Norris resiste a Piastri e vence GP da Áustria. Bortoleto pontua pela 1ª vez na F1

Lando Norris liderou todas as atividades que participou do fim de semana e completou com a vitória no GP da Áustria de Fórmula 1. Mas teve muita briga contra Oscar Piastri em Spielberg. Um pouco mais atrás, Gabriel Bortoleto fez exibição segura e levou a Sauber aos pontos. É a primeira vez que marca pontos na F1

Um domínio retumbante. A McLaren havia mostrado desde os treinos livres que tinha carro para muita coisa na pista do Red Bull Ring. E após o controle absoluto na classificação, a repetição do filme no GP da Áustria deste domingo (28), em Spielberg. Lando Norris largou na pole e venceu, mas sem facilidade alguma. Oscar Piastri fez o possível para mudar a história da prova, mas não deu. Norris volta a vencer após o fim tétrico da corrida no Canadá e garante o sétimo triunfo da carreira na F1.

O primeiro stint da dupla da McLaren foi eletrizante. Piastri largou em terceiro, mas tomou a segunda colocação de Charles Leclerc logo na primeira curva, com facilidade. E foi para cima de Norris, atacou diversas vezes ao longo de mais de 20 voltas e chegou até a passar. Mas Norris soube posicionar o carro para aproveitar a proximidade quase sanguínea e retomar a dianteira curvas mais tarde.

Ainda antes do pit-stop, Piastri passou dos limites na curva quatro, freou tarde demais e por muito pouco não deu no meio de Norris. Mas não aconteceu. Logo que os dois pararam, Lando antes de Oscar, a diferença se impôs. Norris passou a ter total controle da situação e partiu para vencer.

Norris ainda sofreu um problema na asa dianteira no fim, mas venceu com 2s6 de frente para Piastri. Distante dos dois, Leclerc completou o pódio, com Lewis Hamilton na quarta colocação e George Russell em quinto. Na briga do pelotão intermediário, valeu o risco que assumiram Liam Lawson e Fernando Alonso, esticando muito o primeiro stint e conseguindo terminar com apenas uma parada.

Gabriel Bortoleto marcou pontos na F1 (Foto: Sauber)

Atrás dos dois, Gabriel Bortoleto fez uma corrida totalmente controlada. Nunca pareceu estar longe de boas posições de ponto e por ali ficou o tempo todo, às vezes mais perto dos primeiros colocados, às vezes mais perto do décimo, mas sempre na zona de pontos. No fim das contas, recebeu a bandeirada na oitava colocação e marcou os primeiros pontos dele na F1. Nico Hülkenberg e Esteban Ocon completaram o top-10.

A Max Verstappen, restou o primeiro abandono em mais de 30 corridas. O tetracampeonato foi acertado por Andrea Kimi Antonelli logo na largada, quando ambos deixaram a corrida e causaram safety-car. Além deles, Carlos Sainz teve problemas e viu carro pegar fogo antes mesmo da largada, enquanto Alexander Albon foi chamado aos boxes para abandonar durante a corrida.

Fórmula 1 retorna no fim de semana que vem, de 4 a 6 de julho, em Silverstone, 12ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Silverstone para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.

GP DA ÁUSTRIA F1 2025 AO VIVO: TUDO SOBRE A CORRIDA | BRIEFING

Confira como foi o GP da Áustria de F1:

Aquilo tudo que se falou na proximidade do fim de semana, sobre fortíssimo calor e o efeito na pista, tinha sido visto em momentos desde a sexta-feira em Spielberg, mas nada comparável ao momento da largada no domingo. A temperatura ambiente era de 30°C e o céu estava aberto, o que significava muito sol na pista. Resultado: asfalto que chegava à impressionante marca de 51°C.

A manhã do domingo já havia começado com novidades. Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari, teve razões pessoais de última hora e deixou a Áustria, entregando a chefia para Jérôme D’Ambrosio ao longo da corrida. Além disso, a oficialização do GP da Áustria no calendário até 2041.

Mas, agora, era momento de pensar em largada. A previsão da Pirelli era de ter uma corrida de duas paradas tanto usando macios em algum momento, como não. As táticas de largada variavam. Lando Norris, Charels Leclerc, Oscar Piastri, Lewis Hamilton, George Russell, Liam Lawson, Max Verstappen, Gabriel Bortoleto e Andrea Kimi Antonelli, os nove primeiros colocados, saíam de médios. Na segunda metade do grid, Fernando Alonso (11º) , Alexander Albon (12º), Lance Stroll (16º), Esteban Ocon (17º), Yuki Tsunoda (18º) e Carlos Sainz (19º) também preferiam os pneus de marca amarela.

