Contestado por problemas nas duas provas de 500 Milhas, Walker decide renunciar a cargo de presidente da Indy

Derrick Walker não vai ser mais o presidente da Indy. No cargo desde maio de 2013, Walker resolveu renunciar em meio a contestações nas duas provas de 500 Milhas envolvendo parte técnica e também de competição. A categoria ainda busca um substituto para 2016

Derrick Walker renunciou e vai deixar o cargo de presidente da Indy em 31 de agosto, um dia depois do encerramento da temporada 2015 em Sonoma. A decisão foi oficializada nesta quinta-feira (30).
 
Walker ocupava o cargo desde maio de 2013 e foi o principal responsável por garantir o ingresso da etapa de Boston na temporada 2016 e do GP de Indianápolis a partir de 2014.
 
No comunicado oficial emitido pela categoria, afirma-se que Walker sai para buscar outras oportunidades profissionais. Entretanto, não foi este o único motivo de sua saída. Em entrevista ao jornal ‘IndyStar’, Miles explicou que Walker se sente, de certa forma, como grande responsável por problemas com os kits aerodinâmicos e na direção de provas.
 
“Ele precisa falar por ele, mas eu acho que ele sente que tanto tecnicamente, quanto esportivamente, as coisas não saíram como o planejado este ano. Ele é o tipo de cara que gosta de assumir pessoalmente essas responsabilidades”, disse.
 
Miles completou reconhecendo que os kits aerodinâmicos tiveram importante parcela de culpa na saída de Walker.
 
“Foi um ano muito desafiador em várias áreas. Os kits aerodinâmicos começaram a funcionar, mas o processo de amadurecimento deles, especialmente nos treinos para Indy 500, não aconteceu como Derrick ou qualquer um de nós gostaríamos”, admitiu.
Mark Miles, diretor-executivo da Indy, confirmou a saída de Derrick Walker do posto de presidente (Foto: AP)
O diretor-executivo da categoria fechou elogiano o trabalho de Walker e a relação do agora ex-presidente com Honda e Chevrolet, as fornecedoras de kits da categoria.
 
“Mas ele fez um grande trabalho. Foi crucial nas conversas com Honda e Chevrolet, precisa receber o reconhecimento. Acho que ele trouxe muitas coisas positivas para a categoria. Eu acho que é o cargo mais complicado no automobilismo e, o tempo todo, ele se empenhou muito, o tempo inteiro”, concluiu.
 
O jornalista Robin Miller, da revista 'Racer' e repórter da NBCSN, que transmite as corridas nos EUA, revelou há pouco que Walker não era bem visto pelas equipes pela inconsistência da direção de prova em suas regras e consequentes punições. A pá de cal na vida de Walker se deu após as 500 Milhas de Fontana, vencidas por Graham Rahal, justamente a personagem-chave das críticas dos colegas. 
 
Rahal não foi punido em sua última parada nos boxes quando saiu com o bocal da mangueira preso em seu carro. Ainda, não recebeu nenhuma advertência incisiva por ter tido manobras rígidas e até antidesportivas — uma delas momentos antes do acidente que tirou Helio Castroneves da prova.
 
Para a não punição do caso da mangueira, Walker disse a Miller após a prova que os comissários não haviam olhado a imagem da transmissão da TV e tinham outros monitores à disposição que não passaram a cena.
 
A prova em si também foi motivo de críticas. Apesar de ter sido considerada uma das melhores dos últimos tempos, o fato de o grupo ter andado o tempo todo junto gerou uma preocupação latente com acidentes. Walker foi posto na parede pela Penske porque autorizou a mudança aerodinâmica que gerou mais downforce e a possibilidade de os carros andarem grudados.
 
E tudo isso remeteu às 500 Milhas de Indianápolis e os acidentes que provocaram quatro decolagens. A demora em encontrar respostas e soluções culminou em um acidente de Ed Carpenter horas antes do Pole Day, que teve de ser inteiramente modificado — eufemismo para mutilado.
 
Agora, a Indy está à procura de um novo presidente em meio a uma nova crise. Ninguém consegue durar no cargo por mais de três anos nos últimos tempos. A categoria não decola e não levanta dinheiro suficiente a ponto de deixá-la saudável. As equipes sempre reclamam. A dez meses da edição histórica das 500 Milhas de Indianápolis, ninguém tem a menor certeza de como a Indy vai caminhar até lá.
 

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