Sauber dá vexame na F1 e gera dúvidas profundas sobre seriedade de projeto da Audi
Perder faz parte do esporte, mas terminar em último e sem pontos é uma vergonha que a Audi terá de compartilhar com a Sauber. Em período que deveria ser marcado por estruturação e desenvolvimento, equipe se perde no grid e fabricante vive uma zona fora dele
Com apenas seis etapas da Fórmula 1 pela frente na temporada 2024 (EUA, Cidade do México, São Paulo, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi), já é possível fazer algumas previsões mais concretas sobre o fim do campeonato. Por exemplo, na briga pelo título do Mundial de Construtores, a ordem de forças indica uma taça mais próxima da McLaren, em momento no qual a Red Bull precisa se preocupar até mais com a Ferrari. Isso também serve para a outra ponta da tabela, que tem uma favorita claríssima para o último lugar: a Sauber.
É difícil até de imaginar o que ainda resta para a Sauber este ano. Além de definir o companheiro de Nico Hülkenberg para 2025, o que a equipe ainda pode almejar? Um encerramento digno? Essa possibilidade já ficou pelo caminho ao longo do campeonato. Ultrapassar a penúltima Alpine? Parece impensável. O único alvo daqui até dezembro, e que também não oferece um cenário realista, é tentar sair do zero e esquecer 2024.
Problemas de pit-stop, reclamações dos pilotos, erros de estratégia, carro absolutamente deficitário e a lentidão dos titulares são alguns dos aspectos que nortearam a temporada da Sauber até aqui. É difícil, inclusive, de apontar algo que tenha dado certo, já que até fora das pistas a equipe não se entende.
Com apenas mais uma temporada pela frente antes de se tornar Audi, a impressão é de que a Sauber entrou em um estado de dormência desde a confirmação da chegada dos alemães. O time, que deveria estar demonstrando sinais de evolução antes do desembarque da marca das argolas, simplesmente parou de produzir qualquer coisa digna e se tornou uma sombra até para os piores carros do grid. A verdade é que Valtteri Bottas e Guanyu Zhou não conseguem competir com ninguém.

Além dos desempenhos terríveis — e da inexplicável permanência de Zhou no grid —, a Sauber se enrola até nas decisões para o futuro. Com a entrada da Audi anunciada oficialmente em outubro de 2022, a marca alemã teria pelo menos três anos pela frente para se preparar da forma correta. Parecia que, enfim, um planejamento fora feito de maneira pensada para que um time emergisse no grid de forma competitiva.
De lá para cá, muita coisa mudou. Andreas Seidl, que comandaria o projeto, entrou em rota de colisão com Oliver Hoffmann, ex-presidente do conselho de administração, o que levou à demissão dos dois em julho de 2024. Ou seja, os ‘cabeças’ de uma equipe de Fórmula 1 lideraram por pouco menos de dois anos e, com um ano e meio para a entrada oficial, foram limados para a chegada de Mattia Binotto.
Está claro que o processo não foi conduzido da melhor forma. Ciente de que o regulamento da F1 2026 será bem diferente do atual, com a entrada dos novos motores, a Audi já deveria estar apresentando evoluções visíveis no carro da Sauber, ao menos para competir com o pelotão intermediário. Não é o que se vê, já que cada nova atualização leva o monoposto para uma direção diferente e causa a necessidade de uma nova rodada de soluções.

Para quem não somou um ponto sequer em 18 corridas, conseguir 14 nas últimas seis soa como impossível. Assim, sonhar em sair do último lugar nos Construtores já não é algo realista. O carro é tão ruim que sequer terminar no top-10 parece crível, mas é o que a Sauber precisa tentar fazer daqui até o GP de Abu Dhabi.
Com Hülkenberg confirmado para o último ano antes da entrada da Audi, o único caminho que a Sauber tem pela frente é melhorar. O quanto? Não importa. Antes de imaginar qualquer pingo de competitividade, a equipe de Hinwil precisa simplesmente andar para a frente, algo que não conseguiu em todo o ano.
Caso não consiga, a vergonha de terminar o campeonato em último e sem nenhum ponto vai, naturalmente, respingar em uma marca do tamanho da Audi. E nada até agora, absolutamente nada, indica que a montadora desenvolveu um projeto à altura de sua tradição. Trata-se de um carro vergonhoso, que não compete, não evolui e não demonstra qualquer sinal de que poderia sair do lugar.
No caso da fabricante alemã, a F1 está caminhando para um entre dois cenários: uma das maiores viradas recentes da história da categoria ou uma das maiores vergonhas que se tem notícia no esporte a motor, em especial para marcas de grande porte. Quem vai decidir o caminho a ser seguido é a própria Audi — e o cronômetro entra no último giro em apenas dois meses e meio.
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