Por outro lado, cinco pilotos haviam decidido por partir de pneus macios. Era o caso do décimo colocado Pierre Gasly, bem como Isack Hadjar (13º), Franco Colapinto (14º), Oliver Bearman (15º) e Nico Hülkenberg (20º).

Antes que qualquer elemento de estratégia, acertos e erros, pudesse ser verificado, o primeiro problema. Quando os carros saíram para a volta de formação, Sainz ficou parado. Com mecânicos ainda na beirada da pista, a largada terminou abortada conforme os carros retornavam para alinhar de novo e esperar. Eis que, com a partida adiada em dez minutos, para as 10h05 de Brasília (15h05 locais), e os carros novamente sendo acompanhados por gente da equipe, Sainz conseguiu andar. Teria de levar o Williams ao pit-lane, e assim fez.

Mas não era o fim de uma história feliz para Carlos. Infelizmente para ele, mesmo com o carro em movimento, avisou que a sensação era de que ainda estava freando sozinho ao mesmo tempo. Parou o carro na saída do pit-lane, em posição de largada por ali, mas antes mesmo que gente da Williams pudesse chegar, o carro começo a soltar fumaça e, imediatamente, fogo. Os mecânicos chegaram com extintor, acabaram com o pequeno foco de incêndio e puxaram o carro de volta, mas a rápida avaliação levou à conclusão óbvia: era fim de jogo. O primeiro abandono da corrida estava confirmada.

Os pilotos continuavam esperando a hora marcada, mas o calor era cruel. “Não conseguiria te dizer a temperatura no assento. Acho que está uns 200°C”, falou Alonso no rádio. Russell queria assegurar o conforto dos mecânicos que ainda estavam na pista e falou para o pessoal da Mercedes preparar muita água.

A confusa largada do GP da Áustria (Foto: AFP)

Na segunda hora marcado, aí, sim. Aos olhos do atento Jürgen Klopp, treinador alemão de futebol e atual diretor geral dos clubes da Red Bull, a corrida finalmente ganhava vida com os 19 carros restantes. Norris saiu bem e imediatamente se atentou ao movimento de Leclerc, que tentou alinhar por dentro. Lando facilmente segurou a dianteira e foi Charles quem se deu mal, impedido de se defender, ficou entregue ao mergulho de Piastri, que tomou o segundo lugar. Russell também levou a melhor rapidamente contra Hamilton, mas o heptacampeão recuperou o quarto posto.

A confusão, entretanto, viria logo atrás. Antonelli veio de longe travando os pneus na curva três, tendo demorado a frear, e não conseguiu evitar o contato quando Lawson freou um pouco antes para aproveitar a a linha interna. O resultado foi tocar logo Verstappen e tirar da corrida o tetracampeão do mundo. Era a consumação do primeiro abandono de Verstappen desde o GP da Austrália de 2024, encerrando uma sequência de 31 corridas seguidas nos pontos. Safety-car na pista e somente 17 carros ainda sobravam.

O top-10 tinha Norris e Piastri nas primeiras posições, seguidos por Leclerc, Hamilton, Russell, Gasly, Albon, Bortoleto, Lawson e Alonso. A relargada veio logo duas voltas depois, com pressão de Russell para cima de Hamilton na briga pelo quarto lugar. Lewis segurou, mas George reclamou no rádio do rival ter freado tarde demais. Mas tudo pareceu absolutamente normal.

Piastri não se movimentou de imediato, mas na sétima das 70 voltas mostrou certo sendo de urgência e mergulhou para cima de Norris na curva quatro. Não conseguiu passar, mas a mensagem vinda da McLaren no rádio era que “você que sabe da sua situação corrida”. Claramente uma permissão para atacar. Entretanto, ao menos nas voltas imediatamente seguintes ao ataque inicial, Norris começou a abrir um pouco. Sem sair da zona de DRS, mas sem facilitar novos ataques.

Por pouco tempo. Piastri aproximou de novo na curva dez e mudava as linhas de cada curva para pressionar o rival e companheiro de equipe muito de perto. No fim da volta, Lando esticou um tanto a última curva e abriu caminho para Piastri alinhar e ultrapassar na curva um. Mas Norris se manteve em posição, acalmou o carro, buscou a raia interna e continuou em cima para retomar a liderança. Piastri ainda atacou uma vez mais, não levou a melhor e, aí, precisou dar uma acalmada no equipamento. Com muito calor, sobretudo, é necessário arrefecer os esforços do carro.

