Trabalho de ‘coach’ aproxima Matos de Wilson. E morte traz choque por “estupidez muito grande” do acidente

Piloto da Carlos Alves na Stock Car, Raphael Matos também divide seu tempo com o papel de treinador de um jovem piloto nos EUA. E foi por causa desse trabalho que o mineiro passou a ter uma relação bem mais próxima com Justin Wilson. Ao falar da morte do inglês, Matos classificou o acidente em Pocono como “uma grande estupidez”

Atualmente defendendo a equipe de Carlos Alves na Stock Car, Raphael Matos também é dono de uma longa carreira em monopostos nos Estados Unidos. O mineiro de 34 anos construiu uma história sólida desde seus primeiros passos na Star Mazda e F-Atlantic, chegando à Indy Lights, categoria que venceu em 2008. Na temporada seguinte, já estava na Indy. E foi no campeonato norte-americano que Matos passou a correr contra Justin Wilson. Porém, uma relação mais próxima com o inglês só aconteceu mesmo neste ano, por meio de um trabalho de ambos na ajuda a jovens pilotos.
Matos é ‘coach’, uma espécie de treinador, do piloto Vinícius Papareli, de 16 anos. O paulista disputa a F-Lites, uma categoria de base e de baixo custo, que ajuda no desenvolvimento dos jovens competidores no esporte a motor. Líder do campeonato, Papareli defende a JDX, um time formado por Wilson e Jeremy Dale — fundador da equipe em 2008. 
Vinicius Papareli com Justin Wilson e Rapha Matos (Foto: Reprodução/Twitter)
Portanto, foi por meio dessa associação que Raphael passou a conhecer melhor o chefe de equipe e também ‘coach’ Wilson. Os dois chegaram a dividir quartos de hotel. O último foi há duas semanas. Ao falar da perda de Justin, que morreu em decorrência de um acidente durante as 500 Milhas de Pocono, no último domingo (23), Matos não escondeu o choque e a perplexidade com um episódio “estúpido”. 
 
“Eu corri com Justin durante três anos na Indy — contra ele, não na mesma equipe. Mas ultimamente, tive a chance de ter mais contato com ele. Tem um piloto nos EUA que eu sou o coach dele, Vinícius Papareli, mais um dos jovens talentos do automobilismo”, contou o mineiro em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO
 
“Por isso, estou indo a todas as corridas no F-Lites, e o Papareli está andando na equipe em que Justin era sócio. Nós nos aproximamos muito neste ano, até dividimos quarto de hotel há duas semanas em uma das corridas”, completou Raphael. “E fiquei chocado com o acidente. Achei que foi uma estupidez muito grande”, emendou.
 
Matos não se conforma com a perda do britânico e acha que, neste momento, é preciso que o automobilismo dê uma resposta. E rápido. O piloto da Carlos Alves entende que o número recente de mortos nas pistas já é motivo suficiente para uma reação, ainda que drástica. “Eu diria que, nos últimos cinco anos, nós perdemos muitos pilotos. Dan Wheldon, Henry Surtees, Jules Bianchi e agora o Justin Wilson… O Cristiano da Matta se salvou, Felipe Massa. Então, acho esses números estão extremamente altos. Eu acho que, na minha opinião, já passou da hora de fechar os cockpits”, afirmou o mineiro ao GP
 
“É claro que a gente vai perder aquele aspecto de carro aberto que aprendemos a correr… Eu mesmo vim crescendo nessas categorias de fórmula a vida inteira. Mas acho que vai ser em prol do esporte, em prol dos pilotos. Acho que hoje em dia o automobilismo não aceita mais perder pilotos como nós perdemos o Justin. Eu acho que agora é preciso reagir rápido e agressivamente”, reiterou.
 
No caso da Indy, Matos acredita que há uma intenção enorme de se promover a segurança e que a categoria possui recursos e equipes que podem ajudar no desenvolvimento de uma proteção maior para a cabeça nos pilotos. “A Dallara tem uma fábrica ao lado de Indianápolis e possui todos os recursos financeiros, técnicos e o que for necessário para desenvolver essa cobertura. Além disso, a Indy tem as maiores equipes dos EUA, como a Andretti, a Ganassi, a Penske. Todas lutando pelo mesmo objetivo, que é a segurança dos pilotos. Então, recursos técnicos e financeiros não faltam”, completou.
Raphael Matos mudou de equipe para temporada 2015 da Stock Car (Foto: Vicar)
A vida na Stock Car
 
Em um nova fase da carreira, Matos também falou sobre a vida na Stock Car. E se disse feliz em fazer parte de um campeonato competitivo, embora tenha iniciado a temporada de forma bastante irregular. “Eu estou me sentido bem, estou realmente muito feliz. Estou em uma nova fase da minha vida. A Stock Car tem sido um campeonato bem difícil neste ano e muito competitivo”, explicou. 
 
“Nós iniciamos a temporada de forma um pouco desastrosa, com alguns acidentes. Eu não tive culpa nenhuma, mas infelizmente acabamos sofrendo um pouco em termos de pontuação. Agora conseguimos nos recuperar e demos a volta por cima na última corrida. Saímos de trás e chegamos em oitavo. Então, foi bom, porque foi a corrida mais importante do ano”, acrescentou o mineiro. 
 
Mas Raphael quer mais. “Temos uma equipe muito estruturada, com um grande patrocinador por trás. E eu estou dando o meu melhor aqui também. É claro que, em automobilismo, há sempre o que melhorar. E é isso que nós estamos procurando aqui dentro”, encerrou.
 
 
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