Bottas tem na Alfa Romeo chance de ouro para ser protagonista da própria história na F1
Valtteri Bottas vai correr pela Alfa Romeo nos próximos anos de Fórmula 1. O finlandês deixa a Mercedes em baixa e vai ocupar o lugar deixado por Kimi Räikkönen com a perspectiva inédita na carreira: a de formar uma equipe em torno de si
Lá em junho, quando o GRANDE PRÊMIO trouxe a informação em primeira mão no mundo sobre as negociações entre Valtteri Bottas e Alfa Romeo, houve quem desdenhasse e até tirasse sarro. Até porque, numa eventual saída da Mercedes, um retorno à Williams que deu ao finlandês a oportunidade de estrear na Fórmula 1 parecia mesmo mais plausível. Entretanto, neste 6 de setembro, a informação dada meses atrás se provou certeira. O nórdico vai substituir Kimi Räikkönen na equipe de Hinwil a partir da próxima temporada e voltará a trabalhar com Frédéric Vasseur após assinar um contrato plurianual. Está feito!
Tão logo se encerrar a temporada 2021 com o GP de Abu Dhabi, marcado para 12 de dezembro, a vida de Bottas quanto à Fórmula 1 vai mudar bastante. Claro, o piloto de 32 anos vai deixar aquela que tem sido, desde o início da era híbrida de motores, a grande força do grid. Sob os comandos de Toto Wolff, Valtteri ganhou a grande chance de lutar por vitórias mesmo sabendo, desde sempre, que fora contratado para substituir o recém-aposentado Nico Rosberg na condição de coadjuvante.
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À época, no fim de 2016, alguns outros nomes foram cotados como eventuais postulantes à vaga deixada por Nico: Pascal Wehrlein e Esteban Ocon despontaram com boas chances por estarem vinculados ao programa de desenvolvimento da Mercedes. Mas, Toto Wolff optou por um nome conhecido fortalecido pela sua ótima campanha com a Williams: um piloto muito bom e que não causava problemas nos bastidores. A equipe anglo-alemã tinha claro que não queria mais uma batalha interna como a travada por Rosberg e Hamilton entre 2014 e 2016.
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Assim, Bottas foi contratado para ser o novo companheiro de equipe de Hamilton, este sim, protagonista dentro da equipe e da própria Fórmula 1.
À sua maneira, Valtteri cumpriu seu papel: venceu nove corridas, conquistou 17 poles, ficou marcado por algumas atuações praticamente perfeitas, como no GP da Austrália de 2019 e no GP da Áustria do ano passado. O piloto nascido em Nastola e morador de Mônaco ajudou a Mercedes a conquistar os títulos mundiais de Construtores nas quatro últimas temporadas, embora tivesse oscilado bastante, por exemplo, em 2017 e 2018. Em 2019 e 2020, alcançou o ápice com dois vice-campeonatos.
Mas também é verdade que o piloto teve algumas atuações desastrosas. O GP da Turquia de 2020, famoso pelas seis rodadas de Bottas no asfalto molhado de Istambul, ainda está na retina. E também teve de amargar, muitas vezes, a infame mensagem via rádio: “Valtteri, it’s James”. Como não se lembrar, por exemplo, da ordem de equipe no GP da Rússia para abrir passagem para o colega de time vencer em Sóchi em 2018?
Nos anos de Mercedes, Bottas correu entre a cruz e a espada, entre a dor e os (raros) dias de glória. Anos que ficarão no passado depois de dezembro.
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Valtteri sai de uma equipe de ponta, talvez a melhor de todos os tempos, para uma escuderia do meio do grid, em patamar inferior até mesmo da Williams por onde Bottas correu entre 2013 e 2016. Foi na escuderia de Grove que o então jovem finlandês floresceu, despontou como grande talento, encarou — e superou — Felipe Massa, conquistou nove pódios e até foi cortejado pela Ferrari, que preferiu renovar contrato com Kimi Räikkönen para 2016.
Curiosamente, os destinos de Kimi e Valtteri voltam a se entrelaçar. Bottas vai substituir o compatriota e partirá para um novo ciclo na sua carreira. Em Hinwil, o piloto vai reeditar uma parceria vitoriosa com Vasseur, que foi seu chefe nos tempos de ART Grand Prix na empreitada que culminou com a conquista do título da GP3, hoje FIA Fórmula 3.
O piloto do carro #77 vai substituir aquele que guia o #7 e levará à Alfa Romeo ampla bagagem adquirida nos últimos tempos: Bottas carrega consigo a experiência adquirida ao lado de Hamilton, sabe como funciona as entranhas de uma equipe vitoriosa e ainda vai levar para a Suíça os segredos do motor Mercedes. Recentemente, Toto Wolff negou os rumores de um eventual fornecimento das unidades motrizes construídas em Brixworth ao time comandado pelo amigo Vasseur, que mantém a união histórica com a Ferrari.

Mas diferente do que já vivenciou na Williams e na Mercedes, Bottas vai ter a primeira chance real de ser o líder de uma equipe. Quem quer que seja seu futuro companheiro de equipe — Nyck de Vries e Alexander Albon despontam como as duas opções mais plausíveis —, é Valtteri quem será o piloto mais experiente da nova Alfa Romeo. E diante de um 2022 que se avizinha cheio de novidades em razão da revolução no regulamento e com a chegada de uma nova geração de carros, a bagagem trazida por Bottas é fundamental para quem deseja dar um passo além no grid e deixar de fazer número.
Na Alfa Romeo, o finlandês tem a oportunidade de ouro não apenas de construir uma equipe em torno de si e voltar a ser aquele piloto que encantou nos tempos de Williams. Definitivamente, Valtteri Bottas tem a chance para ser o protagonista da própria história.
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