Pier Guidi comanda recuperação da Ferrari #51 e vence 6H de Spa. Barrichello é 6º

Depois de vencer em Ímola, a Ferrari #51 voltou ao topo do pódio nas 6 Horas de Spa com uma bela recuperação guiada pelo brilhantismo de Alessandro Pier Guidi

A Ferrari segue dominando a temporada 2025 do Mundial de Endurance [WEC] e conquistou, neste sábado (10), a terceira vitória em três provas no ano. Desta vez, foi o carro #51, de Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi, que triunfou nas 6 Horas de Spa para vencer pela segunda corrida seguida. O #50, que largou da pole com Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen, completou a dobradinha da marca italiana na Bélgica, enquanto a Alpine #36 fechou o pódio após uma grande prova de Frédéric Makowiecki, Jules Gounon e Mick Schumacher.

Neste fim de semana, porém, o cenário não parecia ser favorável para o carro #51, que bateu forte no TL2 e sofreu na classificação — até certo ponto — para conseguir o terceiro melhor tempo. No entanto, Alessandro Pier Guidi fez uma prova espetacular e repleta de ultrapassagens marcantes para levar o 499P até a dianteira na classe hipercarro.

Completando o top-5 da classe rainha, o Toyota #8, que fez uma ótima prova de recuperação depois de largar da penúltima fila do grid, cruzou a linha de chegada em quarto e o Cadillac #12 fechou em quinto.

Na LMGT3, a vitória também ficou com a Ferrari, que varreu o fim de semana em Spa. O #21, de Alessio Rovera, Simon Mann e François Hériau, superou tranquilamente o Ford #88 na reta final para ser o primeiro a ver a bandeira quadriculada. O #54, também da escuderia italiana, completou o pódio entre os GTs.

Ferrari #21 levou a melhor na classe LMGT3 e fechou a varrida da marca italiana em Spa (Foto: Fabrizio Boldoni / DPPI)

Dudu Barrichello, que fez uma prova agressiva e que ficou marcada por uma batalha intensa contra a McLaren #59, teve de se contentar com a sexta colocação depois de largar da primeira fila do grid com o Aston Martin #10. Augusto Farfus, por outro lado, nem entrou no BMW #31, que abandonou ainda cedo.

Os carros do WEC voltam a acelerar entre os dias 11 e 15 de junho para a principal corrida do ano, as 24 Horas de Le Mans, quarta etapa da temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2025 do Mundial de Endurance e transmite todas as etapas AO VIVO e COM IMAGENS no canal do YouTube e na GPTV.

Confira como foi a corrida em Spa:

Primeiras horas – Ferrari #50 puxa fila na largada e #83 vive pesadelo sem fim

Na largada, a principal mudança na classe hipercarro foi a ultrapassagem de James Calado para cima de Philip Hanson, colocando a Ferrari #51 já em segundo na primeira volta. Mais atrás, o Porsche #5, de Julien Andlauer rodou no final da reta Kemmel ao ser tocado pelo Cadillac #38 e caiu para o fundo do pelotão, atrás das duas Aston Martin.

Já na LMGT3, a liderança permaneceu com o Lexus #78 depois da largada, seguido por ambos os carros da Ford, que fechavam o top-3. O Aston Martin #10, por outro lado, caiu para a sexta posição nas primeiras voltas após um começo fraco de Derek Deboer no carro de Dudu Barrichello.

20 minutos após a largada, o caos se instaurou em pista com o início do tráfego. Com praticamente todos os carros no mesmo setor, o trânsito da LMGT3 complicou a vida de alguns hipercarros, como o #83, que perdeu mais uma posição, caiu para quarto e viu a Alpine #36, de Frédéric Makowiecki, subir para o top-3 e começar a pressionar Calado.

Will Stevens também foi outro que se complicou no Cadillac #12, que despencou para a 12ª posição ao ficar lado a lado com Laurens Vanthoor, no Porsche #6, e sair da pista. Enquanto isso, o Toyota #7 — que sofreu um furo de pneu — foi um dos primeiros a ir para os boxes.

Mais à frente, após muita insistência, Makowiecki enfim passou Calado e assumiu a vice-liderança com uma grande manobra na subida da Eau Rouge. Simultaneamente, na LMGT3, o Aston Martin #10 perdeu mais duas posições e caiu para o oitavo posto.

