Por trás da falência: A empresa de informática está sem nada desde primeira edição do WEC em Interlagos

Flávio Brasil é dono da Incnet Informática e Tecnologia e foi contratado pela organização brasileira do Mundial de Endurance, em 2012, para fornecer serviços de internet e informática. De um orçamento de R$ 100 mil, Brasil só recebeu R$ 10 mil. É mais um de muitos que teve de buscar a Justiça para tentar receber o que a promotora das 6 Horas de São Paulo ficou devendo

As três edições das 6 Horas de São Paulo, etapa do Mundial de Endurance, foram marcadas por diversos problemas — estruturais, de administração e de falta de pagamentos. A organização, capitaneada por Emerson Fittipaldi, ainda deve a muitos fornecedores e empresas prestadoras de serviços. E a falha no cumprimento de contratos vem desde a primeira edição da corrida em Interlagos, realizada no dia 15 de setembro de 2012, primeiro ano de disputa do campeonato. 
 
E um exemplo é Flavio Brasil. O empresário é dono da Incnet Informática e Tecnologia, que tem sede em São Paulo. A companhia foi contatada em agosto de 2012, para prestar serviços de internet e informática no autódromo paulista para a corrida promovida por Fittipaldi. 
 
Depois de aprovado o orçamento, o contrato foi assinado no dia 10 de setembro naquele ano. E o acordo fechado entre a Incnet e a Sports Momentum, que atuava em nome da Novo Horizonte Participações, uma das muitas empresa de propriedade do bicampeão da F1, estabelecia o pagamento de R$ 100.720,00 pelo trabalho na pista paulistana, durante a realização das 6HSP.
Flavio Brasil ainda tenta receber pelo serviço prestado nas 6 Horas de São Paulo de 2012 (Foto: Arquivo Pessoal)
Ainda segundo o documento, o valor deveria ter sido acertado em outubro de 2012. Mas Flávio só recebeu R$ 10 mil do montante. E a partir daí a história praticamente repetiu o roteiro do que aconteceu com Emerson Cristiano
 
Novamente, os pagamentos não foram feitos e as desculpas foram se acumulando, até o dia em que sequer a empresa do campeão da Indy atendia o reclamante. E o contato era sempre feito por meio de Alvino Pereira Jr., o braço direito de Fittipaldi também na Novo Horizonte. 
 
Diante do cenário, Brasil decidiu, então, procurar seus direitos na Justiça. “Nós tentamos negociar lá com o pessoal da Novo Horizonte, com o Alvino, mas as desculpas eram sempre as mesmas: ele [Emerson] está tentando, está em dificuldades, sempre a mesma coisa… Aí chegou uma época em que ele nem atendia mais”, conta Flávio ao GRANDE PRÊMIO.
 
“Foi em 2012 que fui chamado, nós fizemos três orçamentos. E o valor do orçamento ficou em R$ 100 mil. Isso foi feito para a prova na etapa de 2012, veja. E aí depois nós não prestamos mais nenhum serviço com eles. Não dava mais.”
 
“E foi aí que chamei um advogado e ele entrou com uma ação aqui no centro da cidade, no Fórum da Sé. Eu assinei a procuração para entrar com o processo contra a Novo Horizonte no dia 14 de dezembro de 2012”, completa. 
 
O empresário ainda revela o maior problema para o andamento do processo judicial. “A verdade é que eles não conseguem protocolar porque nunca encontram ninguém na empresa dele, ninguém para receber a intimação. Eles fogem por todos os lados. É difícil”, diz.
 
O valor atualizado do saldo devedor de Emerson com a empresa de Flávio já ultrapassa os valores acordados lá em 2012. “Eu acredito que só de juros, levando em conta que isso corre desde 2012, acho que ele me deve entre R$ 160 e 170 mil”, acrescenta o fornecedor.
 
Ainda assim, Brasil vai manter a ação, apesar da pouca crença de que vai receber. “Eu vou manter o processo, está em andamento, mas não sei se vou receber alguma coisa”, admite o empresário.
O contrato entre Brasil e a Novo Horizonte (Foto: Reprodução)
De fato, o processo movido por Brasil contra Flavio está na Justiça de São Paulo em meio a outras 11 ações contra mesma Novo Horizonte, segundo o site do Tribunal de Justiça da capital paulista.
 
E o Mundial de Endurance não foi a primeira experiência de Flávio com o automobilismo, embora tenha sido a pior. O empresário foi também o responsável pela internet no Anhembi, em São Paulo, nas três das quatro edições da Indy. “Foi o mesmo serviço”, conta.
 
“Nunca tive problemas com a Band (a promotora do evento). Os pagamentos foram feitos de forma adiantada, além do trato cordial e educado que eles sempre tiveram comigo”, finaliza Brasil.
 
O GP entrou em contato com a assessoria de Emerson sobre o caso, mas não recebeu resposta até o fechamento da matéria.
 
O WEC tirou a etapa do Brasil do calendário depois da temporada 2014. Ao GRANDE PRÊMIO, a assessoria da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) confirmou que uma das razões para a saída da prova brasileira do campeonato dos protótipos foi devido a divergências financeiras com Fittipaldi
 
No último domingo (3), a Rede Record veiculou uma reportagem em que revelou que o duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, campeão da Indy e da F1 está em uma situação de falência e que possui dívidas que soma R$ 27 milhões. Bens do ex-piloto, como o carro vencedor da Indy 500 e troféus, foram penhorados para o pagamento dos credores. 
 
Em nota, Fittipaldi admitiu que atravessa dificuldades financeiras e culpou o “cenário financeiro e político instável que o Brasil vive” pelo volume de débitos que contraiu. Emerson também garantiu que sempre esteve disposto a negociar com seus credores e que trabalha para solucionar os problemas.
PADDOCK GP #23, FALA SOBRE FITTIPALDI E FIM DE SEMANA MOVIMENTADO NO ESPORTE

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