Aliando chassi melhor e evolução do motor, Red Bull faz recuperação exemplar na primeira metade do ano

Avaliando a evolução da principais equipes do grid, a Red Bull salta aos olhos: a equipe dos energéticos assumiu a liderança na caça à Mercedes, tendo um avanço coletivo em seu equipamento como principal trunfo

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Um fã de automobilismo mais desatento pode nem perceber, mas a divisão de forças dentro da F1 está passando por mudanças sérias. Pode ficar camuflado pelo domínio eterno da Mercedes, mas é inegável que as equipes de ponta estão trocando seus papéis. Na sombra dos prateados, se escondem as mudanças que servem para contar a história do primeiro semestre do ano.
 
Para começar uma análise, é necessário delimitar as equipes verdadeiramente de ponta. São três: Mercedes, Red Bull e Ferrari, nessa ordem. Da Williams para trás, tudo meio de pelotão ou rabeira. Focando no trio ponteiro, os taurinos são campeões absolutos em evolução: a tão complexa combinação entre chassi e motor finalmente parece estar acontecendo para os tetracampeões, que passaram dois anos pecando em um aspecto ou outro.
 
É um alívio absoluto. A Renault voltou a acertar a mão em suas unidades de potência, consequência direta da entrada da montadora na F1 como equipe de fábrica e do orçamento mais generoso. Enquanto isso, a própria Red Bull faz sua parte: o RB12 é um carro muito bem nascido, fazendo justiça ao grande histórico dos chassis de Milton Keynes. É uma mudança incrível para aqueles que chegaram a ameaçar sair da categoria ao final de 2015.
A Red Bull só cresce (Foto: Getty Images)

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Mesmo acertando a mão, o começo de ano da Red Bull nem foi tão brilhante assim. A equipe assumiu a condição de terceira melhor do grid, desbancando a Williams, com facilidade. O primeiro pódio veio com Daniil Kvyat, no GP da China. Eram indícios positivos, mas a Ferrari ainda estava consolidada como grande desafiante da Mercedes, apesar do começo hesitante dos italianos.
 
O jogo virou de vez quando Max Verstappen veio. Desde a vitória histórica em Barcelona, a Ferrari raramente foi páreo para a Red Bull. Claro, isso não tem a ver apenas com o talento do holandês – a sequência de pistas favoreceu muito. Depois da Espanha, Mônaco contou até com pole de Daniel Ricciardo e chance clara de vitória. O mesmo foi visto na Hungria e na Alemanha. O segundo posto no Campeonato de Constutores já tem novo dono.
 
A evolução da Red Bull contrasta com a regressão da Ferrari. Os italianos trazem atualizações, mas que parecem não funcionar tão bem assim. Salvo uma ou outra corrida, a equipe de Maranello só perde terreno para as principais adversárias.
Largada do GP da Alemanha (Foto: Getty Images)
A equipe italiana se viu de mãos atadas por conta do drama pessoal de um dos seus mais importantes funcionários. James Allison, diretor-técnico, optou por se desligar de Maranello meses após a morte repentina de sua esposa, vítima de um surto de meningite. Os próprios italianos admitem que, nos últimos tempos, a aerodinâmica começou a ficar devendo.
 
Um pouco mais atrás e chegamos na Williams. Ah, Williams… Não há como discutir a evolução da Williams por um motivo simples: praticamente não existiu. O departamento técnico prometeu um avanço histórico, mas isso foi lorota pura. A equipe sempre sofre, independente do tipo de pista. Red Bull e Ferrari, que já abriram o ano com boa vantagem, seguem deixando os britânicos ainda mais para trás.
 
Perdida no meio do pelotão está a McLaren. Os ingleses, afundados em mediocridade desde a chegada da Honda, dão um belo exemplo de recuperação. A equipe, que pouco pontuou nas três primeiras corridas, deixa rivais para trás e flerta bastante com a zona de pontos. O top-10 ainda não é alcançado com frequência, mas isso deve ser questão de tempo.
 
No caso dos britânicos, o que faz a diferença mesmo é o avanço da Honda. Os japoneses optaram por trazer grandes atualizações, descartando a política de avanços graduais e constantes. A aerodinâmica, que já havia melhorado bastante em 2015, segue se aperfeiçoando em 2016.
 
O gráfico acima compara os melhores tempos anotados pelas cinco equipes ao longo de todos treinos classificatórios até aqui. 100% é o tempo da pole – monopolizada pela Mercedes –, enquanto um tempo de 102% está 2% acima do melhor registro.
 
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