Na reta final da primeira hora, Hanson perdeu mais duas posições na Ferrari #83 e caiu para a sétima colocação. Paul Di Resta, inclusive, fez uma excelente ultrapassagem com o Peugeot #93 na Raidillon. Por outro lado, o Porsche #99 apagou e ficou parado no final da reta Kemmel, provocando a primeira bandeira amarela.

Ferrari #51 deixou o #83 para trás logo na primeira volta em Spa (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Na volta da bandeira verde, a Ferrari #83 perdeu mais posições e caiu para a décima colocação, atrás também do Peugeot #94, do Porsche #6 e da Cadillac #12. Neste momento, a rodada de pit-stops começava oficialmente, com os tanques virtuais praticamente vazios depois de 50min.

E o pesadelo do #83 não acabou por aí. No pit-stop, a equipe optou por recolher o carro da AF Corse para a garagem e corrigir um problema de refrigeração. Ao voltar para o circuito, a Ferrari amarela estava na última posição e duas voltas atrás do Aston Martin #009, o penúltimo colocado, mas teve de voltar aos boxes pouco depois e ficou 35 voltas atrás do pelotão principal.

Já a classe LMGT3, depois da rodada de pit-stops, viu o BMW #46 assumir a dianteira da prova, com o Porsche #92 vindo logo atrás e o Ford #88 fechando o top-3. Mais atrás, Yasser Shahin sofreu um toque na Bus Stop a bordo do BMW #31, de Augusto Farfus, e ficou atolado na brita depois da reta principal ao mesmo tempo que o Lexus #87 ficou parado na reta Kemmel, provocando uma nova bandeira amarela e, eventualmente, a entrada do safety-car.

Na relargada, a liderança da LMGT3 passou para as mãos da Ferrari #21, seguido pelo Ford #88 e pelo BMW #46, que recebeu uma punição de drive-through por exceder o limite de velocidade no pit-lane, assim como o Porsche #92 e o BMW #15, da classe hipercarro.

Inclusive, na classe rainha, o #50, agora com Miguel Molina no assento, seguia na liderança, com o Alpine #36 na segunda colocação. Antonio Giovinazzi, no #51, acabou sendo deixado para trás pelo Peugeot #93, de Di Resta, que assumiu a terceira posição com pouco mais de 2h de prova.

Terceira hora – Alpine e Peugeot crescem e Barrichello vai para a pista

E a queda de Giovinazzi seguiu na parte final da primeira metade da prova. Robin Frijns, no BMW #20, fez uma bela manobra para tirar o quarto posto da Ferrari #51, que passou a ser pressionado por Loic Duval, no Peugeot #94.

Apesar do francês conseguir a ultrapassagem eventualmente, Giovinazzi deu o troco em Frijns para seguir no quinto posto e evitar cair para fora do top-5. Pouco depois, também retrucou a ultrapassagem do Peugeot e voltou para a quarta colocação no momento em que a janela de pit-stops reabriu.

Já na LMGT3, uma grande batalha se travou entre Célia Martin e Ian James pela liderança. No final, o Porsche #85 da Iron Dames assumiu a dianteira e deixou o Aston Martin #27 para trás. Simultaneamente, o #10 entrava no pit-lane para colocar Barrichello no comando do carro.

Dudu Barrichello assumiu o Aston Martin #10 com pouco mais de 4h restantes (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Uma pequena confusão se formou novamente na Bus Stop quando o Porsche #92 rodou o Mercedes #61, o que resultou em danos no para-choque do carro da Manthey e uma punição de 10s.

Mais acima, a primeira grande mudança de liderança na classe hipercarro. A Alpine #36, com Jules Gounon no volante, foi melhor nos pit-stops, fez o undercut e voltou à frente da Ferrari #50 para tomar a dianteira das 6 Horas de Spa com 3h24min restantes. Ainda assim, a equipe italiana completava o top-3, com o #51 em terceiro.

Já a Aston Martin formou uma dobradinha na LMGT3, com o #27, de Zacharie Robichon, na ponta e o #10, de Barrichello, logo atrás. Rui Andrade, no Corvette #81, fechava o top-3.

Justamente na marca de 3h de prova, Sean Gelael sofreu o primeiro grande acidente da prova com a McLaren #95. Em disputa de posição com o Mercedes #60, de Matteo Cairoli, o indonésio cometeu um erro de cálculo e foi rodada pelo carro da Iron Lynx, batendo forte na barreira de pneus.

