Chefe da Fórmula 1 diz que superlicença a Herta coloca “credibilidade da FIA em jogo”

Stefano Domenicali disse que a FIA possui "parâmetros que devem ser respeitados" e que dar a superlicença a Colton Herta sem a pontuação coloca "a credibilidade do sistema em jogo"

Colton Herta vive a expectativa de fazer a sua estreia na Fórmula 1, mas a superlicença ainda é impasse para a oficialização do acordo com a AlphaTauri. E se depender de Stefano Domenicali, a liberação não virá tão fácil. O chefão da categoria foi questionado sobre o caso nesta quinta-feira (8), em Monza, e disse que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) possui parâmetros “que devem ser respeitados”.

O nome de Herta voltou aos holofotes da silly season quando Pierre Gasly, que tem contrato com a equipe de Faenza para mais um ano, surgiu como opção para o lugar de Fernando Alonso na Alpine no ano que vem. Helmut Marko, consultor da Red Bull, já havia dito que o francês ficaria na AlphaTauri, mas os taurinos começaram a estudar a possibilidade de liberar Gasly para a base em Enstone sob uma condição: que Herta fosse o substituto.

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Herta pode pintar na AlphaTauri, mas a superlicença ainda é impasse (Foto: indycar)

O impasse para a ida definitiva do piloto da Andretti para a Fórmula 1, na verdade, é a superlicença. Herta ainda não atingiu os 40 pontos necessários para ser considerado pela FIA apto à elite do automobilismo mundial. Ele tem 32 pontos, e mesmo se participasse dos treinos livres com a AlphaTauri até o final do ano, isso só poderia ser feito a partir de Singapura, já que a temporada da Indy termina junto com o GP da Itália de F1. Ele, portanto, chegaria a 38, apenas.

A FIA, porém, estuda dar o passe a Herta apelando para uma brecha no Código Esportivo Internacional, que diz que uma superlicença pode ser concedida a um piloto que tenha um mínimo de 30 pontos, mas seja considerado exclusivamente pela entidade incapaz de se classificar enquanto participa ao mesmo tempo de um ou mais campeonatos listados no Suplemento 1, por circunstâncias além do seu controle ou motivo de força maior. 

A indefinição da entidade com relação à questão provocou resposta dos chefes das equipes, e Domenicali também se mostrou contrário à possível exceção que a FIA cogita abrir para o americano de 22 anos. “Está claro que um piloto americano pode gerar muito interesse num mercado em rápido crescimento, como é o dos Estados Unidos nesse momento”, disse o dirigente.

“Hoje, no entanto, a entrada na Fórmula 1 está ligada a parâmetros claros contidos no regulamento, e esses parâmetros que determinam a possibilidade de obtenção da superlicença devem ser respeitados. A credibilidade do sistema está em jogo. A FIA está fazendo essas avaliações, e isso é uma questão para eles”, acrescentou Domenicali.

Herta admitiu surpresa por ainda se ver no radar da Fórmula 1 para 2023. Sobre a questão envolvendo a sua superlicença, o americano falou que entendia os dois lados, mas disse que a Indy merecia mais reconhecimento da entidade na contagem de pontos para os pilotos.

“Se Herta tiver os pontos necessários para correr na Fórmula 1, ficaríamos muito satisfeitos e o receberíamos de braços abertos”, acrescentou Domenicali. “Então, caberá a ele demonstrar que a experiência adquirida em uma categoria diferente da F1 permitirá a sua adaptação”, finalizou.

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