Williams realiza intercâmbio com hospital de Gales e ajuda a salvar vidas de recém-nascidos com técnicas de pit-stops

Outrora criticada pelo seu desempenho nos pit-stops, a Williams melhorou muito em 2016 e foi a melhor nas quatro primeiras corridas de 2016. A equipe de Grove também empresta seu conhecimento ao Hospital Universitário de Gales, em Cardiff, que usa as técnicas de troca de pneus para salvar vidas de recém-nascidos

O que uma equipe de pit-stops de uma das mais vencedoras equipes de F1 pode fazer além de trocar pneus com eficiência, em pouco mais de 2s? Para a Williams e o Hospital Universitário de Gales, em Cardiff, não se trata apenas da competição em si, mas também de um objetivo mais nobre: salvar vidas de recém-nascidos.
 
Ao mesmo tempo em que vem registrando o melhor trabalho de pit-stops em toda a temporada, marcando o melhor tempo nas quatro primeiras corridas de 2016 — Austrália, Bahrein, China e Rússia —, a Williams foi convidada pelo hospital galês para conhecer como é o trabalho de uma Unidade de Terapia Intensiva neonatal, enquanto o Hospital de Gales enviou alguns dos seus médicos para Grove, em Oxfordshire, para conhecer a sede da laureada equipe de F1.
 
Neste intercâmbio de informações, os médicos entenderam que tanto os pit-stops quanto o trabalho de reanimação de recém-nascidos exige uma equipe de pessoas que trabalhe de forma rápida diante de um espaço limitado. Depois de ser muito criticada pelas falhas nas trocas de pneus de Valtteri Bottas e Felipe Massa nos últimos anos, a Williams contratou um especialista em desempenho humano, que trabalha junto à equipe de pit-stops para melhorar fatores como a técnica, trabalho em grupo e também o preparo físico.
Trabalho da Williams em pit-stops serve como base para hospital galês aperfeiçoar tratamento com recém-nascidos (Foto: Getty Images)
Este mesmo especialista já havia desempenhado um trabalho em tratamento de recém-nascidos e se tornou uma espécie de conselheiro do hospital de Cardiff.
 
Após a visita à Williams, realizada em 4 de maio, os médicos realizaram uma série de mudanças nos procedimentos do tratamento de recém-nascidos no hospital usando técnicas empregadas nos pit-stops.
 
“O carrinho de equipamento de reanimação já foi auditado e simplificado para garantir que o equipamento pode ser localizado da forma mais rápida possível. A equipe neonatal mapeou um espaço padronizado para indicar claramente a área para a equipe de reanimação neonatal para trabalhar, copiando o mapa de chão personalizado que a Williams leva para as corridas para mapear as necessidades específicas de cada pit em cada pista”, explicou a Williams.
 
“Também estão na fase inicial de implementação de procedimentos como comunicações e técnicas de análise, incluindo o uso de um ‘radio-check’ antes de uma reanimação, uma utilização maior de sinais manuais ao invés de comunicação verbal, e análise de vídeo para analisar o desempenho na sequência de uma reanimação com reuniões como padrão”, disse a equipe em nota.
 
Especialista e responsável pelos recém-nascidos do Hospital Universitário de Gales, Drª Rachel Hayward, destacou o intercâmbio com a Williams. “O tempo de reanimação de um recém-nascido é muito crítico, requer uma reanimação eficiente e efetiva para garantir um bom resultado. Os atrasos podem trazer consequências à sobrevivência ou podem gerar o desenvolvimento de complicações em longo prazo. Há uma quantidade crescente de evidências de apoio a uma abordagem sistemática nos tratamentos em reanimação, em que o tempo é crítico e depende de uma dinâmica de equipe e comunicação clara. Diante da analogia com o que exige um eficiente pit-stop, decidimos trabalhar com a Williams para implementar técnicas e procedimentos de F1 para aumentar o tratamento de reanimação neonatal”, afirmou a médica.
 
Claire Williams, chefe-adjunta da Williams, comemorou a parceria com o hospital galês. “Quando fomos abordados pela equipe neonatal do Hospital Universitário de Gales no ano passado para oferecer alguns conselhos, tivemos o prazer de ajudar. O trabalho deles é de vital importância e a pressão que esse trabalho exige é difícil de entender: é uma questão de vida ou morte todos os dias da semana”, ressaltou. “Se alguns dos conselhos ajudar a salvar uma jovem vida, então terá sido um esforço muito digno. Estamos vendo que cada vez mais o conhecimento da F1 e da tecnologia pode beneficiar outras indústrias, e esse é um grande exemplo”, disse a dirigente britânica.
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