Na rodada de pit-stops sob safety-car, a Ferrari #50 perdeu mais duas posições, caindo para a sexta colocação e ficando atrás do #51 e do BMW #20. A Toyota também foi outra equipe que se complicou quando Kamui Kobayashi parou o #7 no boxe errado, atrapalhando o carro #8 da marca japonesa e perdendo segundos preciosos na parada.

Horas finais – Ferrari #51 assume ponta e não larga mais

Lá na frente, o Peugeot #93 puxou a fila na relargada, com Jean-Éric Vergne, seguido pela Alpine #36 e o Toyota #7. Porém, foi a Ferrari quem deu o bote no recomeço de prova e escalou para o top-4, com o #50, de Antonio Fuoco, em terceiro e o #51, com Alessandro Pier Guidi, em quarto. Kobayashi, por outro lado, escapou na Bus Stop e abriu a porta para os adversários.

Enquanto isso, Barrichello travou uma disputa intensa pelo décimo posto contra a McLaren #59 de Sébastien Baud. Ao final de quase uma volta inteira de briga, o brasileiro conseguiu defender a posição com maestria e muita agressividade para segurar a pressão do adversário.

Porém, a agressividade passou do ponto pouco depois, quando o brasileiro fechou a porta para Baud e jogou o adversário no muro. O novo acidente, o segundo da McLaren na LMGT3, forçou uma nova entrada do safety-car e gerou uma punição de 10s para Barrichello.

Na relargada, a Ferrari já formava a dobradinha novamente na dianteira entre os hipercarros, com a Alpine #36 logo atrás, em terceiro. Já na LMGT3, o Porsche #93 liderava, com o Ford #88 em segundo e o BMW #46 fechando o top-3.

Antonio Fuoco voltou à liderança das 6 Horas de Spa na reta final (Foto: Julien Delfosse / DPPI)

Porém, o caos não terminou com a saída do safety-car. O BMW #20 entrou lado a lado na curva com o Peugeot #94, que levou a pior e furou o pneu, tirando o carro francês guiado por Vergne da disputa pelas primeiras colocações.

Com 100 voltas completadas, Antonio Fuoco puxava a fila na Ferrari #50 depois de deixar Pier Guidi para trás. E houve mudança também na ponta da LMGT3, com Rigon Davide colocando o #54 à frente do #88 de Dennis Olsen.

Apesar da liderança tranquila da Ferrari #50, a briga se abriu da segunda posição em diante nos hipercarros. A Alpine #36, de Mick Schumacher, conseguiu realizar uma bela manobra para cima da Ferrari #51. Em meio a essa disputa, Frijns também se aproximou dos líderes e subiu para terceiro.

Porém, Pier Guidi não deixou barato e deu o troco para cima de ambos os carros ao fazer uma linda ultrapassagem dupla na Bus Stop, assumindo novamente a vice-liderança. Além disso, a Ferrari também passou a puxar uma dobradinha na LMGT3 quando o #21 subiu para o segundo posto, com Alessio Rovera, e acompanhou o #54, que liderava.

A hora final começou em meio a uma nova rodada de pit-stops, mas, naturalmente, com muitas estratégias em jogo. De início, Sébastien Buemi liderava com o Toyota #8, mas, quando foi para os boxes, a liderança caiu no colo de Schumacher, que ainda precisava fazer ao menos uma última parada na prova.

Eventualmente, o #36 fez a parada final e caiu para a quinta colocação, mas seguia em posição para vencer a corrida, a depender da economia de energia da Ferrari, que tinha dois carros com maior autonomia no top-3.

Schumacher, por sua vez, fazia sua parte e passava Nyck de Vries para assumir a quarta colocação e se aproximar ainda mais do pódio. No entanto, Pier Guidi seguia abrindo na liderança antes de fazer o último splash-and-go para tentar manter a ponta na volta dos boxes. E isso foi exatamente o que aconteceu com 12min restantes.

Desta maneira, as posições foram reestabelecidas com o #51 à frente do #50, que completava uma nova dobradinha da Ferrari. Com a parada final do Cadillac #12, Schumacher subiu para 3º e recolocou a Alpine no pódio, repetindo o feito das 6 Horas de Ímola.

Já na LMGT3, o Aston Martin #10 escalava o pelotão e voltava para o sexto posto, agora com Valentin Hasse-Clot no volante. Lá na frente, a Ferrari #21 liderava confortavelmente para assegurar uma varrida da marca italiana na rodada de Spa-Francorchamps do WEC.

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