Terminada a prova, os comentários gerais eram sobre a chatice. Faltou emoção ao GP do Brasil, o pódio refletiu as posições de largada e, não fosse o garoto Verstappen, que realizou belas ultrapassagens, quase nada haveria para se comentar da corrida.
Daí para as consequências: essa edição teve uma das piores (se não a pior) audiências já registradas para o GP doméstico. Com o campeonato decidido, a vantagem tranquila da Mercedes, o baixo rendimento dos pilotos da casa e as poucas disputas verificadas, o espetáculo ficou fraco e o público caseiro, além do controle remoto nas mãos, tem outras opções para se entreter.
A nota positiva fica para o bom público presente em Interlagos. Enquanto alguns circuitos históricos vivem uma debandada, nossa gente continua a prestigiar a F1 ‘in loco’, e isso é bastante relevante.
As reformas em andamento no circuito paulistano fizeram com que o antigo e apinhado paddock se transformasse numa área organizada e confortável. ‘Work in progress’: o pacote total da reformulação está prometido para 2016, quando os boxes serão integralmente reconstruídos. Algum comentário aqui e ali sobre as obras incompletas, mas a sensação geral foi de satisfação com a antiga reivindicação de ampliação do paddock atendida.
Ilustração: Marta Oliveira
Nele hoje passeiam jovens que lembram mais estudantes em fim de segundo grau do que pilotos de F1. Com a questão do peso do piloto voltando a ter relevância, todos são magérrimos. Com os carros “navegando” em velocidade de cruzeiro, os pilotos atuais não precisam ter o preparo físico que víamos nos primeiros anos desse milênio, tempo em que havia reabastecimento e as provas eram disputadas quase em ritmo de classificação, exigindo altíssima resistência física.
Preparados em simuladores, a nova geração de pilotos nasce no ambiente digital e se adapta com rapidez aos botões, sensores e outros dispositivos tecnológicos que inundam os F1 modernos, e que pouco lembram os comandos do que chamávamos automóvel. Do Kart à F1, Max Verstappen fez quase uma transição direta. Ok, talento ele já provou que tem, mas seu feito se fez possível graças ao baixo desgaste físico provocado pelos carros atuais.
Ex-campeões, como Emerson Fittipaldi, Niki Lauda, Damon Hill, Jacques Villeneuve e Nelson Piquet estavam lá a observar os meninos, que mais parecem os garotos que no passado corriam de F-Ford, Renault, Chevrole, ou outra categoria-escola de monopostos, sentarem nos atuais F1.
Vi muitos gringos comentando o renascimento do WEC (Mundial de Endurane) e seus atrativos em comparação com essa F1 plastificada, sem graça e difícil até mesmo para quem vive nesse meio a vida inteira.
Pensei: vou aproveitar para fazer uma enquete com os colegas sobre quem eles acham que serão os três primeiros colocados no campeonato 2016! Bom, desisti depois que o quinto consultado repetiu o mantra; Serão os mesmos desse ano. Entusiasmante, não?
Ou essas previsões estão erradas, e a Ferrari vai conseguir colocar Sebastian Vettel em condições reais de fazer frente às Mercedes, ou teremos uma temporada em que as maiores emoções estarão reservadas às discussões sobre o regulamento que entrará em vigor em 2017.
No andar da carruagem, pode ser que até lá ainda tenhamos alguns fanáticos (como esse que vos fala), que insistirão em prestigiar essa categoria que já produziu grandes espetáculos com artistas do calibre de Ayrton Senna, Jim Clark, Jackie Stewart, Juan Manuel Fangio, Michael Schumacher & cia.
Enquanto isso…
…nos treinos, o amigo jornalista Bruno Vicaria já chamava a minha atenção para a forma como Verstappen e Sainz contornavam o ‘S do Senna’, chegando ao final da reta bem abertos e atacando a primeira perna com decisão no último momento…
…bem ensaiado foi exatamente assim que o prodígio holandês conseguiu as mais belas ultrapassagens da corrida…
…depois de alguns adiamentos, devido à questões envolvendo propriedade intelectual, a estréia da última evolução do motor Reanult, incorporando itens desenvolvidos na prancheta de Mario Illien, o gênio da Ilmor, contratado pela Red Bull para tentar fazer os motores franceses alcançarem o desempenho dos rivais foi um fiasco…
…perguntado sobre o equipamento, Daniel Ricciardo não aliviou, disse que não tinha nada de positivo a relatar diante dos dados que comprovavam sua piora em relação à versão antiga, no Brasil utilizada por Danii Kvyat.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!