Ainda dentro da zona de pontos, Lawson tentava partir para cima de Bortoleto. O neozelandês largou na sexta colocação, mas, no meio da confusão com Antonelli e Verstappen, perdeu tempo e terminou atrás de Albon, Gasly e Bortoleto. Apesar da tentativa de graça, Gabriel deixou o carro por dentro e manteve a posição.

Mas aqueles que decidiram largar com pneus macios começavam a parar nos boxes. Foi o caso de Gasly, que imediatamente voltou pronto para atacar Bearman, e Albon. Após os problemas com Sainz, a Williams voltou a amargar um abandono. Quando Alex, que estava na sexta colocação, parou nos boxes, recebeu somente o aviso que tinha de parar. E, assim, restavam apenas 16 na pista. Bortoleto subia momentaneamente para o quinto posto.

Piastri chegou a aproximar perigosamente de Norris em mais uma intenção de atacar na curva um, mas Lando adotou outra linha de defesa e safou-se com tranquilidade. Ambos continuavam muito próximos.

Max Verstappen após abandonar na Áustria (Foto: Reprodução/Reuters)

Com 19 voltas, porém, a janela de pit-stops estava mais que escancarada até para quem largou de pneus médios. E após mais um ataque de Oscar, esse meio desajeitado e que quase rendeu uma batida, Norris foi convocado na volta 21. A parada não foi das melhores, houve tempo perdido como dianteiro esquerdo, mas Norris tinha, então, a chance de andar de cara para o vento um pouco ao voltar atrás apenas de Piastri e das Ferrari.

Bortoleto parou logo em seguida e voltou atrás de bastante gente que já havia feito a parada e estava bem atrás. De qualquer maneira, partiu para recuperar e ultrapassou Bearman. O próximo no caminho era Hülkenberg. E veio a pergunta. “Ele vai me deixar passar?”, questionou. A Sauber respondeu que sim, deixaria, mas só quando entrasse em zona de DRS. Antes que isso acontecesse, os dois passaram como meteoros por Stroll, ainda com pneus velhos. Lance fora empurrado para fora em briga com Tsunoda algumas voltas antes e não mostrou muita reação na sequência.

Na 24ª volta, hora de Piastri parar. Era a hora da verdade quanto a quem ficaria com a ponta. Mas outra parada bastante medíocre acabou favorecendo Norris. A vantagem entre os dois se tornava de 5s. Leclerc entrou na volta seguinte, deixando Hamilton na frente por um giro, quando também parou. Na volta 27, finalmente a realidade estava reestabelecida na dianteira, com Norris guardando 6s5 de frente para Piastri. E o rádio recuperado da McLaren deixava claro que não era para Oscar tentar repetir a manobra ensandecida que tentara na curva quatro antes das paradas.

Enfim, antes da volta 30, Bortoleto pegou o vácuo e passou Hülkenberg sem resistência. Estava na oitava colocação, mas podia pensar no sexto posto como posição real uma vez que Lawson e Alonso estavam na frente e ainda não tinha feito parada alguma. Lawson, aliás, jogou duro mesmo assim quando pressionado por Hamilton. Lewis passou, mas precisou tocar o gramado.

Alexander Albon teve de abandonar quando fazia boa corrida (Foto: Williams)

As confusões continuavam. Tsunoda posicionou o carro por dentro em duelo contra Colapinto e manteve por ali mesmo sem conseguir vantagem para a curva. Franco também não aliviou, e o resultado foi um toque que rendeu rodada de Franco e pit-stop de Yuki para trocar a asa. E punição de 5s para Tsunoda. O outro piloto da Alpine, Gasly, reclamava da falta de aderência e como estava prestes a rodar “em todas as curvas”. Mas quase rodou mesmo ao sofrer ataque de Ocon, que acabou passando sem maiores celeumas. Bearman veio a reboque e também atacou Pierre, que tentou se defender o quanto deu, mas não foi por muito.

Foi apenas na 35ª volta, metade da corrida, que Alonso parou e completou a janela. O top-10, então, contava com Norris, Piastri, Leclerc, Hamilton, Russell, Bortoleto, Hülkenberg, Ocon, Bearman e Gasly. Destes, apenas Russell, Bortoleto e Hülkenberg tinham pneus médios, com todos os outros de duros. Uma parada ainda era necessário para os que restaram na corrida, então não seria uma grande questão.

Aliás, voltando a Gasly, pedia que a Alpine checasse se tinha alguma quebra no carro. “Não vou aguentar mais muito tempo na pista assim”, relatou. Era evidente que perdia muito ritmo. Hadjar aproveitava o drama das Alpine para passar Colapinto.

