O GP de Abu Dhabi, realizado no colossal circuito de Yas Marina, sempre é ponto de discussão entre os aficionados por F1. A pista, conhecida pelas poucas chances de ultrapassagens e as corridas de gosto duvidoso, levou os próprios pilotos ao debate: vale a pena abandonar os palcos tradicionais para correr em lugares inóspitos?
Os participantes da entrevista coletiva da FIA nesta quinta-feira (26) –
Fernando Alonso,
Lewis Hamilton, Kimi Räikkönen e Romain Grosjean – admitiram sentir saudades de algumas finadas provas europeias, mas fazem um contraponto: levar a F1 à Ásia, em países sem tradição, é um fator importante para criar novos fãs em outras regiões.
Abu Dhabi recebe o último GP da temporada 2015 (Foto: AP)
Alonso foi pragmático, afirmando que conhecer novos lugares compensa o possível lado negativo de abandonar a Europa.
“Não muda nada para nós. Nós já corremos em muitos circuitos como Ímola, Magny Cours, Istambul, pistas legais, com alguma tradição, corridas que nós curtimos muito. Mas conhecemos novos países, nós abrimos o esporte para novas pessoas, para novas gerações, então isso é bom”, afirmou.
“Hoje nós viajamos muito mais. Há alguns anos, a temporada tinha 16 corridas. Ano que vem nós vamos para 21. Então será um ano muito intenso viajando e se preparando para o campeonato. Esse é o caminho da F1, se abrir para novos países, o que é algo bom”, seguiu.
Hamilton concordou com Alonso, mesmo que parcialmente. O piloto da Mercedes não entrou na onda do ‘tanto faz’, admitindo que gostaria de misturar o futuro da F1 com sua herança histórica.
"Fernando está certo, é legal ir para países diferentes, espalhar a F1 e ganhar novos adeptos. Essas pistas mencionadas (Baku, Sóchi, México) não são espetaculares, então seria bom balancear com as clássicas, porque as novas não carregam a mesma história, herança. Então, acho que é importante nos manter perto dessa herança que vem dessas pistas velhas e clássicas da F1", ponderou.
Os pilotos sentem falta de pistas como Magny-Cours (Foto: GEPA pictures/Bildagentur Kraeling)
Grosjean, piloto que nunca teve o privilégio de disputar um GP na frente de sua torcida, frisou que sente falta de um GP da França. Mas o #8 concorda com seus colegas ao ver os lados positivos de correr em novos lugares.
"Foi realmente legal esse ano ver os fãs mexicanos sendo realmente carinhosos conosco. Seria bom ter Magny-Cours de volta no calendário, por ser francês ela é bem única para mim. Paris? O tráfego é ruim, não seria tão bom. Mas eu gostaria de um GP da França. O ponto de Fernando é certo, gostaríamos de andar nestes lugares, mas não é possível, então gostamos de levar a F1 a novos lugares", disse.
Räikkönen acabou discordando de seus colegas. Do ponto de vista do finlandês, correr no meio do deserto está longe de ser tão legal quanto correr em algum recanto europeu.
"É, essas pistas novas foram desenhadas pelo mesmo cara. Claro que não são ruins, mas são a mesma coisa. Eu gosto de todos os circuitos tradicionais, tipo Magny-Cours, sem muita gente, tranquila. É uma das melhores que eu já estive. Eles parecem mais legais lá, é um sentimento normal. Nós chegamos aqui e parece tudo colocado, nesse caso, numa área de deserto. É mais fácil para todo mundo chegar lá", relatou.
Mesmo sem contar com o apoio de Kimi, o GP de Abu Dhabi será realizado neste fim de semana. A prova marca o fim da temporada 2015 da F1, que já coroou Hamilton e Mercedes como campeões.
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Sobre o motor alternativo na F1 em 2017: não vai rolarhttp://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/com-veto-das-montadoras-grupo-de-estrategia-rejeita-proposta-de-motor-alternativo-para-f1-em-2017-diz-revista
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