Com quinto título em jogo após 14 anos, Gordon encerra carreira gloriosa com ‘canto do cisne’ em Homestead

Na década de 1990, um vencedor imbatível. Nos anos 2000, um piloto que foi perdendo espaço no Victory Lane. Jeff Gordon, depois de tanto tentar, parece ser capaz de conquistar o tão aguardado quinto título, e justamente na última prova da carreira. The drive for five is still alive – e mais do que nunca

A carreira de um monstro das pistas chegará ao fim neste final de semana. Jeff Gordon, dinossauro do automobilismo, optou por colocar um ponto final em sua longeva carreira ao fim da temporada 2015 da Nascar. O #24, um dos quatro candidatos ao título, tem a chance de encerrar sua trajetória no certame com um título – feito ainda não conquistado.

Ao longo de 23 temporadas, de 1992 até 2015, Gordon acumulou 93 vitórias. Entre altos e baixos, o piloto da Hendrick se perpetuou como uma das figuras mais respeitadas na categoria. Não trata-se do piloto com mais títulos – seus quatro não são páreos contra os sete de Richard Petty e Dale Earnhardt ou os seis de Jimmie Johnson –, mas de um nome que, justamente por causa da longevidade, se construiu como ídolo.

 
O GRANDE PRÊMIO recordou a carreira de Gordon – desde o domínio da década de 1990 até as dificuldades dos anos 2000.
Gordon, lenda da Nascar, se aposentará neste fim de semana (Foto: AP)
Relembre a carreira de Jeff Gordon
 
Gordon é, sem qualquer dúvida, um dos maiores nomes da Sprint Cup e até do automobilismo norte-americano. Não demorou muito para que o piloto começasse a impressionar na Nascar.
 
Sua estreia veio na decisão do campeonato de 1992, em Atlanta. Gordon não fez nada de marcante e chegou em 31º. Um ano mais tarde, disputando a temporada inteira, Gordon conquistou seus três primeiros pódios e fechou seu primeiro campeonato no top-15, em 14º.
 
Com tão pouco tempo de experiência, o piloto já estava se aproximando do auge de sua carreira. Em 1994, vitória na Carolina do Norte e 'apenas' em Indianápolis. O homem da Hendrick já fechava em oitavo e dava todos os sinais de que seria um piloto de ponta muito em breve.
 
O título não demorou nada a acontecer. Em 1995, com impressionantes resultados e sete vitórias, Gordon bateu Dale Earnhardt por 34 pontos para assegurar seu primeiro caneco no campeonato.
 
O ano seguinte também foi excelente para Gordon que não deixava sombra de dúvidas de que estava voando. Com dez vitórias, oito a mais que Terry Labonte, Gordon perdeu para a incrível regularidade do rival.
Gordon começou a brilhar no distante ano de 1995 (Foto: Nascar)
Em 1997, mais uma vez, o norte-americano venceu impressionantes dez vezes. Daquela vez, entretanto, não tinha Labonte em seu caminho e bateu Dale Jarrett por 14 tentos, chegando ao bicampeonato.
 
A maré de sucesso do ídolo americano seguia firme e forte em 1998. Aliás, este foi o ano de maior domínio de Gordon na Nascar, ainda com o nome de Winston Cup Series. Foi um verdadeiro massacre em cima dos rivais. Com 13 vitórias – com direito a uma série de seis triunfos em sete provas -, Gordon marcou 5.328 pontos, absurdos 364 pontos na frente do vice, Mark Martin.
 
As temporadas de 1999 e 2000 viram algumas vitórias do piloto, mas foram anos de menor sucesso, fechando no top-10, mas não perto do título. 2001, porém, serviu para mostrar que Gordon ainda seguia bem vivo e deveria, sim, ser muito temido no grid. Com 5.112 pontos, o americano atropelou a concorrência e deixou Tony Stewart a ver navios, garantindo com sobras o tetracampeonato da Nascar.
 
Para 2002, a expectativa era de ver Gordon como um forte candidato a mais um título – assim como vinha acontecendo há quase dez temporadas. Mas o que se viu foi um ano muito mais difícil para o #24, que, inconstante, não esteve nem perto de fazer cócegas ao ótimo ano de Stewart. O piloto da Joe Gibbs, sem adversários, marchou para seu primeiro título.
O último título de Gordon veio em 2001 (Foto: Reprodução)
2003, 2004 e 2005 não foram muito diferentes. As vitórias, várias na década de 1990, começaram a rarear, pouco a pouco. Nem o formato do Chase, recém-introduzido, foi capaz de mudar a sorte de Jeff. Foram 11 vitórias nestes três anos, número que o #24 chegou a superar em uma única temporada anteriormente.
 
Em 2006, a Nascar começou a presenciar um fenômeno chamado Jimmie Johnson. O #48, que ainda ensaiava seus primeiros passos no certame principal, ganhou seu primeiro título neste ano. Em 2007, outro. 2008, 2009, 2010… Gordon, como companheiro de equipe, dispunha do mesmo material, mas não chegou a ser uma ameaça concreta. A melhor classificação de Jeff neste período foi o vice-campeonato – 77 pontos atrás do rival. O tetracampeão chegou a passar duas temporadas sem vitórias. A decadência era clara.
 
Em 2011, a pontuação da Nascar mudou e, de fato, isso acabou contribuindo para a primeira derrota de Johnson em seis anos. Mas Gordon perdeu ainda mais rendimento, terminando o ano apenas em oitavo. A dupla da Hendrick assistiu de camarote e intensa briga entre Stewart e Carl Edwards, que em um empate de pontos, deu o tricampeonato ao Smoke.
 
Em 2012, a decadência seguiu: décimo lugar no campeonato, seu pior resultado desde 2005. Mas o ano seguinte quase foi pior: Gordon, vítima de uma série de abandonos, terminou a fase classificatória para o Chase em 13º – na época, insuficiente para se classificar.
 
A sorte do #24 foi que Clint Bowyer se meteu em uma senhora encrenca. O #15, tentando colocar seu companheiro de equipe Martin Truex Jr. no Chase, rodou de propósito na pista – o caso que ficou conhecido como Spingate. Com isso, a bandeira amarela foi acionada e o atual piloto da Furniture Row conseguiu o resultado que precisava – e, por tabela, tirando Jeff da disputa pelo título.
Nos anos 2000, Gordon foi lentamente se afastando das primeiras posições (Foto: Nascar)
Investigações revelaram o plano antidesportivo e a Nascar, num raro caso de justiça, optou por aplicar uma multa à equipe de Bowyer, a Michael Waltrip Racing. Além disso, a entidade permitiu que Gordon participasse do Chase, como 13º elemento. Uma sequência de bons resultados no fim do ano permitiu que o #24 acabasse 2013 como sexto colocado.
 
Para 2013, as coisas pareciam estar melhorando. Gordon foi um dos pilotos com mais vitórias antes do Chase, se credenciando na briga pelo tão aguardado quinto título.
Em 2015, as coisas pareciam ainda mais sombrias. Gordon simplesmente não conseguia mais brigar pelas vitórias, só conseguindo se classificar para o Chase por conta da regularidade. Mas, quando se classificou, as coisas mudaram para a melhor: o que era uma série de top-10, virou uma série de top-5.
 
Até que a primeira vitória do ano, em Martinsville, veio. Foi só aí que, com apenas um três etapas para o fim da temporada, Gordon se consolidou na briga eterna pelo quinto título. Que, quem sabe, pode vir justamente no ano da aposentadoria – o ‘canto do cisne’.
Será 2015 o ano da consagração de Gordon? (Foto: Getty Images)

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