Hamilton reitera que vai usar F1 para falar de causas sociais “gostem ou não”
Lewis Hamilton fez questão de destacar, mais uma vez, seu compromisso com as temáticas sociais e criticou a falta de diversidade no esporte a motor. Britânico admitiu que vai se pronunciar, independentemente das novas regras da FIA
Principal porta-voz entre os pilotos da Fórmula 1 sobre questões sociais e combate ao racismo, Lewis Hamilton assegurou novamente o compromisso com essas causas. “Não me importo se não ganhar outra corrida, vou falar sobre essas coisas, quer as pessoas gostem ou não”, bradou o dono de 103 vitórias na categoria, em entrevista ao podcast The Fast and The Furious.
De acordo com o piloto da Mercedes, há uma série de situações desafiadoras em diferentes países ao redor do mundo. E, ao abordar esses temas, é possível iniciar um processo de mudança nessas localidades.
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“Há todas essas coisas que as pessoas acham desafiadoras em diferentes países, por meio de governos”, disse. “Há tantas coisas que precisamos desafiar e consertar. E vamos a muitos países onde eles têm essas questões desafiadoras de direitos humanos, onde os humanos simplesmente não são tratados como seres humanos”, concluiu, em evidente referência a Arábia Saudita e Catar, que recentemente ganharam corridas na Fórmula 1.

Além de garantir o compromisso com a discussão de questões políticas e sociais, o britânico, que disputará sua 17ª temporada na Fórmula 1 em 2023, também comentou sobre o papel na busca por mais inclusão no esporte a motor. “Podemos fazer mudanças, e eu quero ajudar nisso, fazer as pessoas se sentirem mais incluídas”, comentou.
“O automobilismo, por exemplo, ou qualquer esporte de negócios, não deve continuar sem diversidade”, seguiu. “Não há acesso suficiente para pessoas dessa comunidade [LGBTQIA+], não há acesso suficiente”, concluiu.
Hamilton ressaltou ainda sobre a ausência de pessoas com deficiência no paddock da categoria. Vale lembrar que o irmão do heptacampeão, Nicolas Hamilton, tem paralisia cerebral — e em dezembro passado, participou de um teste no simulador da Mercedes.
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“Você não vê muitas pessoas com deficiência lá dentro [do nosso paddock]”, destacou Lewis. “Quando você já viu alguém trabalhando em nosso setor com deficiência?”, finalizou.
Único piloto negro a vencer em 73 temporadas da Fórmula 1, Hamilton sempre foi um defensor da diversidade e da luta contra o racismo no esporte, algo que ficou ainda mais evidente a partir de 2020. Nesse ano, o inglês foi o grande incentivador dos protestos “End Racism”, no qual alguns pilotos se ajoelhavam pouco antes das largadas, bem como de diversas outras ações nesse sentido.
Em dezembro passado, a FIA divulgou, por meio do Código Desportivo Internacional, a proibição aos pilotos de manifestações “políticas, religiosas e pessoais” sem autorização da entidade. A regulação foi pessimamente recebida pela comunidade de pilotos e, até mesmo, pela cúpula da Fórmula 1. Não à toa, em fevereiro, a entidade deu um sinal de recuo e detalhou o controverso artigo do Código Desportivo Internacional.
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