FIA propõe redução na parte elétrica de motores de 2026 e gera divisão entre equipes
Com medo de que os carros de 2026 sofram com a falta de potência durante as retas, a FIA decidiu apresentar uma proposta para reduzir a dependência das baterias no próximo regulamento. Equipes como Mercedes e Red Bull, por exemplo, já se colocaram em lados opostos
Ainda que a ideia que trata de um retorno dos motores V10 à Fórmula 1 em um futuro próximo tenha sido descartada após uma reunião entre a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), equipes e fabricantes durante o fim de semana do GP do Bahrein, o regulamento de 2026 continua sendo pauta de muita discussão. De acordo com o portal The Race, em uma conversa marcada para a próxima semana, a entidade que gere o esporte a motor vai propor uma revisão na proporção entre o uso de potência elétrica e de combustão interna na nova unidade de potência.
Tudo começou há alguns dias, quando o jornal Motor ES relatou que, durante algumas simulações no circuito de Monza, na Itália, a Mercedes demonstrou que o aspecto híbrido do motor é completamente deficiente. Com base nos dados obtidos, a potência elétrica dos carros estaria se esgotando no meio da reta principal, deixando os mesmos dependendo apenas do motor de combustão interna, traduzindo-se em uma potência entre 540 e 570 CV — menor do que de um carro de Fórmula 2, por exemplo.
Pressionada por algumas equipes, a FIA então decidiu apresentar mudanças no regulamento no próximo encontro da Comissão de F1. A proposta seria fazer com que a proporção de 50% de motor de combustão interna e 50% de bateria seja mantida apenas para a classificação. Para a corrida, a ideia é reduzir a potência elétrica de 350 kW para 200 kW — fazendo com que essa mesma relação passe a ser de 36% para as baterias e 64% para a combustão.
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De acordo com o The Race, a mudança tem como objetivo obter um desempenho mais consistente nas retas e aumentar as oportunidades de ultrapassagem. Para que a proposta entre em vigor, no entanto, é necessário o consenso de 70% dos votantes — embora tenha ficado muito claro até aqui que existe uma clara divergência de pensamento entre os principais protagonistas do grid.
Chefe da Mercedes, Toto Wolff, por exemplo, colocou-se contra a ideia. “Ler a pauta da comissão de F1 é quase tão hilário quanto ler alguns dos comentários que vejo no Twitter sobre política americana. Realmente quero nos proteger e não fazer nenhum comentário, mas é uma piada”, disse durante o fim de semana na Arábia Saudita. “Primeiro teremos de ver como as coisas vão terminar no próximo ano, em vez de prever o que vai acontecer. Na reunião no Bahrein, fomos claros: dentro de 12 meses decidiremos se haverá algo a ser feito. Não há dados que sustentem essas suposições”, concluiu.
Comandante da Red Bull, Christian Horner, por sua vez, apoiou a mudança. “Não queremos ver os pilotos tendo de economizar energia na reta no meio da corrida. Isso estraga o espetáculo e deixa os pilotos nervosos”, afirmou, também no circuito de Jedá.
A Fórmula 1 volta de 2 a 4 de maio em Miami, primeira corrida da temporada 2025 nos Estados Unidos.
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