Ferrari, Alpine ou até ano sabático: as opções de Horner na F1 após demissão da Red Bull
Das equipes do grid atual da Fórmula 1, algumas surgem como opções realistas para Christian Horner, mas a possibilidade de um ano sabático parece ser a mais concreta após os últimos conturbados meses de Red Bull
A demissão repentina de Christian Horner do cargo de chefe da Red Bull caiu como uma bomba na quarta-feira (9) e deixou no ar uma pergunta inevitável diante da situação: qual será o destino de um dos líderes mais bem-sucedidos da história da Fórmula 1? Ainda que o mercado pareça restrito para 2026, há, sim, algumas opções a serem consideradas, umas mais prováveis que outras, porém nem mesmo a chance de um ano sabático para o agora ex-dirigente inglês está descartada.
Horner foi dispensado da Red Bull com efeito imediato depois de um histórico recente de polêmicas internas, guerra de poder e uma considerável queda de performance dos taurinos em pista. Nos últimos meses, nem mesmo a permanência de Max Verstappen passou a ser garantida, tanto que a imprensa alemã noticiou que uma das condições para o tetracampeão cumprir o acordo vigente e não acionar cláusulas de saída envolvia a queda de Christian.
A confirmação veio em meio a declarações de “choque” do lado de Horner e mensagens de gratidão e promessa de “cobranças” da parte do estafe de Verstappen. A Red Bull, portanto, terá a batuta de Laurent Mekies daqui para frente enquanto espera o novo ano para tentar retomar o posto de força a ser batida na F1.
Quanto a Horner, é possível considerar alguns destinos baseando-se na situação das equipes que hoje compõem o grid. McLaren, Mercedes, Williams, Sauber e Haas, por exemplo, estão fechadas, com os respectivos chefes — Andrea Stella, Toto Wolff, James Vowles, Jonathan Wheatley e Ayao Komatsu — assegurados para 2026 e além. O cenário na Ferrari, em contrapartida, já é um pouco diferente, pois ainda não renovou contrato com o atual chefe, Frédéric Vasseur.

Ferrari
A escuderia de Maranello, portanto, torna-se o destino mais óbvio, considerando por este único prisma: o de ter a vaga de chefe de equipe aberta. A possibilidade torna-se ainda mais quente se for levado em conta que Vasseur passou as últimas corridas bastante pressionado a justificar a renovação, segundo a imprensa italiana. A decisão da Ferrari, sob o comando do francês, de modificar totalmente o carro para 2025 não se pagou, e ele foi posto na berlinda.
Por um lado, Horner na Ferrari faz sentido, considerando que já houve uma tentativa no passado, mas o agora ex-chefe da Red Bull recusou a investida do presidente da equipe italiana, John Elkann, para dedicar-se ao trabalho em Milton Keynes. A Ferrari também já confirmou, por meio do CEO, Benedetto Vigna, que conversa com Vasseur sobre a renovação. E o francês também recebeu apoio público do próprio Horner para permanecer em Maranello — o que não impede a chance de uma reviravolta, com Christian no mercado.
O que talvez pese contra Horner seja Lewis Hamilton. Contratado a peso de ouro pela Ferrari, o heptacampeão declarou na ocasião do GP do Canadá que Vasseur foi uma das razões que o fizeram aceitar a oferta de trocar a Mercedes pela mais tradicional escuderia do grid da F1. Difícil imaginar, portanto, a cúpula italiana realmente trazendo Horner para já comandar o segundo ano de Hamilton como piloto da casa.
Alpine
Outra equipe que também surge como destino realista é a Alpine. Primeiro, importante entender o que acontece nas caóticas garagens da escuderia francesa, já que a figura que responde como chefe de equipe é Flavio Briatore. Acontece que o italiano não é formalmente reconhecido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) como tal, pois não possui a licença da Fórmula 1. Oficialmente, Briatore é consultor-executivo da Renault, montadora francesa por trás da Alpine.
A ideia de ter Horner como chefe para suprir de maneira formal a lacuna deixada por Oliver Oakes por “razões pessoais”, portanto, não seria exagero. O difícil nessa história é realmente imaginá-lo atuando sob o comando de Briatore, que certamente não abriria mão dos poderes que possui na Alpine.
Outro ponto: a Renault foi parceira da Red Bull de 2007 a 2015, ou seja, os carros taurinos correram com os motores franceses nos anos que marcaram os títulos de Sebastian Vettel. Mas as duas temporadas derradeiras foram marcadas por críticas públicas do lado da Red Bull, e o fim do vínculo foi inevitável.
Ainda assim, é uma possibilidade, sobretudo se for desejo do Grupo Renault ter um chefe com o perfil de Horner à frente na F1, ainda mais com a radical mudança que acontecerá em 2026, quando a Alpine, que é marca da montadora francesa, terá motores Mercedes na categoria. Há uma onda de otimismo em torno da futura parceria, com as mudanças de regulamento, e a experiência de Horner no comando encaixaria bem na proposta de renovação da Alpine.

