Na Garagem: Schumacher dá nó tático em Alonso e vence GP da França com 4 pit-stops
Em um circuito travado e com desvantagem na disputa pela pole por conta dos pneus Bridgestone, a Ferrari ousou na estratégia e deu a Michael Schumacher a chance de fazer no GP da França de 2004 o que ele melhor sabia: corrida em ritmo de classificação
“Pela manhã, antes da corrida em Magny-Cours, propus a impensável estratégia de Michael fazer quatro pit-stops. Sou sincero, essa ideia só veio à minha mente porque era Michael atrás do volante!”. Foi dessa maneira que o então estrategista da Ferrari, Luca Baldisserri, explicou o nó tático dado na Renault de Fernando Alonso no GP da França de 2004 pelas mãos de Michael Schumacher, uma das performances mais inacreditáveis do conjunto carro/equipe/piloto que completa exatos 20 anos neste 4 de julho.
O início dos anos 2000 marcam a fase mais laureada da tradicional escuderia do Cavallino Rampante. Sob a batuta do duo Jean Todt e Ross Brawn, Schumacher enfim tirou a Ferrari de um jejum de 20 anos sem título de pilotos e enfileirou recordes na Fórmula 1. Era, portanto, o trio dos sonhos, mas aquela Ferrari em nada se assemelhava a atual, com outros nomes tão importantes quanto em toda aquela engrenagem dominante.
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Em 2004, por exemplo, a mente por trás do magnífico F2004 era Rory Byrne, responsável também pela assinatura dos quatro modelos anteriores que ajudaram Schumacher a passar a marca dos cinco títulos de Juan Manuel Fangio na F1. E no ano anterior, Baldisserri passou a atuar ao lado do genial Brawn no trabalho de estratégia das corridas.
A ideia maluca não foi por acaso. Apesar do acachapante domínio — Schumacher chegou na França, décima etapa daquele ano, com vitória em oito das nove corridas realizadas até então —, a expectativa era de um final de semana difícil pela frente tal qual em Mônaco, quando alinhou apenas em quinto e abandonou após colidir com Juan Pablo Montoya. E tudo isso por conta da guerra dos pneus que marcou o período, entre Bridgestone e Michelin.

Em Magny-Cours, a Renault de Alonso, calçada com a borracha da marca francesa, surgiu forte e favorita para a etapa caseira, conquistando a pole-position graças ao rápido aquecimento dos compostos Michelin na pista pouco abrasiva. Os Bridgestone, por sua vez, precisavam de voltas a mais para entrarem na janela ideal em tais circunstâncias, mas Schumacher foi aguerrido o bastante para assegurar a primeira fila por míseros 0s004 contra David Coulthard numa época em que os pilotos tinham apenas uma volta na classificação para buscar o giro ideal.
Mesmo assim, a previsão da força do carro azul e amarelo confirmou-se já na ótima largada de Jarno Trulli, saltando de quinto para terceiro. Michael, por sua vez, fez o dever de casa e manteve a segunda posição. Era o esperado por todos, e inclusive pela Ferrari, que então passou a colocar dali em diante o plano. Ciente de que Alonso escaparia no início, contou com a maestria de Schumacher para manter-se perto o bastante a fim de dar o bote na hora certa.
Em sete voltas, depois de abrir cerca de 1s5 de vantagem, Fernando viu o rendimento do carro da Renault cair significativamente, tanto que Schumacher foi chamado aos boxes para realizar a primeira troca e reabastecimento, na volta 11, quando já se encontrava a 0s5 de distância do espanhol. Uma parada padrão em 7s4, só que o então hexacampeão voltou no trânsito, onde perdeu alguns segundos importantes. Quando Alonso entrou para a primeira troca, no giro 14, retornou na frente do alemão quase 3s.
O roteiro, então, repetiu-se: Alonso chegou abrir mais de 3s, porém Schumacher recuperou muito rapidamente assim que os pneus atingiram a temperatura adequada. E o bote veio na volta 29, quando a Ferrari ordenou ao #1 novo pit-stop, mas surpreendeu com um tempo de apenas 6s. Era carro leve e, agora, pista livre para o que Schumacher melhor sabia fazer: corrida em ritmo de classificação.
A Renault tentou contra-atacar ao antecipar a parada de Alonso para a 32 e marcar a estratégia da rival, com uma troca e reabastecimento em apenas 6s2, mas era tarde demais. Com voltas em 1min15s4 enquanto os demais viravam 1min16s8, Michael precisou apenas do espaço entre a própria parada e a de Fernando para assumir a liderança.
A arma foi preparada na volta 42, quando já levava mais de 5s de vantagem sobre Alonso. Novamente, a Ferrari realizou um pit-stop na casa dos 6s e sabia que o combustível colocado era insuficiente para Michael levar o carro até o fim. A esquadra francesa também sabia e, então, esticou a parada do espanhol até a 46, realizando o trabalho em 8s7.
Era para ir até o fim, portanto a decisão ficaria para a pista, mas não havia mais nada a ser feito. Naquele momento, ao retornar para a corrida, Alonso estava a 11s5 de Schumacher, e a diferença subiu gradativamente até chegar a mais de 22s na 58, quando o gatilho foi puxado no splash and go de 5s8 da Ferrari para garantir a nona vitória do alemão na temporada.
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