Retrospectiva 2023: F3 tem safra discreta empurrada pelas promessas Bortoleto e Martí
Comparada a 2022, a temporada 2023 da Fórmula 3 foi mais discreta e até previsível após certo ponto. Ainda assim, o ano trouxe histórias das mais interessantes e apresentou ao mundo alguns nomes que ainda podem brilhar muito na escada rumo à Fórmula 1
Ao contrário do ano passado, que teve nada menos do que sete pilotos com chances matemáticas de título na rodada final da temporada, pode-se dizer que a Fórmula 3 2023 teve um ano mais discreto e até previsível após certo ponto. Por mais que a proposta da classe seja o equilíbrio, como é em qualquer categoria de base — rodadas duplas, pontuação extra, grid invertido —, a verdade é que o campeonato foi decidido, ainda que ninguém soubesse àquela altura, na segunda rodada. Com vitória nas duas primeiras corridas principais do ano, Gabriel Bortoleto construiu uma vantagem que se mostrou suficiente até o fim.
É claro que do ponto de vista do torcedor brasileiro, a F3 2023 foi melhor que 2022, afinal, um piloto da casa terminou a temporada com o título nas mãos. No todo, contudo, a impressão que se teve foi de que Gabriel conseguiu se sobressair dos demais. Ainda assim, a temporada também apresentou alguns nomes dos mais interessantes para se acompanhar com mais atenção, sobretudo na Fórmula 2 no ano que vem.
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Ainda sobre o que se viu na F3, o ano novo trouxe duas novidades: as inserções de Austrália e Mônaco no calendário, proporcionando aos meninos a chance de correr em mais dois circuitos clássicos do calendário tradicional da Fórmula 1. E seria um desafio e tanto pela frente: Melbourne e Monte Carlo são circuitos urbanos, e pistas com essas características sempre proporcionam ingredientes para testar a desenvoltura de um piloto ao volante, seja a categoria que for.
“Estas duas pistas de muito prestígio são os primeiros circuitos de rua a serem adicionadas ao calendário da F3. Elas oferecerão às equipes e aos pilotos um novo e empolgante desafio, e tenho certeza de que os fãs vão adorar ver os carros de F3 correrem em ambos os layouts”, disse na ocasião o CEO da categoria, Bruno Michel.

Foram, de fato, duas adições importantes para aproximar ainda mais F3, F2 e F1, principalmente pela saída da natural rota europeia com a corrida em Melbourne. Na pista, enquanto Bortoleto já administrava a liderança com pódios e pontos, os demais rivais tentavam se aproveitar de algum infortúnio. E destes, o que pareceu que realmente seria uma dor de cabeça para o brasileiro foi o espanhol Josep María Martí.
Após marcar apenas dois pontos em seu ano de estreia na F3, em 2022, o piloto da Campos acertou a mão e chamou a atenção em algumas corridas, como a pole caseira na rodada em Barcelona, além das três vitórias ao longo da temporada. É claro que os erros não passaram despercebidos — o mais grotesco talvez na sprint da Bélgica, quando atropelou sem dó Ido Cohen numa tentativa malsucedida de retornar à pista após escapada.
“Se eu não tivesse cometido erros na Austrália, na Áustria e na classificação aqui [na Hungria], provavelmente estaria a cinco ou dez pontos dele. É uma pena, mas a luta pelo título provavelmente acabou”, disse Martí pouco antes da fatídica rodada belga — que, aliás, trouxe uma corrida maluca no domingo e que ajudou a empurrar a disputa para a etapa derradeira, em Monza.
Dois pilotos também merecem citação pelo ano que fizeram: Zak O’Sullivan e Paul Aron. O primeiro venceu quatro vezes, enquanto o segundo só não tomou a liderança de Bortoleto justamente na penúltima etapa por uma troca equivocada de pneus. No final das contas, o brasileiro precisou apenas esperar a decisão da pole-position na Itália para soltar o grito de campeão, mas os pilotos da Prema — que ainda teve o também bom Dino Beganovic compondo o trio, mas perdendo fôlego na reta final — deixaram a temporada com boa impressão. Aron e O’Sullivan, inclusive, são mais dois a compor o grid da F2 2024.

Menção honrosa também para o argentino Franco Colapinto, quarto colocado no geral, com duas vitórias (sprints de Silverstone e Monza) e outros dois pódios. Reforço da MP na Fórmula 2 na próxima temporada, é outro a subir mais um degrau na escada rumo ao patamar máximo que todo piloto sonha, a F1. E para Sophia Flörsch, pilota alemã que não apenas foi a melhor do trio da limitada PHM, como tornou-se a primeira mulher a pontuar na F3 ao cruzar a linha de chegada da corrida 2 da Bélgica em sétimo.
Por fim, os demais brasileiros fecharam a temporada em dois extremos. O experiente Caio Collet chegou a vencer a sprint da Bélgica e teve ótimo desempenho na prova de domingo, mais uma vez impressionando pela habilidade de pilotagem quando as condições são as piores possíveis para um piloto: aquela pista que não é nem seca, nem molhada. Já Roberto Faria encerrou a temporada com a PHM sem pontos, tendo no melhor resultado um 17º lugar.
Em suma, uma temporada menor comparada a da talentosa safra puxada por Victor Martins, Isack Hadjar e companhia, mas isso não tirou o brilho que sempre se espera de uma categoria que costuma revelar os futuros campeões da F1. A ver quais deles conseguirão sobreviver na cruel estrada da elite do automobilismo mundial.
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