Pódio de Leclerc até pode enganar, mas Ferrari deixa Espanha imersa em dúvidas
Os dois pódios consecutivos de Charles Leclerc não apagam o fato de que a Ferrari continua sem ter a menor chance de desafiar a McLaren. Ao mesmo tempo em que pinta como principal favorita ao vice de Construtores, a escuderia italiana segue longe toda vida do real objetivo do ano: voltar a ser campeã
A Ferrari vive uma temporada extremamente decepcionante na F1 2025. Apostando tudo em um novo conceito de carro, o time italiano bate cabeça semana após semana em busca de evolução, mas continua esbarrando em um teto que não parece dos mais altos. E isso voltou a aparecer no capítulo final da rodada tripla que abriu a fase europeia do campeonato, o GP da Espanha.
Sim, Charles Leclerc foi ao pódio, o segundo consecutivo, mas teve muito das circunstâncias da prova aí: safety-car e um Max Verstappen meio maluco, por exemplo, ajudaram bem nisso. Só que o ponto aqui nem é sobre como o pódio em si foi conquistado, mas o que ele representa.
Quer dizer, claro que importa saber se a Ferrari teve ritmo para esse terceiro lugar na Espanha — não teve, ainda mais pela campanha efusiva que fez nos dias anteriores, apostando alto numa nova asa e, lá no fundo, crendo que a tal diretiva da FIA poderia pegar mais as rivais do que ela. Mas nada disso se confirmou.
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O principal é analisar o macro aqui, o que é de fato essa temporada da Ferrari: ao mesmo tempo em que hoje pintam como principal favorita ao vice de Construtores, os italianos não dão o menor sinal de que podem desafiar a McLaren. E isso é desesperador.
É desesperador porque a Ferrari de 2024 foi uma equipe que terminou o ano em alta. Tão em alta que disputou o título com os papaias até a última prova, em Abu Dhabi. Colocou pressão, botou uma dúvida na cabeça da rival. Saiu daquele campeonato de peito estufado e com a confiança lá em cima: tinha carro, comando e pilotos, especialmente porque Lewis Hamilton estava chegando.
O ano virou, está quase na metade, e tudo que parecia solução hoje soa como barreira. Hamilton, por exemplo, continua tropeçando em uma falta de adaptação sem data para passar. Além disso, o inglês esbarra em uma estranha perda de motivação que o acompanha desde a reta final da passagem pela Mercedes.
Mas Lewis está bem longe de ser o principal culpado aqui. O fato é que a Ferrari regrediu em todas as áreas, tanto que parece mentira dizer que os caras estavam bem até meses atrás. Do ponto de vista organizacional, o negócio desandou, da então elogiada chefia de Frédéric Vasseur à comunicação parca entre os engenheiros e os pilotos, o caos se estabeleceu.

A origem disso, aliás, precisa ser registrada e resgatada. Não satisfeita com o vice e o flerte ao caneco, a Ferrari foi na contramão das principais forças do grid e resolveu revolucionar o carro, mexendo em praticamente tudo de 2024 para 2025. E obviamente perdeu totalmente a mão.
É exatamente aqui que está a questão fundamental sobre tudo o que acontece com a Ferrari em 2025: o pódio é suficiente? O vice ficará de bom tamanho? É aceitável eventualmente acabar o ano sem saborear uma vitória? A resposta para tudo isso é a mesma: claro que não.
Isso pode soar como engenharia de obra pronta, mas não é assim, é apenas uma questão prática: o tempo mostrou que ter aberto mão do conceito do ano passado e mergulhado no desconhecido foi um erro, simplesmente. Absolutamente nada garante que a Ferrari venceria a McLaren, inclusive é difícil acreditar nisso, mas os italianos tinham uma chance se seguissem numa direção mais confiável.
Depois do início da perna europeia, do começo da sensação de que o campeonato está caminhando mesmo para outro lado, a Ferrari parece ter ficado para trás. Mais do que isso, que o time pode espremer o que for que não vai sair mais nada desse carro, que o teto é bem baixo.
Ainda assim, a Ferrari surge favorita a levar o vice de Construtores diante de um Yuki Tsunoda incrivelmente inoperante e de uma Mercedes que não suporta calor e tem um piloto novato. Mas é só.
No mais, feliz 2026.
A Fórmula 1 volta de 13 a 15 de junho no Canadá, décima etapa da temporada 2025.
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