Análise: F1 abre segunda metade de 2015 com mais dúvidas do que certezas
A F1 desembarca em Spa-Francorchamps para começar a segunda metade da temporada 2015 com vários pontos em aberto. Da disputa pelo título à definição do rumo das equipes intermediárias, não são poucas as interrogações que povoam a mente do fã de automobilismo
A F1 chegou à Bélgica nesta semana, onde disputa a corrida mais esperada do calendário. A etapa de Spa-Francorchamps, tida como uma das melhores do certame, marca o começo da reta final da temporada. E, como todo fim de ano que se preze, muitos pontos vão servir para chamar a atenção dos fãs.
Sebastian Vettel chega à Bélgica com a segunda vitória de 2015 debaixo do braço. O triunfo em Hungaroring serve para colocar uma pulga atrás da orelha da Mercedes: o alemão pode atrapalhar os atuais campeões do mundo? A tida briga particular entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pode ganhar um intruso?
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A parte de trás do grid também reserva suas dúvidas. A briga pelas posições intermediárias no Mundial de Construtores está mais quente do que nunca; a McLaren parece estar acordando e a Haas acerta os últimos detalhes para sua estreia em 2016.
Confira as cinco expectativas para a segunda metade da temporada:
1 – A briga pelo título
Lewis Hamilton e Nico Rosberg, uma vez mais, rumam para mais uma decisão de título particular da Mercedes. Se em 2014 quem tinha a vantagem nas férias da F1 era Nico, em 2015 o jogo está favorecendo Lewis.

Hamilton lidera com 21 pontos de vantagem sobre Rosberg. É bastante coisa, quase uma vitória de diferença. Mas não dá para dizer que Nico está morto. O atual vice-campeão conseguiu melhorar seu ritmo na temporada europeia depois de se arrastar no começo de 2015, dando alento àqueles que gostam de ver campeonatos disputados até a última prova.
Mas é preciso ficar de olho: foi justamente na segunda metade de 2014 que Hamilton emplacou uma série de vitórias e tirou a taça de Rosberg. Se Lewis fizer o mesmo em 2015, Nico não terá chances.
2 – Vettel, o real desafiante na briga contra a Mercedes
Os dois pilotos da Mercedes precisam abrir o olho, mas não somente para o companheiro de equipe. Sebastian Vettel tem plenas condições de vencer mais corridas em 2015 e dificultar o ano prateado.
Vettel tem 42 pontos a menos que Hamilton. É uma diferença bem menor do que Daniel Ricciardo tinha contra Rosberg em 2014 — 71 pontos — após o GP da Hungria. É um desempenho notável, mas dificilmente será suficiente para entrar de fato na briga pelo título.
Todavia, o tetracampeão pode atrapalhar de forma significativa as Mercedes de outro jeito. Rosberg em especial.
A matemática é simples: Rosberg, quando vence uma corrida com Hamilton em segundo, diminui em sete pontos a vantagem de Lewis. Mas, em uma corrida vencida por Vettel e com os dois pilotos da Mercedes fechando o pódio, Nico só poderá subtrair três pontos, a diferença entre segundo e terceiro lugar.
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O efeito das vitórias de Vettel, como se nota, pode impactar no alcance do poder de reação de Rosberg. Tirando sete pontos por corrida, o #6 empataria em apenas três GPs. Mas apenas três pontos aumentariam a demora a sete GPs.
Mas Vettel terá a capacidade de vencer tanto na segunda metade da temporada? Bem, o piloto da Ferrari não vencerá a maioria das provas, mas pode conseguir um número razoável. Vale lembrar que Seb tem um ótimo retrospecto nesta parte do campeonato: foi justamente no GP da Bélgica de 2013 que a incrível sequência de nove vitórias seguidas começou. A Mercedes que se cuide.
3 – O valioso quinto lugar do Mundial de Construtores
A imponência da F1 se reflete em todos os aspectos possíveis. Em um esporte que funciona à base de dinheiro, todas as disputas ganham em importância. No Campeonato de Construtores, o dinheiro que cada equipe ganha como premiação é determinado pela posição na classificação ao final do ano.
Os quatro primeiros colocados já estão consolidados. A Mercedes nada de braçada rumo ao bicampeonato, enquanto a Ferrari só se preocupa em manter a boa margem sobre a Williams. Os ingleses, por sua vez, estão distantes da Red Bull, que, apesar da temporada ruim, ainda não se mistura com as demais equipes.

E atrás da Red Bull é tudo incerteza. Hoje a Force India ocupa o quinto posto – posição também conhecida como ‘melhor dos piores’ –, mas com meros 4 pontos de vantagem sobre a Lotus. A diferença é a mesma entre a equipe inglesa e a Toro Rosso, que cresceu nas últimas provas.
Essas três equipes despontam como favoritas na briga pelo quinto lugar. Todas evoluíram ao longo do ano, brigando com mais vigor por pontos. Atrás, com menos chances, Sauber e McLaren enfrentam problemas sérios com o rendimento de seus carros e não parecem capazes de avançar tanto.
4 – A possível (e esperada) evolução da McLaren
Falando em McLaren, a equipe inglesa deixou seu fãs em êxtase com o resultado conquistado no GP da Hungria: pontos com os dois pilotos e um incrível quinto lugar com Fernando Alonso. Mas ninguém é capaz de afirmar se esse resultado reflete o ritmo verdadeiro do MP4-30 ou se foi só fruto de uma corrida caótica.
Fato é que a McLaren está evoluindo. Dá passos de bebê, mas dá. As próximas duas corridas – em Spa e Monza – exigem muito do ponto fraco da equipe, a alta velocidade, deficiência clara do motor Honda. Se a equipe conseguir algo digno nestas pistas, merece aplausos. Se não, é sinal de que o trabalho duro vai continuar ao longo de 2016.

5 – A imprevisível escolha de pilotos da Haas
Kimi Räikkönen renovou seu contrato com a Ferrari e fechou uma porta decisiva do mercado de pilotos. No fim das contas, os pilotos das quatro equipes de ponta vão continuar onde estão. Mas o mesmo não pode ser dito do fim do pelotão e da grande interrogação que existe sobre a Haas, mais nova equipe da F1.
A equipe novata já disse em diversas oportunidades que tem um leque de pilotos com chances de conseguir uma vaga. Um dos carros provavelmente será ocupado por um piloto vinculado à Ferrari – parte do acordo assinado entre as partes –, enquanto o segundo assento tende a ser reservado para um piloto americano.
O problema é que essas duas características são muito vagas. Vários pilotos estão vinculados com a Ferrari: Jean-Éric Vergne e Esteban Gutiérrez, por exemplo, perderam suas vagas na F1 e viraram pilotos reservas. Raffaele Marciello e Antonio Fuoco são pupilos da Academia de Pilotos que conseguem resultados bons nas categorias de base. Além disso, existe a possibilidade de o contratado ser somente alguém experiente, sem vínculo com a escuderia.

E a situação só piora quando pensamos em quem seria o piloto americano. Alexander Rossi consegue bons resultados na GP2, mas não tem a experiência que a Haas gostaria. O problema é que, se não for ele, quem será o estadunidense do futuro na F1? Scott Speed? Danica Patrick? Charlie Kimball? Sage Karam?
A Haas, na melhor das hipóteses, terá o segundo pior carro do grid de 2016. Mesmo assim, é uma das vagas mais disputadas. Resultado de um mercado de pilotos que, pelo menos no pelotão da frente, esfriou bastante.
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