Eddie Jordan, 1948-2025

Eddie Jordan foi o responsável por abrir as portas para muitos pilotos de sucesso na Fórmula 1, incluindo o heptacampeão Michael Schumacher e o brasileiro Rubens Barrichello

Edmund Patrick Jordan ou apenas Eddie Jordan nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 30 de março de 1948 e tinha uma irmã mais velha, Helen. A família mudou-se para Bray, cidade costeira, por recomendações médicas, já que o pequeno Eddie desenvolveu acrodinia, doença rara provocada por exposição ao mercúrio e que causa inchaço nas extremidades do corpo, nariz e face, com apenas dez meses de vida. Ele passou, portanto, a maior parte do tempo por lá.

Depois de chegar a cogitar o seminário na adolescência para se tornar padre, Jordan cursou contabilidade e trabalhou no Banco da Irlanda como escrituário em uma agência na cidade de Mullingar. Depois de quatro anos, passou a integrar uma agência em Dublin, até que, por conta de uma greve bancária em 1970, passou o verão na ilha de Jersey trabalhando como contador de dia e num bar à noite.

Relacionadas

Foi nesse período em que começou o contato com o automobilismo através de corridas de kart. Ao retornar para Dublin, comprou um kart e começou a correr. Em 1971, venceu o campeonato irlandês de kart. Três anos depois, foi para o Campeonato Irlandês de Fórmula Ford e, em 1975, chegou à Fórmula 3, mas acabou perdendo a temporada seguinte depois de quebrar a perna esquerda em um acidente.

Assim que se recuperou, Jordan mudou-se para a Fórmula Atlântica, em 1978. Depois, no ano sequente, competiu a F3 Britânica ao lado de Stefan Johansson sob o nome Team Ireland. No mesmo ano, participou de uma etapa da Fórmula 2 e ainda testou com a McLaren.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Eddie Jordan era um apaixonado por corridas (Foto: Oliver Dixon/Shutterstock)

Em 1979, surgiu a Eddie Jordan Racing, primeira equipe oficial do irlandês, que teve os pilotos David Leslie e David Sears participando de vários eventos no Reino Unido e arredores. Em 1983, contratou Martin Brundle para disputar a F3 Europeia; em 1987, contou com Johnny Herbert no time para vencer o campeonato da F3 Britânica naquele ano.

Jordan também teve uma equipe na F3000, que na ocasião era o degrau final até a Fórmula 1, novamente em parceria com Herbert e Martin Donnelly, em 1988. Na temporada seguinte, a equipe Jordan dominou a temporada da F3000 com Jean Alesi. Era a deixa para que o passo definitivo viesse em questão de pouco tempo.

Ele se concretizou em 1991, ao fundar a Jordan Grand Prix, que teve papel fundamental na carreira de um piloto em especial: Michael Schumacher. Foi ao volante do icônico carro verde e azul que o futuro heptacampeão da F1 estreou na categoria, e com direito a um impressionante sétimo lugar no grid de largada.

Schumacher acabou se mudando para a Benetton na corrida seguinte, mas a Jordan continuou sendo rota importante para pilotos que se destacaram ao longo dos anos na classe. Em 1998, a esquadra alcançou o melhor resultado em corrida ao conquistar uma dobradinha, com Damon Hill em primeiro e Ralf Schumacher em segundo no GP da Bélgica. Em 1999, a glória seria ainda maior, já que Heinz-Harald Frentzen venceu em duas oportunidades (França e Itália) e ajudou a Jordan a terminar em terceiro no Mundial de Construtores.

Só que o período de bonança começou a findar quando a Jordan se viu em apuros depois de perder parceria com os motores Honda em 2002. O time não viu outra saída a não ser fechar com os motores Ford Cosworth no ano seguinte. Os ânimos dentro do time também não eram dos melhores, com briga pública e demissão de Frentzen antes do GP da Alemanha de 2001, além da perda do patrocínio da DHL.

Giancarlo Fisichella venceu com a Jordan o GP do Brasil de 2003 (Foto: Jordan)

Mesmo em meio ao caos, a Jordan conseguiu um brilho solitário no caótico GP do Brasil de 2003, com a vitória de Giancarlo Fisichella — a última da Ford na categoria. Jordan ainda enfrentou batalha na justiça contra a Vodafone, operadora móvel inglesa, por suposta quebra de acordo de patrocínio, mas perdeu o caso, o que complicou ainda mais a situação.

Jordan conseguiu sustentar o time na F1 até 2005, quando vendeu a equipe para o Midland Group, do empresário russo-canadense Alex Shnaider. Ela, então, passou a se chamar MF1 Racing e foi o embrião do que hoje é a Aston Martin. A esquadra de Lawrence Stroll opera nas antigas instalações da Jordan em Silverstone, Inglaterra.

Vários pilotos tiveram na Jordan uma espécie de escola, como o próprio Schumacher, mas a Jordan também foi a porta de entrada para Rubens Barrichello, em 1993. Além dele, Roberto Moreno, Maurício Gugelmin e Ricardo Zonta foram outros brasileiros que também passaram pela equipe de Eddie.

Fora da competição, Jordan passou a atuar como comentarista do programa Grand Prix, da BBC, em 2009. Foi lá que começou a parceria com David Coulthard levada para o podcast Formula For Success, que apresentava ao lado do escocês desde 2023. Foi durante o programa que ele revelou a luta contra o câncer de próstata e fez um apelo para que as pessoas fizessem exames de rotina e se cuidassem.

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!