Chefe da Sauber se opõe à volta do reabastecimento e questiona proposta de carros clientes: “Para quem isso é bom?”

Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn disparou contra a proposta de carros clientes na F1 e avaliou que a ideia não vai ajudar ninguém. Dirigente também se opôs a volta do reabastecimento

Chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn acredita que seguir a rota dos carros clientes pode ser um “passo perigoso” para a F1. Na semana passada, o Grupo de Estratégia se reuniu para debater mudanças no Mundial e avaliou a possibilidade da compra e uso de chassi de outra fabricante.
 
De acordo com Kaltenborn, a Sauber “nunca será uma equipe de carros clientes”. “Para nós, este é o nosso negócio e nós vamos encontrar um caminho”, garantiu.
Monisha Kaltenborn é contra a volta do reabastecimento (Foto: Getty Images)
Falando à revista britânica ‘Autosport’, Monisha avaliou que a liberação para o uso de carros clientes não tornará as corridas mais atrativas.
 
“Eu gostaria de saber, e muitas outras pessoas gostariam de saber, como eles acham que isso vai funcionar e para quem isso é bom?”, questionou. “Se isso é para melhorar o show — e com as pessoas nos criticando porque temos carros mais lentos que a GP2 agora — como esse sistema A/B vai funcionar?”, seguiu.
 
“Isso não vai tornar o show mais atrativo se tivermos carros mais separados e nós já estamos reclamando por isso estar acontecendo”, apontou. “Olhando para isso do ponto de vista comercial, encontre alguém que vai patrocinar isso”, disparou.
 
“Nós teremos um ranking de patrocinadores A/B? Eles terão direitos diferentes?”, insistiu. “Tentar conseguir um patrocinador onde você diz que ‘se você se atrelar a este conceito, estará com um time que nunca estará no pódio nas próximas temporadas’ será impossível”, defendeu.
 
 Ainda, Monisha seguiu Bob Fernley, chefe-adjunto da Force India, que avaliou que a adoção de carros clientes vai dividir os times entre aqueles que competem e aqueles que participam.
 
“A Force India colocou muito bem — terão pessoas eu vão competir e pessoas que vão participar”, comentou. “A pior parte é que, se em algum ponto você perceber que isso não vai funcionar, você não pode voltar atrás, pois perdeu sua capacidade de ser um construtor”, considerou.
 
“E se um grande time, um fabricante, decide sair, como aconteceu anos atrás. O que fica?”, indagou. “É um passo muito perigoso em vista do que pode acontecer”, completou.
 
Além de criticar a proposta de carros clientes, a chefe da Sauber também se posicionou contrariamente à volta do reabastecimento.
 
“Não faz muito tempo que paramos de reabastecer para economizar e por problemas de segurança”, lembrou. “Eu li no comunicado à imprensa [da FIA] que ainda há um compromisso de controlar os gastos, então eu pergunto se isso não é uma contradição”, falou. 
 
“Em segundo lugar, também entendo que a nossa federação, junto com os times da F1, propagam segurança viária, então também pode haver uma contradição aí, porque reabastecimento é uma coisa que aumenta os riscos”, observou. “Além disso, isso realmente leva a um show melhor? Nós já ouvimos de outros chefes de equipe que o reabastecimento não vai resultar em mais pit-stops”, concluiu.

 
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