Ex-governador do DF se isenta de responsabilidade e critica “absurdo” cancelamento de corrida da Indy

O ex-governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, deu a primeira entrevista desde o cancelamento da etapa brasileira da Indy. Pela primeira vez, o ex-mandatário falou sobre as suspeitas lançadas sobre o contrato cancelado do Governo do DF com o Grupo Bandeirantes

De licença da Secretaria de Saúde, de onde é médico, Agnelo Queiroz (PT-DF) deu sua primeira entrevista após o cancelamento da prova da Indy em Brasília, da qual saiu como o grande vilão. O cancelamento da prova veio em seguida ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios recomendar que a medida fosse tomada pelas irregularidades do contrato do Governo Estadual com o Grupo Bandeirantes. O ex-governador, cujo mandato expirou no último dia 31 de dezembro, se defendeu das acusações de improbidade administrativa que tem sofrido.
 
Na ocasião, o MPDFT recomendou à Terracap, empresa pública responsável pela obra no Autódromo Nelson Piquet, que abandonasse os trabalhos e cancelasse a prova em Brasília. Para sustentar a sugestão, o órgão liberou um documento com 23 razões para a corrida não acontecer, onde reforçava que o contrato assinado entre o ex-governador e a Band era "lesivo aos cofres públicos", "contrário aos interesses coletivos" e "maculado de diversas irregularidades", entre outras coisas.
 
Depois, após novo pedido do MP, a Justiça congelou os bens de Agnelo, declarados pelo próprio antigo madatário como R$ 906.583,95 ao todo.
Obras no autódromo Nelson Piquet para a chegada da Indy em Brasília (Foto: Sandro Macedo)
No entanto, Agnelo afirmou ao portal 'G1' que não pode ser criticado por levar um evento internacional de grande porte para a cidade. E arrematou dizendo que Brasília precisará de anos para recuperar a credibilidade internacional.
 
"Como se pode condenar alguém, um governador, que atraiu um evento internacional para a cidade, evento que deixa na cidade a cada ano R$ 100 milhões, aquece a economia em toda a cadeia do turismo, é transmitido para não sei quantos países do mundo, deixa milhões para a cidade? Quem ganha é a população", disse.
 
"Vai levar décadas para a gente recuperar a credibilidade internacional por conta desse absurdo de romper um contrato desse da Indy", concluiu.

ENTENDA O CASO


 
A defesa da Terracap era um documento do Ministério Público, citando 23 razões para a corrida não acontecer, indicando que o contrato entre Band e Terracap era "lesivo aos cofres públicos", "contrário aos interesses coletivos" e "maculado de diversas irregularidades", entre outas coisas.
 
A multa de mais de R$ 70 milhões por quebra de contrato deveria ser paga pelo Governo do DF, mas como irregularidades como o Termo de Compromisso firmado entre o Grupo Bandeirantes e o ex-governador Agnelo Queiroz (PT-DF) com data desconhecida e sem assinatura de testemunha e publicação no Diário Oficial do Distrito Federal, o MPDF entende que o estado se livra da multa.
 
Agnelo saiu do Governo deixando para trás uma dívida exorbitante e situações de emergência na saúde e segurança pública.
 
Após o cancelamento, a Indy chegou a procurar guarita em Goiás, testando a possibilidade de que o autódromo mais próximo ao de Brasília recebesse a corrida, mas logo foi descartada. A etapa brasileira foi mesmo cancelada.

Em comunicado, a Band afirmou que a medida partiu do atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que havia concordado em manter o evento, e não recebeu qualquer aviso prévio. E garantiu que irá procurar medidas para ressarcir prejuízos.

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