Kanaan aprova demissões da Penske após polêmica: “Atitude teve de ser tomada”
Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, Tony Kanaan explicou visão da McLaren sobre episódio do atenuador, que tomou conta do noticiário da Indy durante a semana
Chefe da McLaren, Tony Kanaan falou com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO sobre o polêmico episódio dos atenuadores adulterados dos carros da Penske, que tomaram conta do noticiário da Indy durante a semana entre classificação e as 500 Milhas de Indianápolis. Explicou que o problema maior é a reincidência do time, que é de propriedade de Roger Penske — assim como a categoria —, o que deve ser o estopim para a criação de um órgão fiscal independente.
Para Kanaan, o problema da fraude do push-to-pass no GP de St. Pete em 2024 foi mais grave do que o caso do atenuador. Também acompanhou Helio Castroneves ao afirmar se tratar de uma questão estética, que não gera ganho de desempenho, mas afirmou que regras não foram cumpridas.

“Complexo. Tenho de voltar um ano antes de falar do atenuador, no caso do push-to-pass. Foi muito mais sério, já foi muito discutido. Conversei com os engenheiros [sobre o atenuador]. É uma peça que não pode ser modificada, mas mexeram. Helio não estava errado em falar que foi algo estético, mas quem não leu o regulamento? Depois do ano passado, com episódio mal-intencionado da primeira vez, estão pagando o preço”, falou Kanaan com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO.
“Além disso, é o dono da categoria, então a situação aumenta. Tenho responsabilidade como McLaren. Se fazemos algo pequeno, vira gigantesco. Então, uma atitude teve de ser tomada. Comentei com a equipe esses dias: não é porque passa no farol vermelho e não bate em outro carro que não vai tomar a multa”, continuou Kanaan.

“O atenuador, para mim, não foi o mais importante o estopim para mandar todo mundo embora. Foi que há um ano aconteceu. Todos ficaram desconfortáveis com a punição, aí [Josef Newgarden] vem e ganha a corrida. Teve de admitir [o atenuador adulterado], porque tem foto. A categoria tem de melhorar a comissão técnica, pois não viram. Ninguém da Indy viu. Não dá para falar que a Ganassi viu há um ano e ficou quietinho, esperando o momento certo”, completou.
Ao longo da semana, Roger Penske admitiu que Josef Newgarden ganhou as 500 Milhas de Indianápolis de 2024 com o atenuador modificado. O maior prejudicado, então, seria Pato O’Ward, que terminou na segunda posição. Kanaan opinou que a peça adulterada não gera melhora de desempenho e se colocou no lugar do proprietário da Penske, dizendo não ser fácil demitir pessoas importantes na equipe. Porém, ressaltou que a atitude foi correta pela credibilidade da categoria.
“Se tem vantagem, não sei. Meus engenheiros falam que não. Foi por estética? Acredito que sim. Realmente a peça é feia, mas não pode mexer. Quando existe histórico, com mentalidade de querer burlar o regulamento, não tem como defender. Infelizmente, foi o que aconteceu com Roger. Precisou demitir Tim Cindric, Kyle Moyer e Ron Ruzewski, três estrategistas dos carros, os mais importantes da equipe. Teve de tomar uma decisão drástica por uma coisa pequena, pois não pode dar essa brecha. Não foi bom o que aconteceu para a categoria, mas, em termos de credibilidade, reagiu da maneira certa agora. Dependendo da penalidade, falariam que foi branda”, explicou Kanaan.
“Como chefe de equipe, me coloco na posição. Não é fácil mandar embora os três membros mais importantes. Já até perguntei internamente se há algo que preciso saber. Por exemplo, nunca saberia se um mecânico resolve lixar alguma peça. O engenheiro também é capaz de não ver esses detalhes. Que sirva de lição, acredito que agora todos vão andar na linha”, prosseguiu.

Por fim, argumentou que o episódio deve gerar mudanças na categoria, como a criação de um órgão fiscal independente da Penske Entertainment ou qualquer outra equipe — comentário feito também com críticas, pois a inspeção técnica não detectou as alterações ao longo dos últimos meses.
“Para Roger, isso vai fazer separar as coisas, pois existe conflito [de interesses]. Acabou com a equipe, não foi uma coisa legal o que aconteceu, mas é hora de olhar o lado positivo, pois já aconteceu. A atitude foi drástica, mas certa. Agora precisa melhorar o corpo técnico, pois ninguém viu isso”, apontou.
“Pressão [para separar Indy e Penske] sempre existiu, pois é um conflito que não dá para negar. Tem algumas opções, Doug [Boles, presidente da Indy] disse sobre buscar empresa terceirizada para cuidar da parte técnica e da direção de prova, o que acredito ser o caminho. Falar para vender a equipe ou a categoria é pesado. Temos de ser justos. Se Roger não compra tudo, não sei se estaríamos aqui conversando”, prosseguiu.
“Na reunião dos chefes de equipe, todos foram duros — e com razão. Roger nem se defendeu. A curto prazo, a solução é encontrar essa empresa que não tenha ligação nenhuma com nenhuma parte. Que decida pelo que acontece na pista, não para pensar se Roger vai ficar bravo ou não. Essa é a melhor solução, mas não será fácil. Precisamos ter de paciência, pois vai demorar um pouco”, finalizou.
As 500 Milhas de Indianápolis acontecem no próximo domingo (25), com largada a partir das 13h00 (de Brasília, GMT-3), com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. O pole-position será o novato russo Robert Shwartzman, da Prema.
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