Indy admite impasse e projeta novo carro “mais relevante” para atrair montadoras
Mark Miles, CEO da Indy, indicou que novo carro segue em desenvolvimento, mesmo sem garantia de permanência da Honda a partir de 2027
CEO da Penske Entertainment, proprietária da Indy, Mark Miles defendeu a presença de Rich Shearing no grupo que trabalha o desenvolvimento do futuro carro da categoria. O executivo é chefe de operações da Penske Automotive, mas não tem ligação direta ao mundo do automobilismo, o que gerou algumas críticas. O dirigente da Indy justificou que Shearing está no projeto para ajudar a atender o anseio das montadoras para que novas fabricantes cheguem e encerre o impasse que tem sido a permanência ou não da Honda no campeonato.
A Indy promete para 2027 um novo carro na categoria, que marcaria o fim da era DW12, chassi que estreou em 2012 — em 2018, a Dallara promoveu um facelift e o renomeou de IR-18. Em outubro de 2024, a Indy apresentou aos chefes de equipes o primeiro esboço do carro e Shearing é quem esteve à frente, o que causou a impressão no paddock de que o executivo era o principal responsável pelo projeto, mesmo sem experiência no automobilismo.
Miles explicou que Shearing é uma das pessoas que fazem parte do projeto, que também tem o próprio Miles, Bill Pappas e Darren Sampson (engenheiros de corrida da Indy), Tino Belli (chefe de aerodinâmica), Kevin Blanch (diretor-técnico), Mark Sibla (vice-presidente de competição e operações), Doug Boles (presidente da Indy) e Roger Penske.
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O CEO da Indy alegou que o executivo da Penske Automotive tem como missão contribuir para que o carro seja feito de um modo que haja conversão com os desejos das montadoras, com o intuito de que outras fabricantes desembarquem na Indy — além de manter as duas atuais, Chevrolet e Honda.
“Rich é uma enorme contribuição à Indy e ao desenvolvimento do novo carro. Não conheço alguém que conheça mais o mercado automotivo americano, para não dizer global. Esse é o trabalho dele. Um dos objetivos é fazer esse carro relevante às fabricantes de motor. Rich é um presente para nós, em termos de habilidade, conhecimento e valor”, disse o CEO da Indy em entrevista ao jornal estadunidense IndyStar.
O trabalho em cima do novo carro passa pelo impasse em torno das montadoras. A Honda não esconde a insatisfação com os altos custos e um retorno que, até aqui, não acompanha o aumento das despesas, o que coloca em xeque a permanência da marca japonesa a partir de 2027 — o contrato com a Indy acaba em 2026.
Uma das sugestões da Honda seria ter um motor especificado, o que poderia envolver a Ilmor, que já fabrica os motores da Chevrolet. O pedido seria deixar uma certa liberdade para as montadoras desenvolverem as partes híbridas ou outras tecnologias, desde que limitado por um orçamento.

Outra opção seria seguir uma linha parecida com os motores utilizados na categoria GTP do IMSA SportsCar, que possuem um sistema híbrido mais complexo do que os atuais da Indy e exigiriam regulamentações mais restritas na categoria. Miles indicou que tem conversado com diversas montadoras, que apresentam interesses específicos diversos, mas que a maioria delas quer entender como a Indy pode impulsionar as marcas, trazer um maior retorno sobre o valor investido e como elas poderão competir.
Por todo esse contexto, a Indy parece assumir a postura de que vai construir um carro com o intuito de atrair mais montadoras e tem tocado esse projeto ainda sem a garantia de que a Honda permaneça ou outra fabricante esteja na categoria.
“Temos de manter todos esses pratos girando no ar ao mesmo tempo. Conversamos de modo contínuo, construtivo e útil com Honda e Chevrolet, assim como com outros possíveis interessados, para entender as necessidades e pensamentos de todos. E, então, vamos decidir o caminho que devemos seguir”, encerrou.
A Indy retornará neste fim de semana, entre os dias 21 e 23 de março, com o GP de Thermal, que acontece no circuito do Thermal Club, localizado na região de Palm Springs, na Califórnia, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO.
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