, com as mortes de Roland Ratzenberger no sábado e do tricampeão Ayrton Senna no domingo.
As tragédias colocaram uma sombra negra sob a F1. E Barrichello sentiu o golpe. Ainda assim, o ponto do alto do ano foi a conquista da primeira pole, em Spa-Francorchamps.
Nos dois anos seguintes, o piloto ainda permaneceu na equipe irlandesa, antes de ser contratado em 1997 por Jackie Stewart, que comanda sua própria esquadra na maior das categorias. A parceria durou até 2000, quando surgiu a grande chance: um acordo com a Ferrari. Rubens se tornava ali o primeiro brasileiro a defender as cores da mítica escuderia italiana.
Pelo time de Maranello, Rubens conseguiu sua primeira vitória na F1, em uma corrida tumultuada e marcada pela chuva em Hockenheim, na Alemanha, em 2000. Mas também viveu um período conturbado na convivência com Michael Schumacher e, embora tenha sido vice-campeão duas vezes, nunca chegou a disputar efetivamente o título com o alemão, que venceu entre 2000 e 2006 cinco de seus sete mundiais na F1. Já o brasileiro ganhou nove corridas enquanto defendeu o vermelho da Ferrari.
Em 2006, Rubens mudou de time e foi defender a Honda. Viveu um período de seca e voltou a vencer em 2009, quando a montadora japonesa deixou a F1 e deu lugar para a Brawn. Naquele ano, o piloto conquistou duas vitórias, mas o enorme domínio de Jenson Button acabou selando as chances do paulista. Barrichello ainda correu pela Williams entre 2010 e 2011, ano em que deixou a F1, sem conseguir garantir uma vaga.
Na temporada seguinte foi para a Indy, mas apenas por um ano e sem vitórias, somente o titulo de novato do ano. Mas colocou no currículo a participação nas 500 Milhas de Indianápolis, prova em que chegou em 11º.
A história na Stock Car começou para valer mesmo em 2013, depois da participação em três corridas no ano anterior. Ainda no ano passado, defendendo a mesma Full Time, Barrichello completou o ano na oitavo colocado, com 120 pontos, um pódio e uma pole-position.
Agora, em 2014, o piloto de 42 anos conseguiu as primeiras vitórias na categoria nacional. Rubens venceu a Corrida do Milhão em Goiânia. E, na sequência, ainda faturou a etapa de Cascavel. Os triunfos e os cinco pódios ao longo de 2014 o colocaram na liderança. E na posição de favorito. Favoritismo, aliás, confirmado neste domingo.
SANDUÍCHE DE PRESUNTO, NÃO
Ainda na volta de apresentação, enquanto liderava o pelotão para a largada, Rubens Barrichello disse no rádio que ele e a equipe precisavam fazer o “arroz com feijão” na prova decisiva em Curitiba. Dito e feito. É bem verdade que Barrichello levou um pequeno susto no início, mas isso não o tirou da zona confortável para garantir a taça. E com o terceiro lugar, o ex-piloto da F1 e da Indy se sagrou campeão da Stock Car.
É o primeiro título do paulista desde a conquista da F3 Inglesa em 1991. Fora da briga pelo campeonato, Daniel Serra venceu com tranquilidade a corrida curitibana. Átila Abreu bem que tentou tirar o título de Rubens, mas acabou mesmo em segundo. Cacá Bueno foi o quarto, enquanto Allam Khodair completou o top-5.
Leia a reportagem completa no GRANDE PRÊMIO.
UMA NASCA DE BACANA
O jejum foi enfim quebrado. Depois de 23 anos esperando, Rubens Barrichello conquistou um título neste domingo (30), após terminar em terceiro na prova final do calendário da Stock Car, em Curitiba. O resultado foi suficiente para o piloto sagrar-se campeão da categoria.
Para isso, o piloto precisou escapar de uma "casca de banana". E evitou longos agradecimentos senão "ia ficar até o 'Fantástico'".
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AFASTA UM POUCO
O GRANDE PRÊMIO preparou uma galeria com 100 imagens marcantes da carreira de Rubens Barrichello, que se sagrou campeão da Stock Car neste domingo em Curitiba. Com o recorde de participações na F1 e uma experiência que não teve êxito na Indy, o piloto de 42 anos acabou com um hiato de 23 sem títulos — o último havia sido em 1991 pela F3 Inglesa.
Veja a galeria completa.
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