10+: O que você deve acompanhar atentamente na temporada 2015 da F1

O GRANDE PRÊMIO indica dez pontos que o público tem de assistir na temporada que começa neste fim de semana na Austrália. Vai de equipe a piloto, de corrida que entra a drama que se cria

Um bom mágico nunca divulga seus truques. Os testes em Jerez e Barcelona começaram dando pinta de que a Williams podia, talvez, quem sabe, estar mais próxima a Mercedes do que ao fim de 2014. Mas ao final das atividades oficiais de pré-temporada, o time alemão surge como o grande favorito novamente. Quando Nico Rosberg abandonou o pneu médio e mostrou a potência máxima da flecha prateada com os macios, ficou claro que a Williams olha atrás ainda a certa distância mesmo com os supermacios. Aparentemente, vai levar mais que um inverno para desbancar a atual campeã.
Quando a parceria entre uma das marcas mais imponentes do automobilismo e uma das montadoras mais eficientes do mundo terminou ao fim da temporada 1992, imediatamente entrou para a memória como uma das grandes duplas do esporte. Agora, 23 anos depois, a situação é diferente dos tempos do Dream Team de Senna e Prost. De novo liderado por Ron Dennis, o projeto começa com reconstruir. E o começo tem sido bastante turbulento, com problemas elétricos aos montes no motor. Para aumentar a lenda que começou a ser construída quase três décadas atrás, as parceiras, com confiança em Fernando Alonso e Jenson Button, precisam percorrer um longo caminho.
Não é uma história inédita. Um campeão mundial deixa a equipe e vai à Ferrari, maior símbolo da F1, indiscutivelmente, o eldorado dos campeões, mas longe de ser glória garantida. Os muitos períodos conturbados da história rossa fizeram com que pilotos como Alain Prost e Fernando Alonso, por exemplo, deixassem o time com uma experiência frustrada. O próximo da fila é Sebastian Vettel, tetracampeão mundial pela Red Bull e ainda meses antes de completar 28 anos. Com tempo no relógio para aguardar a reformulação que começou com força nessa temporada, Seb tem a habilidade e a idade certas para ser mais Michael Schumacher e menos Prost e Alonso em seus anos de vermelho. 2015 pode ser o início de uma parceria marcante na F1.
Da Ferrari para a McLaren, Fernando Alonso faz possivelmente a última grande tentativa de mudança de equipe para ganhar o terceiro título mundial. De volta à McLaren, agora impulsionado por motores Honda na reedição da parceria lendária do final da década de 1980, Alonso passa por anos conturbados e com carros ruins na Ferrari para chegar a uma equipe que começa um projeto para voltar ao topo, mas não em 2015. Próximo dos 34 anos, o espanhol procura firmar seu legado como um campeão mais que como um grande piloto de péssimas escolhas. Mas neste começo de 2015, nem do camarote vai assistir à primeira corrida: o acidente nos testes em Barcelona, mal explicado que só, o tirou de combate do GP da Austrália.
O México não é um estranho para a F1 como são Rússia e Azerbaijão, por exemplo. Por lá, o Mundial passou por 15 edições em duas passagens, uma entre 1963-1970 e outra entre 1986-1992. A casa não mudou em relação a segunda passagem: o Autódromo Hermanos Rodríguez continua sendo a sede. Patrocinado por Carlos Slim, magnata das telecomunicações e um dos homens mais ricos do planeta, o México tem contrato de cinco anos e, para isso, Herman Tilke projetou a grande reformulação do tradicional autódromo. Quem será o primeiro a vencer no México desde Nigel Mansell?
Tal qual Lázaro numa das mais famosas passagens bíblicas, a Manor renasceu após seu sepultamento. A entrada em administração judicial após o fim da parceria com a Marussia Motors, abdicação da participação nas três etapas finais do Mundial de 2014, demissão de todos os funcionários da fábrica e venda da sede davam a clara impressão de que a história da Manor na F1 cabia agora aos livros de história. Mas estavam todos errados. Com um grupo de empresários por trás, a equipe negociou um acordo voluntário com os credores, conseguiu acertar com a parceira Ferrari o recebimento dos motores versão 2015. Agora, com o carro semipronto, segundo o fundador da equipe, John Booth, a Manor trabalha duro para alinhar no grid já na Austrália. E, sim, já tem piloto: Will Stevens. O segundo ainda será definido.
Enquanto a Manor sobreviveu por pouco e a Caterham foi direto para o além, a Force India se vê às voltas com as dificuldades de pagar fornecedores para colocar o carro na pista. À fornecedora de motores, Mercedes, o drama do time de Vijay Mallya ficava claro: as parcelas se sobrepõem, e a Force India parece estar sempre flertando com o “pare as máquinas”. Na Sauber, a produção do carro começou no último momento, e chegar aos testes de Jerez foi praticamente um milagre. Para isso, dois pilotos que pagam – e bem. E a Lotus, com os déficits acumulados de 2012 e 2013 – o balanço da última temporada ainda não saiu –, também se atrasou para os testes oficiais. Embora nas pistas o clima pareça melhor para as equipes médias, é fácil entender porque as medidas para diminuir os gastos da F1 são o assunto mais comentado no último ano. E as coisas não devem mudar tão cedo.
Foram muitas as mudanças. Desde o fim de 2014, saíram Marco Mattiacci e a chegada do executivo Maurizio Arrivabene. Os diretores Nikolas Tombazis e Pat Fry, e o engenheiro Hirohide Hamashima. No topo disse, as confirmações de Sergio Marchionne na presidência e Sebastian Vettel no volante. E o Project 666, ou a S-F15 T, tem se mostrado promissora nos testes. A paixão dos executivos é perceptível e indiscutível, e sua meta é ganhar duas vezes no ano. Com um carro em condições, Vettel e Kimi Räikkönen podem fazer isso.
Foram 1241 voltas nos 12 dias de testes, sabendo mostrar, além de confiabilidade, capacidade de andar bem rápido. Tanto Felipe Nasr quanto Marcus Ericsson chegaram a fazer tempo mais rápido de pelo menos um dia. Para quem esperava, como dentro da própria equipe, que a Sauber fosse amargar as últimas colocações de classificações e corridas durante todo o ano, a equipe suíça e seu motor Ferrari parecem ter aprontado uma surpresa e aponta com condições de marcar pontos consistentemente em 2015 – uma boa vacina para a pontuação zerada do ano passada.
17 anos, 164 dias. É a idade precisa que Max Verstappen terá no dia em que largar para o GP da Austrália. Até então, era Jaime Alguersuari o mais jovem quando estreou pela mesma Toro Rosso em 2009, já com mais de 19 anos completados. O “fator Verstappen” fez inclusive a FIA mudar os direcionamentos para se obter a superlicença. Max, filho do ex-F1 Jos Verstappen, tem um ano de experiência em carros, apenas 2014, pela F3 Europeia. Assim como Kimi Räikkönen, como estreou. E a pressão em Verstappen é considerável. Fala-se no novato como de um fenômeno prestes a explodir, por isso Red Bull e Mercedes travaram uma disputa para ver quem ficava com o talento de Max. 2015 será apenas o primeiro passo do que espera-se ser uma longa carreira.
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