Perto da volta 40, Norris começava a perder em relação a Piastri. A diferença que chegou a 6s5 era de 3s1 na 42. Os indícios eram de que a parada derradeira de Norris se aproximava.

Pierre Gasly sofreu na Áustria (Foto: AFP)

“Ele é mais rápido na pista toda?”, questionou Norris, que ouviu uma negativa: Piastri era mais rápido nas curvas de alta velocidade, mas teria de passar pelos retardatários algo que custou tempo a Lando. De fato, quando isso aconteceu, Norris abriu um pouco mais e voltou a se aproximar de 4s de dianteira.

Hülkenberg e Russell inauguravam a segunda janela de pit-stops entre os dez primeiros colocados, algo que impulsionava Bortoleto. Mas Nico, de pneus novos, virava cerca de 0s7 mais rápido que o brasileiro nas voltas seguintes. Se o esquema da primeira janela fosse repetido, Gabriel voltaria atrás, mas com pneus bem mais novos.

A corrida tinha um quê de tranquilidade para a Ferrari, distante da McLaren e muito na frente de quem vinha atrás, mas Hamilton mesmo assim passou direto na curva três e agraciou a área de escape pintada nas cores da bandeira da Áustria com tempo de TV. Não só ele! Piastri também passou fora da pista na curva um. A preocupação que chegou a haver com a aproximação dele para cima de Norris, por enquanto ficava de lado.

Entre os primeiros colocados, Leclerc parou na volta 50, algo importante para Norris: o líder da corrida podia parar e voltar na frente das Ferrari e de rosto para o vento. E Bortoleto também parou, retornando na frente de Hülkenberg desta feita, mas atrás de Russell e Hadjar, entre os que já haviam parado duas vezes. Hadjar, porém, foi o primeiro a fazer a segunda parada, mais de 20 voltas antes. Uma terceira visita ao pit-stop era provável.

E mais um desentendimento de Hamilton com Riccardo Adami, engenheiro de corrida dele na Ferrari. Chamado aos boxes, deixou claro que os pneus estavam bons e que não queria parar. Mas não teve jeito, entrou assim mesmo. Norris foi na volta 53, com Piastri na posterior. Oscar voltou colado atrás de Colapinto e Tsunoda, que não quiseram saber de abrir caminho. Isso, porque antes de Piastri se mover para passar ambos, Colapinto mergulhou para dentro de Yuki na curva quatro. Na tentativa de se defender, Tsunoda jogou em cima da linha por onde vinha Piastri, que ficou de espectador. Colapinto levou a pior e resolveu espremer de vez o líder do campeonato, que teve de botar meio carro na grama para superar ambos. Doideira total. Colapinto acabou punido em 5s pela ideia.

Com os dois de volta à pista, a diferença era de 4s2. Norris tinha a vitória nas mãos. Para assustar, a McLaren ainda avisou a Lando que tinha uma quebra na asa dianteira, mas que a equipe nada tinha a fazer. Mas não custou grande coisa. Sem perder tempo, Norris desfilou para a sétima vitória dele na F1. Enquanto isso, Bortoleto viu a estratégia de uma parada dar certo para Lawson e Alonso. Mesmo com o sexto lugar imaginado virando oitavo, ainda valeu a primeira pontuação na categoria.

Fórmula 1 2025, GP da Áustria, Spielberg, resultado final:

1L NORRISMcLaren Mercedes70 voltas  
2O PIASTRIMcLaren Mercedes+2.695  
3C LECLERCFerrari+19.820  
4L HAMILTONFerrari+29.020  
5G RUSSELLMercedes+62.396  
6L LAWSONRacing Bulls+67.754  
7F ALONSOAston Martin Mercedes+1 volta  
8G BORTOLETOSauber Ferrari+1 volta  
9N HÜLKENBERGSauber Ferrari+1 volta  
10E OCONHaas Ferrari+1 volta  
11O BEARMANHaas Ferrari+1 volta  
12I HADJARRacing Bulls+1 volta  
13P GASLYAlpine+1 volta  
14L STROLLAston Martin Mercedes+1 volta  
15F COLAPINTOAlpine+1 volta +10s 
16Y TSUNODARed Bull RBPT Honda+2 voltas  
 A ALBONWilliams MercedesNC  
 M VERSTAPPENRed Bull RBPT HondaNC  
 A K ANTONELLIMercedesNC  
 C SAINZWilliams MercedesNC  
      
VMRO PIASTRIMcLaren1:07.924 

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