Frustrada, chefe da Sauber diz que é uma “vergonha” que a bilionária F1 não consiga garantir sobrevivência de 11 times

Monisha Kaltenborn avaliou que é uma vergonha que um esporte bilionário como a F1 não consiga garantir a sobrevivência de 11 equipes. Dirigente sugeriu mudança na distribuição de renda na F1

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Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn avaliou que é inconcebível que times tenham problemas financeiros em um esporte cujo volume de negócios supera a marca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,4 bilhões). Neste fim de semana, Caterham e Marussia vão ficar de fora do grid do GP das Américas por conta de problemas financeiros.
 
As duas equipes, entretanto, são as primeiras seriamente impactadas pela crise, mas a Sauber também não atravessa uma boa fase. Nesse cenário, Kaltenborn não poupou críticas ao momento vivido pela F1.
Monisha sugeriu mudança da distribuição de renda da F1 (Foto: Sauber)
“Acho que eu estou em um estágio muito além da frustração”, disse Monisha. “Antes de mais nada, estou desapontada, pois nós sempre falamos deste terrível cenário de que alguns times não estariam lá, mas o esporte é assim e o fato de as pessoas responsáveis pelo esporte deixaram isso chegar a este ponto é extremamente preocupante”, continuou.
 
“Alguns acionistas ou pessoas simplesmente não estão dispostos a entender onde está o problema”, criticou. 
 
De acordo com a dirigente, a F1 vem discutindo há meses o uso de redes sociais e maneiras de tornar o esporte atrativo, enquanto deixou de lado o debate sobre a saúde financeira das equipes. 
 
“Nas últimas semanas ou meses nós estivemos focados nas mídias sociais, no show e em todo tipo de coisas. Agora, durante a temporada, você sempre tem corridas ótimas e corridas chatas — faz parte. Nós tivemos temporada em que praticamente todas as corridas foram chatas, mas ainda assim as coisas estavam indo bem”, ponderou. “Então nós realmente não precisamos focar nisso. Isso acontece como parte do esporte”, defendeu. 
 
“Nós estamos discutindo muito sobre as redes sociais, que é algo que talvez nós tenhamos de fazer, mas isso não resolve os problemas que nós temos”, alertou. “O que nós realmente precisamos olhar, e nós, como um time, estamos dizendo isso há muito tempo, é que temos de entender direito o esporte”, seguiu. 
 
“Acho que é uma grande vergonha que tenhamos um volume de negócios de bilhões de dólares e, como esporte, como comunidade, não sejamos capazes de garantir a sobrevivência de 11 times. Tente explicar isso para alguém”, disparou.
 
 Kaltenborn acredita que uma saída para garantir a sobrevivência das equipes menores é alterar o sistema de premiação da F1. Atualmente, os times maiores, que naturalmente têm um volume maior de patrocinadores, recebem mais dinheiros que as equipes do fundo do grid.
 
“Deveria haver uma quantia que garanta que todo time viva decentemente”, defendeu. “Ninguém está dizendo que você tem de ter os padrões mais luxuosos — você deveria poder participar do esporte. Todos nós investimos muito para trazer nossos times a este nível e isso deveria ser respeitado de forma que você tenha um certo montante base que é o mesmo para todos”, concluiu.
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