Hamilton recorda ato pró-LGBTQIA+ no Catar: “Vou fazer, mesmo que me prendam ou matem”
Lewis Hamilton falou sobre a decisão de assumir riscos em prol daquilo que acredita e relembrou quando correu no Catar — país onde ser homossexual é crime — com o capacete nas cores da bandeira LGBTQIA+
Lewis Hamilton é, sem dúvida, a voz mais ativa da Fórmula 1 atual quando o assunto são direitos das minorias. Sempre engajado, o heptacampeão não mede esforços para usar a visibilidade que tem para chamar a atenção para causas como os direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+, mesmo que a atitude possa gerar consequências mais graves para si próprio.
O piloto da Mercedes falou sobre o tema em vídeo recente em comemoração aos seus dez anos com a equipe alemã. Hamilton relembrou a passagem da F1 em 2021 pelo Catar, país do Oriente Médio que considera o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo crime. Na ocasião, o britânico escolheu a dedo a pintura do capacete usada no final de semana: as cores do arco-íris, em apoio à comunidade LGBTQIA+.
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“Para mim, é impressionante vivermos numa época em que ainda há tantos países ao redor do mundo, mas, particularmente… há muitas questões de direitos humanos no Oriente Médio”, começou Hamilton. “Direitos das mulheres, os direitos da comunidade LBGT — há leis que restringem as pessoas de serem elas mesmas”, acrescentou.
Especificamente sobre a decisão de mostrar total apoio aos direitos dos homossexuais num país onde isso é crime, Lewis disse que sempre correu riscos, e ainda foi além: “Disse ‘Vou fazer isso, mesmo que me prendam ou não, não me importa o que vão fazer, vou defender algo que acredito, mesmo se isso me matar'”, garantiu o #44.
“Sei que parece loucura, mas, assim… pensei ‘Eu preciso fazer isso’ para mostrar às pessoas a importância disso e iniciar essas conversas sobre como fazer mudanças, porque traz negatividade ao país deles”, completou Hamilton, que foi o vencedor da primeira e única corrida em Losail até então.
“Fiz isso e venci a corrida. Minha pilotagem foi do tipo ‘tenho de chegar ao lugar mais alto do pódio, pois isso vai ser o maior sucesso’, e eu consegui”, acrescentou o piloto.
A F1, no entanto, vive um momento delicado quanto aos protestos de cunho ‘político e social’: no final de dezembro do ano passado, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) fez uma atualização no Código Esportivo Internacional para a temporada 2023, dizendo que só passaria a permitir manifestações que fossem previamente aprovadas.
A decisão foi amplamente criticada, mas o presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem, chegou a reforçar o posicionamento. “O que um piloto faz de melhor? Correr. Eles são tão bons nisso, nos negócios, eles executam o espetáculo, são as estrelas. Ninguém está os impedindo. Existem outras plataformas para expressarem o que querem. Todo mundo tem, e eles são muito bem-vindos a passar pelo processo da FIA”, declarou o mandatário na época.
Hamilton, por sua vez, deixou claro que não se calaria, mesmo sob riscos de punições. “Nada vai me parar”, cravou o piloto da Mercedes durante a apresentação do W14. “O esporte ainda tem a responsabilidade de sempre falar sobre as coisas, de criar consciência sobre tópicos importantes, especialmente porque estamos viajando para lugares diferentes”, concluiu.
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