Alonso garante que “jamais pensou” em ano sabático e é enfático: “Acredito que posso voltar a ser campeão na F1”

Em entrevista à rádio espanhola ‘Cadena Ser’, Fernando Alonso negou veemente os rumores sobre um possível ano sabático ou mesmo sua aposentadoria da F1. Garantindo estar bastante motivado, o bicampeão do mundo sugeriu que houve uma tentativa de troca entre Mercedes a Ferrari em 2014, com Lewis Hamilton indo para a Ferrari, algo que fora rejeitado pela equipe italiana

Fernando Alonso entra no segundo do seu terceiro ano de contrato com a McLaren em 2016. E garantiu, uma vez mais, que não pensa em se aposentar da F1 neste ano e tampouco passou pela sua cabeça ficar uma temporada longe do grid. Em entrevista ao programa ‘El Larguero’, da rádio espanhola ‘Cadena Ser’, o bicampeão do mundo foi além e disse que ainda acredita em conquistar novamente um título na F1. Mais do que isso, deixou claro que sua motivação segue em alta e tem no projeto da McLaren-Honda uma dose extra de empolgação para voltar ao topo do esporte, algo que já não tinha nos seus últimos anos de contrato com a Ferrari, de onde saiu em 2014.
 
“Jamais pensei em me aposentar e tampouco em um ano sabático. Não acho que eu seja o piloto mais talentoso do grid, mas sim que acredito que nestes 16 anos tenha sido o que mais trabalhou para conquistar resultados. Uma aposentadoria ou mesmo um ano sabático seria impensável”, declarou o piloto de 34 anos.
 
Quando questionado se ainda acredita que pode ser campeão, Alonso foi enfático. “Sim, eu acredito; sim, penso nisso. Porque, do contrário, não correria. Eu corro para vencer, se não houver opção, não faço”, bradou. O último título de Alonso na F1 foi conquistado há quase dez anos, em 2006. Já a sua última vitória foi em 2013, quando venceu com a Ferrari na mesma Barcelona em que tenta buscar a maior confiabilidade possível com a nova McLaren MP4-31 nos testes de pré-temporada da F1, que foram retomados nesta terça-feira (1).
Fernando Alonso garantiu que vai continuar na F1 e deixou evidente sua fé no projeto da McLaren Honda (Foto: Getty Images)
Ao falar sobre seu retorno à McLaren e as dificuldades que cercaram a pior temporada de sua carreira, Alonso não negou o enfado, mas deixou clara a sua fé em dias melhores em 2016.
 
“Foi um ano muito duro e frustrante porque passamos um ano inteiro sem poder guiar. Saíamos sabendo que em dez voltas perderíamos alguns cilindros ou que as baterias não iam aguentar. Privar um atleta de mostrar sua capacidade foi a pior coisa do ano passado”, salientou. Em 2015, Alonso teve como melhor resultado o quinto lugar no GP da Hungria, terminando o Mundial de Pilotos com apenas 11 pontos.
 
“O nível de exigência é grande porque viemos de uma base muito pobre. Nossa melhora tem de ser enorme para estarmos no topo. As impressões da semana passada são boas, e percebi bem que o carro ainda precisa de alguma evolução. Quando estiver tudo encaixado em seu lugar, vamos melhorar muito em relação ao ano passado. Mas todo mundo também está melhorando, e a Mercedes está em outro campeonato”, acrescentou o veterano.
Fernando Alonso entende que o novo MP4-31 ainda precisa evoluir muito (Foto: Getty Images)
Alonso ainda falou sobre uma troca sugerida em 2014 envolvendo Lewis Hamilton, que iria à Ferrari, com Fernando assumindo o cockpit prateado da Mercedes. Contudo, o espanhol não especificou se a sugestão de troca partiu da equipe alemã. “Isso foi tentado, mas a Ferrari não quis naquele momento porque estava em plena negociação comigo para renovar até 2019. No fim das contas, a oferta da Ferrari não me convenceu e fui à McLaren-Honda. Não sei se Hamilton sabia disso”, revelou.
 
No fim das contas, Alonso entende que seu tempo na Ferrari realmente passou. O piloto ficou cinco temporadas em Maranello, ficou perto do título em duas oportunidades e foi vice-campeão em 2010, 2012 e 2013. Mas o asturiano de Oviedo queria mais. Mais do que resultados, Alonso queria ficar em paz.
 
“Ficar na Ferrari até 2019 para ser terceiro não me servia. Foram tempos de mudanças na Ferrari e sigo dizendo que era o momento de encerrar um ciclo maravilhoso. Queria que todos os pilotos pudessem ter a chance de guiar na Ferrari alguma vez, porque é mais do que uma equipe, mas é de uma exigência e de um estresse que debilita muito física e mentalmente. Tivemos anos muito bons na Ferrari”, disse, amenizando o discurso às vezes mais ácido contra sua antiga equipe.
 
“Estar em paz comigo mesmo, saber o que quer é fundamental, e na Ferrari eu não estava assim. Não acreditava em nada porque sabíamos que seríamos vice-campeões, e no ano anterior fomos terceiros. Queria um projeto novo, e o da McLaren Honda era mais convincente”, concluiu.
 
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