Webber chega a 200 GPs como coadjuvante de Vettel na Red Bull após início incerto em times médios
Trajetória iniciada em 2002, com fulgurante quinto lugar no GP da Austrália guiando uma Minardi, teve como ponto alto a transição para o primeiro escalão da categoria com a chegada do tricampeão ao time. Paradoxo: seu brilho maior foi à sombra do alemão
O GP do Bahrein, que será disputado no próximo domingo (20), terá um significado especial para Mark Webber. Em Sakhir, o australiano completará a marca de 200 GPs disputados na F1, em uma carreira marcada por muitos altos e baixos. Webber chegou à F1 em 2002. Sua estreia, diante do frissom de sua torcida, foi no GP da Austrália — Mark foi o primeiro australiano na F1 desde a aposentadoria de Alan Jones, em 1986 —, pela extinta equipe Minardi.
O resultado foi heróico: graças a um múltiplo acidente envolvendo oito carros na largada e a alguns outros abandonos ao longo da prova, o piloto, que havia largado em 18º, conseguiu cruzar a linha de chegada na quinta posição entre os oito que terminaram. Algo tão marcante que Webber subiu ao pódio após a cerimônia de premiação dos três primeiros colocados e, junto com Paul Stoddart — então chefe da equipe -, comemorou como se fosse o vencedor.
Da estreia surpreendente e promissora, há 11 anos, até o recente GP da China, realizado na última semana, as coisas não aconteceram exatamente como Mark imaginava. É possível dizer, inclusive, que sua carreira se divide em duas metades bastante distintas: 'antes' e 'depois' de Sebastian Vettel.
Na primeira metade, o australiano seguiu trajetória claudicante, surgindo como uma das promessas do início da década de 2000 – junto com Fernando Alonso, Kimi Räikkönen e Felipe Massa – e vagando por várias equipes diferentes, sem resultados expressivos.
A primeira delas foi a Jaguar, onde Webber ficou por duas temporadas e, em 34 corridas, o melhor que conseguiu foi um sexto lugar em quatro oportunidades. Curiosamente, sequer conseguiu igualar aquela que, até então, era sua melhor classificação final. Seu único destaque durante este período foi o desempenho chamativo em treinos de classificação — o piloto chegou a largar na primeira fila no GP da Malásia de 2004.
Com o fim da Jaguar, Webber transferiu-se para a Williams no ano seguinte, e teve de encarar um período de transição: a parceria da equipe com a BMW, iniciada em 2000, se encerraria ao fim daquela temporada.
Não se pode dizer que o australiano passou por maus bocados no time inglês. Além de ter conquistado seu primeiro pódio – Mônaco 2005 -, teve um excelente início de campeonato: foram sete etapas consecutivas largando entre os cinco primeiros do grid e cinco provas nos pontos – nas duas únicas etapas em que não pontuou, também não completou a prova.
Daí em diante, a BMW congelou o desenvolvimento do motor e os bons resultados cessaram. Em 2006, a Williams sofreu com os lentos e pouco confiáveis Cosworth. Das 18 etapas daquele ano, Mark abandonou nada menos que dez vezes e pontuou em apenas três oportunidades.
2007 foi o ano da transferência para a Red Bull. Estabelecida como força média no grid, a escuderia buscava um piloto veloz e com capacidade de liderança para levá-la ao primeiro escalão. Para cumprir esta missão, nada como um cara experiente, rápido e demolidor de companheiros de equipe – Antônio Pizzonia, Justin Wilson, Nick Heidfeld e Nico Rosberg que o digam…
Webber, no entanto, falhou. Ao lado do ancião David Coulthard, o australiano conseguiu um mísero pódio em duas temporadas – no caótico GP da Europa de 2007. Em 2008, passou em branco.
Porém, em 2009, viria o divisor de águas para a carreira do piloto. A segunda metade de sua história na F1.
A mudança radical no novo regulamento técnico – que afetava drasticamente as configurações aerodinâmicas às quais equipes e pilotos estavam acostumados até ali – acabaria alterando por completo a hierarquia de forças do grid, permitindo a súbita ascensão de quem melhor lidou com as regras, casos de Brawn GP e Red Bull.
