Paleontólogos peruanos reclamam de rota e acusam Dakar de destruir fósseis no deserto de Ica
Paleontólogos peruanos afirmaram que a atual rota do Dakar passa por um cemitério de fósseis de grandes mamíferos, especialmente de baleias e golfinhos. Especialistas afirmam que prova de 2012 deixou um rastro de destruição no deserto de Ica
Paleontólogos peruanos não estão nada satisfeitos com a rota do Rali Dakar. Os especialistas afirmam que edição de 2012 deixou um rastro de destruição no deserto de Ica, já que os carros, motos, caminhões e quadrículos passaram por cima de fósseis de grandes mamíferos.
“O dano é evidente na área de Ica, onde você pode ver a deterioração de muitos fosseis porque os veículos passaram por cima deles”, disse Vildoso Carlos, diretor do Instituto de Paleontologia do Peru. “Temos muitos esqueletos de mamíferos grandes, especialmente baleias e golfinhos, e os restos fossilizados de invertebrados que sofreram danos por conta da passagem de veículos. A rota passou praticamente sobre os animais.”
Klaus Hönninger, diretor do Museu de Paleontologia Meyer – Hönninger, em Lima, disse que informou os organizadores do Dakar sobre o ano, mas alegou que eles não compartilharam de sua preocupação. Ele também alega que alguns competidores saíram da rota original para pegar um caminho mais simples.
“Eles deixaram o deserto em um estado terrível”, acusou Hönninger. “Vi pessoas esmagarem vértebras fossilizadas de baleias e jogar toneladas de lixo ao redor. Eu encontrei até mesmo pneus velhos deixados para trás pelos competidores”, afirmou.
De acordo com Klaus, nem o Ministro da Cultura, responsável pela herança cultural do Peru, nem os encarregados pela disputa estão “aceitando a responsabilidade” por esta destruição. “Nossa posição é que os organizadores deveriam encontrar outra rota para evitar uma maior deterioração do cemitério fóssil”, disse Hönninger.
Durante a apresentação do Dakar, Luis Peirano, Ministro da Cultura do Peru, assegurou que os organizadores estavam comprometidos com a preservação da herança cultural do país.
“O Peru tem uma rica herança que deve ser protegida”, defendeu, afirmando que oficiais locais vão trabalhar em parceria com os organizadores para evitar mais destruição.
Na região do deserto de Ocucaje foram encontrados fósseis de tubarões gigantes e baleias que mediam até 20 metros. Em fevereiro passado, geólogos peruanos encontraram na mesma região os restos de uma baleia que acreditam ter 3,6 milhões de anos.
No Chile, as autoridades locais trabalharam junto com os organizadores para traçar rotas que não prejudicassem o meio ambiente e a arqueologia local, principalmente na região de San Pedro de Atacama.
“Em colaboração com a organização do rali, nós desenvolvemos uma rota que evita uma área identificada como de risco do ponto de vista do meio ambiente e da arqueologia”, explicou Gabriel Ruiz Tagle, Secretário de Esportes.
A largada do Dakar será no próximo dia 5, em Lima, no Peru, seguindo para a Argentina e terminando no dia 20, em Santiago, no Chile.
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