Aston Martin
O time de Lawrence Stroll promoveu recentes mudanças estruturais que levaram Andy Cowell à chefia no início deste ano, mas nada impediria o magnata canadense de tentar montar uma Red Bull 2.0, uma vez que já conta com ninguém menos que Adrian Newey no estafe técnico e ainda terá motores Honda em 2026. Foi, sem dúvida, um casamento muito vitorioso e que levou a Red Bull a quebrar recordes na F1 com Max Verstappen (outro sonho nada secreto de Stroll), mas, nesse caso, o empecilho gira justamente em torno das circunstâncias que levaram Newey a romper com os austríacos. E ele passa por Horner.
Embora nunca confirmado pelas partes, a imprensa estrangeira noticiou na ocasião que a decisão de Horner em reduzir a participação de Newey na equipe foi determinante. O escândalo envolvendo a acusação contra o ex-chefe de conduta inapropriada com uma funcionária foi outro ponto que causou ranhuras significativas na então sólida estrutura técnica da Red Bull.
Dali em diante, o que se viu foi uma debandada que também culminou na saída de Wheatley, hoje na Sauber, entre outras figuras importantes. Ainda assim, o desejo irrefreável de Lawrence Stroll em transformar a Aston Martin em uma equipe de ponta poderia levá-lo a fazer uma proposta a Horner, porém é importante destacar que a situação seria o inverso, já que é Newey quem agora detém poder por ser acionista e sócio-gerente da equipe.
Cadillac
Cadillac também entra como opção pelo simples fato de ser a 11ª equipe do grid em 2026. Ainda em formação, sem pilotos definidos, a escuderia norte-americana já tem alguns pontos definidos para o primeiro ano de Fórmula 1, como a parceria com a Ferrari para o fornecimento de motores até a GM assumir a fabricação e também o nome de Graeme Lowdon, que ajudou a Manor Motorsport a virar uma equipe no Mundial, em 2010, para ser o chefe de equipe.
Se a Cadillac considerar uma oferta a Horner, seria interessante do ponto de vista da figura experiente e que foi determinante para transformar um time também novo, lá em 2005, em potência. O curioso dessa história é ver que uma das opções para a equipe estadunidense é Sergio Pérez, preterido da Red Bull justamente pelo ex-dirigente inglês ao final da temporada 2024.

Ano sabático?
Em meio a todas essas opções viáveis, o ano sabático acaba ganhando força por conta dos pontos contrários à contratação de Horner em qualquer uma das equipes citadas. O portal inglês The Race, inclusive, noticiou nesta quinta-feira (10) que este é o caminho mais certo para o futuro de Horner, primeiro por ele não ter pressa para achar outro lugar no grid da F1. Nesse caso, o inglês usaria o tempo disponível para se dedicar à vida pessoal, sobretudo após os últimos conturbados 18 meses nas garagens austríacas.
Com a demissão de Horner, Mekies assumiu o comando da Red Bull, enquanto Alan Permane foi promovido ao cargo de chefe de equipe da Racing Bulls.
A Fórmula 1 volta de 25 a 27 de julho, em Spa-Francorchamps, que recebe o GP da Bélgica.
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