O time austríaco, por sua vez, aposentou Coulthard e trouxe o jovem Sebastian Vettel, pupilo da escuderia, promessa que havia assombrado a categoria ao vencer, debaixo de uma tempestade, o GP da Itália de 2008. Com uma Toro Roso.
Se a equipe dos energéticos apostara em Webber como salvação da lavoura dois anos antes, agora era a hora e a vez de Vettel mostrar do que era capaz.
E o retorno veio mais rápido do que se imaginava. Logo na terceira etapa do campeonato, novamente sob chuva, o alemão venceu de forma contundente o GP da China. Webber estava lá para coadjuvar o 1-2 rubrotaurino.
A parceria entre ambos deveria dar certo, mas a história mostrou que não seria assim. O time esperava de Mark a subserviência de um escudeiro para o genial Vettel, mas encontrou o australiano de olhos fixos voltados para o desafio de super o germânico.
É preciso que se diga que Webber não fez feio. Pelo contrário. Com a atitude que falta a muitos pilotos, estendeu o iminente ocaso de sua carreira para ingressar, na raça, em sua melhor fase na F1.
A primeira pole e a primeira vitória vieram juntas: no GP da Alemanha de 2009. "Nada mal para um segundo piloto, hein?", desabafou à própria equipe, via rádio, após cruzar a linha de chegada em prantos.
Naquele ano, foram duas vitórias e o quarto lugar no Mundial de Pilotos.
Em 2010, auge da carreira, Webber chegou a enfileirar três poles consecutivas entre os GPs da Espanha e da Turquia, venceu em templos do automobilismo como Mônaco e Silverstone, liderou boa parte do campeonato e lutou pelo título até a última etapa, em Abu Dhabi. Fez a corrida decisiva lesionado e não esteve em 100% de condições para duelar com Vettel e Fernando Alonso – o alemão levou seu primeiro título. Foram quatro vitórias, cinco poles e o terceiro lugar no Mundial de Pilotos.
Deste momento em diante, apesar de ter consolidado seu status de piloto de ponta, o australiano fez campanhas mais opacas e, apesar de momentos esporádicos de brilho, a verdade é que o antigo demolidor de companheiros de equipe, desta vez, havia sido demolido por seu parceiro.
Entre 2011 e 2012, enquanto o tedesco ficou com dois títulos, Mark conquistou apenas três vitórias. O algoz havia se tornado vítima.
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Como todo grande campeão, Vettel elevou ao extremo sua liderança, sem dar asas ao azar – o exemplo maior disso é o recente episódio do GP da Malásia deste ano, quando o alemão desrespeitou ordens da Red Bull e tomou a vitória das mãos do australiano.
O incidente pode ter sido o início do fim para Webber, que não seguirá na Red Bull em 2014 e, possivelmente, não continuará sequer na F1 – há rumores de que o piloto negocia com a Porsche para competir no Mundial de Endurance no próximo ano.
Como se vê, Vettel dividiu a carreira de Mark em dois capítulos muito distintos: o rápido australiano que vagava em equipes médias se tornou um esforçado piloto de primeira linha, muito em função da presença do alemão na Red Bull. Entretanto, sem o tricampeão, provavelmente o conterrâneo dos cangurus seguiria o mesmo rumo que já havia traçado até 2009, sem alcançar o quinhão de glória que lhe coube na categoria.
Paradoxo difícil de resolver. Nada, entretanto, que diminua o mérito e a história de Webber.
| MARK ALAN WEBBER | |
| 27 de Agosto de 1976 | |
| Queanbeyan, New South Wales (AUS) | |
| Presenças | 201 |
| GPs disputados | 199 |
| Vitórias | 9 |
| Poles | 11 |
| Pódios | 35 |
| Voltas mais rápidas | 14 |
| Pontos | 874,5 |
| GPs liderados | 25 |
| Voltas na liderança | 574 |
| Temporadas | 12 |
| Equipes | Minardi (2002), Jaguar (2003 a 2004), Williams (2005 a 2006) e Red Bull (desde 2007) |
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