Telemetria de Leclerc sugere queda da Ferrari entre TL2 e classificação na Austrália

A Ferrari viveu um fim de semana para esquecer no GP da Austrália, que abriu a temporada 2025 da F1. Em análise da telemetria do carro de Charles Leclerc, foi possível perceber uma queda de rendimento entre TL2 e classificação em Melbourne

O desempenho da Ferrari na estreia da Fórmula 1 2025, no último fim de semana, acabou chamando atenção — e não da maneira que o time gostaria. Bem abaixo do que se esperava, o carro italiano teve como melhor colocação o oitavo lugar de Charles Leclerc, enquanto Lewis Hamilton não se encontrou e foi apenas décimo em sua primeira participação com a escuderia.

Após a corrida, a equipe admitiu que o desempenho ficou abaixo do esperado, e a telemetria do carro do monegasco também levantou algumas questões. Em análise feita pelo perfil Formula Data Analysis, o bólido #16 demonstrou algumas diferenças importantes entre os treinos e a classificação.

A atividade de referência para a comparação foi o treino livre 2, realizado no horário da corrida, que terminou com Leclerc na liderança. Segundo a análise, nas últimas quatro curvas do Albert Park, o monegasco foi mais lento na classificação do que no TL2.

Na curva 11, a perda foi de 8 km/h; na curva 12, o monegasco precisou tirar o pé por mais tempo antes da freada; por fim, na curva 13, a diferença foi de 2 km/h a mais no TL2 do que na classificação. A principal explicação para isso seria a decisão de aumentar a altura do carro de sexta-feira para sábado, tentando evitar um desgaste excessivo da prancha que fica no assoalho.

A telemetria de Leclerc mostra as diferenças na pilotagem (Arte: Thiago Rocha/GRANDE PRÊMIO)

Além disso, foi possível perceber uma curiosa mudança de configuração do motor ao longo da classificação de Charles. A diferença de velocidade máxima entre a classificação e o TL2 ficou em cerca de 9 km/h, mas algumas voltas no Q1 e no Q2 trouxeram números bem abaixo disso em reta — e logo antes de voltas mais velozes. Até o momento, a Ferrari não abordou os motivos para a discrepância.

Mesmo nas voltas de maior potência, Leclerc seguia perdendo velocidade em alguns trechos. No TL2, o monegasco fez a curva 11 a 126 km/h, mas precisou reduzir para 118 km/h na classificação. A história se repetiu na 13, em que Charles fez a 98 km/h no TL2 e 96 km/h na atividade que definiu o grid.

O resultado ruim, porém, não fez Leclerc buscar culpados na Ferrari. Após a corrida, o monegasco ressaltou o próprio erro ao rodar na chuva e preferiu tirar o foco da equipe.

“Não é suficiente. Mas, antes de falar sobre as escolhas da equipe, acho que o maior erro foi meu, quando perdi o carro e rodei na saída da curva 11. Perdi quatro ou cinco posições e, sem elas, estaria em quarto ou terceiro lugar e olhando para a corrida de forma diferente”, disse à Sky Sports.

Equipes e pilotos da Fórmula 1 voltam às pistas já neste fim de semana, para a segunda etapa da temporada, na China. Esta será a primeira rodada com corrida sprint em 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento.

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