Engenheiro ex-McLaren diz que Mercedes “subestimou desgaste” em exclusão de Russell
Bernie Collins, engenheiro com passagens por McLaren e Aston Martin na Fórmula 1, comentou desclassificação de George Russell na Bélgica e disse que a Mercedes subestimou o desgaste dos pneus. Além disso, pregou cuidado na abordagem para a próxima corrida
A desclassificação de George Russell após cruzar a linha de chegada do GP da Bélgica na primeira colocação segue dando o que falar. Ex-engenheiro de Aston Martin e McLaren na Fórmula 1, Bernie Collins ressaltou o fato de que é a segunda vez em menos de duas temporadas que a Mercedes precisa lidar com uma exclusão por exceder os limites técnicos, o que precisa ser resolvido pela equipe. Antes do inglês, Lewis Hamilton acabou desclassificado do GP dos Estados Unidos de 2023 após chegar em segundo.
“Pesar algo é uma das coisas mais fáceis de se fazer”, disse Collins à emissora Sky Sports. “Então, é certo: houve uma quebra das regras técnicas e ele seria excluído. Não há desculpa para isso. É responsabilidade do engenheiro de corrida que o carro esteja dentro dos limites legais”, pontuou.
“Acho que a única coisa a adicionar é que essa é a segunda vez em dois anos que vemos a Mercedes ser desclassificada por algo relacionado às regras. Então, como isso aconteceu? A F1 é sobre forçar limites. Russell terminou 0s5 à frente de Hamilton. As pequenas diferenças são enormes nesse esporte”, destacou.
Em Austin, a exclusão de Hamilton veio por um desgaste excessivo na prancha situada no assoalho do carro, algo que se repetiu em Spa. Desta vez, com um stint extremamente longo em uma estratégia surpreendente de apenas uma parada, Russell viu os pneus se desfazerem e não conseguiu impedir que a prancha também fosse afetada.

“Em termos de peso, você tenta colocar o carro no mínimo possível para buscar a maior vantagem durante a corrida. 10kg equivalem a 0s3 a cada volta. Então, 1kg dá cerca de 0s03 por volta. É algo que faz diferença ao longo de uma corrida”, explicou Collins.
“Todos os engenheiros fazem um bom trabalho para calcular essas perdas e o que precisam adicionar ao carro na largada. Mas George [Russell] fez um stint excepcional de 34 voltas em um jogo de pneus duros quando estávamos esperando 15 voltas. Então, o engenheiro da Mercedes estimaria a perda de peso dos pneus”, analisou.
Por fim, o engenheiro disse que não acredita em uma tentativa de burlar as regras por parte da equipe, mas acredita que o potencial de desgaste foi subestimado. Por fim, Collins destacou que a Mercedes precisa ter cuidado para não ter uma “reação exagerada” e adicionar peso demais na primeira corrida após a pausa de verão.

“Acho que eles subestimaram o desgaste que os pneus teriam na corrida, e isso levou o carro a estar abaixo do peso. Eu ouvi aos rádios entre eles, não há pânico na comunicação com George ou Lewis [Hamilton] para economizar combustível ou qualquer coisa. Só parece que o lado de engenharia subestimou o quão leve estaria o carro no fim da prova”, afirmou.
“Não tenho a impressão de que eles estavam tentando burlar as regras porque todos os carros são pesados após a prova. Então, se está tentando burlar isso, é algo muito perigoso de fazer. Acho que foi uma anomalia. O cuidado agora é controlar a reação na próxima semana. Você não quer adicionar quilos a mais de margem. Acho que o que aconteceu em Spa foi um ponto fora da curva”, finalizou.
A Fórmula 1 agora faz a tradicional pausa para as férias de verão na Europa e volta de 23 a 25 de agosto em Zandvoort, para a disputa do GP dos Países Baixos.
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