Ecclestone avalia papel das mulheres nos negócios e diz: “Problema é que a maioria não quer cargos de responsabilidade”
Bernie Ecclestone avaliou que muitas mulheres ainda se recusam a assumir posições de comando em grandes empresas. Dirigente, entretanto, afirmou que não há razão para que mulheres não possam ocupar cargos de chefia
Bernie Ecclestone ainda não se decidiu sobre o papel da mulher na sociedade. No passado, o dirigente máximo da F1 não escondia sua postura sexista, chegando a dizer que “as mulheres deveriam se vestir de branco, como todos os outros aparelhos domésticos”.
Agora, o britânico de 84 anos responsabiliza as mulheres pela falta de representantes do sexo feminino em cargos de poder.
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Bernie Ecclestone afirmou que não há motivos para as mulheres não ocuparem posições executivas (Foto: AP)
“Nos negócios, em geral, não há razão para não termos mulheres como diretoras-executivas de companhias, incluindo a Formula One Management”, disse Ecclestone à emissora de TV CNN. “O problema é que a maioria das mulheres não quer assumir a responsabilidade de serem responsáveis por uma grande companhia”, opinou.
Uma das poucas mulheres em posição de comando na F1, Claire Williams reconhece que a geração mais antiga ainda tem dificuldades em aceitar as mulheres em posições mais elevadas. A chefe-adjunta da Williams contou que seu próprio pai relutou em deixá-la atuar no negócio da família.
“Ele é uma pessoa da F1 de uma geração mais antiga. Ele é muito: ‘Este é um esporte para homens, e as mulheres não podem dar conta’”, contou à CNN. “Às vezes ele me diz: ‘Não consigo acreditar que você fez o que fez com executivos altamente poderosos e conseguiu tirar dinheiro deles’. Tem um elemento de surpresa”, seguiu.
Primeira mulher a chefiar uma equipe de F1, Monisha Kaltenborn, da Sauber, nunca escondeu sua surpresa por ser uma pioneira. “É difícil acreditar que eu fui a primeira mulher em quase 60 anos. Isso diz muito sobre o esporte”, disse, em 2012.
Desde o início do Mundial, em 1950, o machismo sempre prevaleceu e quase nunca foi velado. Maria Teresa de Filippis foi a primeira a guiar um carro de F1, em 1958, mas teve sua carreira marcada pela postura misógina do diretor de prova do GP da França, que afirmou que “o único capacete que uma mulher deveria usar é aquele do cabeleireiro”.
Hoje em uma posição de destaque na Williams, Claire acredita que as mulheres têm perfeitas condições de assumirem qualquer cargo na F1.
“As mulheres têm, absolutamente, a atitude mental para a F1 em todas as áreas”, opinou Claire. “Quando comecei neste papel, ouvi que tinham muitas críticas. Eu tinha uma desvantagem tripla — o fato de que eu sou uma mulher, sou jovem e sou filha do Frank. Mas sexo nunca foi um problema para mim”, garantiu.
“Sexismo na F1? Não, eu nunca — juro — vivenciei isso”, completou.
Embora Williams e Kaltenborn estejam em posições de destaque, muitas outras mulheres trabalham na F1. Questionadas pela CNN, a maior parte das equipes do grid atual revelou quantas mulheres fazem parte de seus quadros de funcionários.
Na Sauber, são 34 mulheres, cerca de 10% do número de funcionários do time. Uma executiva-chefe, três em aerodinâmica, uma em design, uma em sistemas de engenharia, três em infraestrutura, uma em logística, sete em produção, quatro em marketing e 13 na administração.
Na Lotus, dos 480 funcionários, 53 são mulheres. Elas atuam em departamentos como aerodinâmica, túnel de vento, engenharia, design, marketing e relações públicas, e no departamento jurídico. O time conta, ainda, com Carmen Jordá, que é pilota de desenvolvimento do time.
Na Williams, 15% dos funcionários são do sexo feminino, incluindo aí Claire Williams e Susie Wolff, piloto de testes do time.
A McLaren, por sua vez, não forneceu um número específico, mas contou que tem mulheres trabalhando com engenharia, incluindo uma chefe de design e tecnologia aerodinâmica.
A Force India também não falou em números exatos, mas ressaltou que tem mulheres em todas as áreas de atuação.
Toro Rosso seguiu a mesma linha de não fornecer números, mas contou que tem funcionárias em áreas como finanças, logística e marketing. Na pequena Manor, 10% da força de trabalho é composta por mulheres.
Três das principais equipes do grid, Mercedes, Red Bull e Ferrari não responderam aos questionamentos da CNN.
Nos quadros da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), são 50 mulheres em papel de liderança, incluindo aí os Mundiais de Rali e Endurance.
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