AlphaTauri tira nota 0 e só gabarita plano de autossabotagem na F1 2022

Equipe de Faenza virou 'mar de nada' e não consegue, absolutamente, tirar algo de positivo da temporada de 2022 da Fórmula 1. Falta de atualizações, erros estratégicos, quebras, falhas individuais, azar: acontece de tudo com o time e seus dois pilotos

GASLY VAI VER BONDE PASSAR COM MAIS UM ANO NA ALPHATAURI EM QUEDA?

27 pontos em 11 corridas, tendo como melhor resultado um quinto lugar completamente fora da curva. É a isso, e somente a isso, que a AlphaTauri se agarra na temporada de 2022 da Fórmula 1. No comparativo com o ano passado, nesta mesma altura do campeonato, a equipe italiana já somava 68 pontos, inclusive com pódio para a conta – um 3º lugar de Pierre Gasly no Azerbaijão. O que aconteceu, então, com o time de Faenza?

Sem atualizações, com erros cruciais em estratégias e operações e, adicionalmente, problemas de quebra, a AlphaTauri virou uma grande imensidão de nada na F1 2022. A impressão que passa é que a equipe chefiada por Franz Tost tem apenas uma especialidade: a de jogar contra si mesma.

Sem risadinha, Franz Tost (Foto: Red Bull Content Pool)

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Não é exagero: a AlphaTauri é o principal obstáculo da AlphaTauri no ano. E para atestar isso, basta uma pequenina viagem no tempo, recapitulando prova a prova o desempenho da equipe em 2022. Começando, claro, pelo Bahrein: enquanto Yuki Tsunoda teve boa performance e acabou em oitavo, um problema no motor de recuperação de energia (ERS) na volta 46 acabou com a prova de Pierre Gasly. Acabou também com o carro do francês, que acabou entrando em chamas por conta do abandono.

Na etapa seguinte, em Jedá, Tsunoda sofreu com problemas hidráulicos durante todo o fim de semana e, antes mesmo da corrida, na volta de saída dos boxes para o grid, teve que abandonar por conta do motor. Na Austrália, resultado pior que a encomenda, com somente um pontinho somado por Gasly. Em Ímola, Guanyu Zhou bateu no carro do francês durante a corrida sprint, o que comprometeu o resto do fim de semana do piloto, ao passo que o japonês garantiu um bom sétimo lugar.

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Em Miami, Gasly quebrou mais uma vez, mais uma vez enquanto estava na zona de pontuação, enquanto Tsunoda reclamou de falta de aderência, saindo zerado. Na Espanha, a tragédia aconteceu antes mesmo da corrida: o francês sofreu com mais uma quebra, dessa vez nos treinos livres, e andou com um carro visivelmente longe das condições ideais. O japonês, por sua vez, teve mais uma performance aquém do esperado e deu demonstrações do temperamento esquentado, insinuando que ele e seu companheiro de time não recebiam o mesmo equipamento.

No circuito de Mônaco, em que a classificação é prioridade, a AlphaTauri cometeu grande erro estratégico – e de cálculo, também, diga-se – e fez Gasly cair ainda no Q1 da classificação, sequer dando a oportunidade do piloto conseguir abrir a última volta rápida a tempo, após bandeira vermelha causada pelo próprio Tsunoda. Em Baku, o japonês sofreu um inexplicável problema na asa traseira, que o tirou dos pontos. Mas, de consolo para o time, serve um ótimo quinto lugar com o francês – que, pelo desenho da temporada e considerando o retrospecto, mostra-se um tremendo ponto fora da curva. Exceção das exceções.

Isso porque no Canadá, as coisas já voltaram ao normal para a AlphaTauri. Sem ritmo algum em Montreal, a equipe de Faenza ainda viu Tsunoda cometer erro primário, batendo na barreira de proteção ao sair dos boxes e quebrando o carro. Em Silverstone, a falha das falhas: o japonês, ainda na reta inicial do GP da Inglaterra, errou ao tentar uma ultrapassagem na curva 3 e causou uma colisão com o próprio Gasly, enquanto os carros batalhavam pelo sétimo lugar. O francês abandonou com problemas na asa traseira, enquanto Tsunoda, com punição, se arrastou para chegar na 14ª e última posição entre os pilotos que completaram a prova. 

Por fim, na Áustria, Gasly ficou no meio da confusão com Lewis Hamilton e rodou logo na largada da corrida sprint. Tsunoda, por sua vez, cruzou a linha de chegada somente em 16º, com direito à trapalhada durante a corrida: o piloto espalhou pela pista e jogou Fernando Alonso na grama, em plena zona de ativação do DRS.

Ufa. Só de listar o retrospecto da AlphaTauri na F1 2022, já dá para perceber que dificilmente – ou melhor, nunca – a equipe passa despercebida por um fim de semana. Azar, quebras, erros de estratégia, falhas individuais: acontece de tudo com a dupla de pilotos da equipe chefiada por Tost. E escalar uma montanha a cada etapa do calendário é desgastante, tanto para um lado, quanto para o outro.

Gasly e Tsunoda: muitas montanhas escaladas em 2022 (Foto: Red Bull Content Pool)

Tsunoda, por exemplo, já é visto como “filho problemático” internamente – a Red Bull contratou um psicólogo para acompanhar o piloto. “Só depende dele. Se ele mostrar um bom desempenho, ele fica; se ele não mostrar um bom desempenho, vai sair. É muito simples”, disse Tost, sobre seu comandado. “Precisa se controlar em certas situações, ser mais disciplinado. Vamos ver na segunda metade da temporada.”

Gasly, que se comprometeu a continuar na esquadra de Faenza em 2023, clamou – e clama – por atualizações no carro. Afinal, segundo o francês, a temporada até aqui tem sido um “desastre” e, a AT03, o bólido mais lento do grid.

AT03: carro mais lento do grid? (Foto: Red Bull Content Pool)

“Acho que precisamos desesperadamente de uma atualização no carro para conseguir algum resultado decente. Você pode fazer qualquer coisa que quiser, qualquer estratégia que quiser, com a velocidade que temos no momento (não vai fazer diferença)”, criticou Gasly. “Não é surpreendente quando você não tem novas partes, os outros estão melhorando. No início do ano, estávamos lutando com os caras na frente (da metade do pelotão), e agora estamos terminando 20s, 30s atrás. Estamos perdendo 0s4 ou 0s5 por volta, e é isso que precisamos resolver.”

O cenário é dramático. E independentemente de qualquer coisa, já deixou marcas irrecuperáveis na equipe para 2022. Afinal, se a intenção antes do começo do ano era brigar para ser a quinta força do grid, esse sonho já ficou para trás. A realidade é, na verdade, lutar contra a Aston Martin – e quem sabe a Haas, se a equipe americana parar de evoluir -, pelo 7/8º lugar do Construtores. Mas para isso acontecer, é necessário que a AlphaTauri pare de errar estrategicamente, pare de quebrar, conte com um pouco mais de sorte e conte, também, com menos erros individuais. É muita coisa. Pelo menos, todos por lá estão calejados de escalarem montanhas.

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