McLaren vive liga própria na Hungria e arma Norris x Piastri. Ferrari é melhor do resto

Como era esperado, a McLaren mostrou força na Hungria e é muito favorita à pole e à vitória. O Hungaroring casa perfeitamente com o MCL39, e isso deve proporcionar uma última chance de embate direto entre Lando Norris e Oscar Piastri antes da pausa do verão. Quem mais perto chegou foi a Ferrari, mas a briga é papaia em Budapeste

Talvez nenhuma outra pista no calendário seja capaz de traduzir o MCL39 da McLaren tão bem quanto o Hungaroring. É que os trechos mais fluidos do segundo setor e as curvas manhosas do circuito magiar são um deleite para o eficiente carro britânico, que esbanja equilíbrio e sofisticação aerodinâmica. Enquanto alguns reclamavam da aderência e da instabilidade, a dupla da esquadra laranja apenas trabalhava em um acerto fino, sem grandes dramas. E neste cenário, Lando Norris puxou o domínio do time de Woking, com Oscar Piastri à espreita. Ninguém foi mais veloz que eles nesta sexta-feira (1º) e, por isso, não há como negar: a McLaren elevou tanto o sarrafo, que é difícil falar em adversários neste fim de semana.

Depois de comandar a primeira sessão do dia em Budapeste, Norris repetiu a dose à tarde, só que com um pouco mais de força. A diferença para o colega australiano, que aparece 16 pontos a sua frente no campeonato, ficou em 0s291 — marca expressiva, diga-se. Quem mais se aproximou foi a Ferrari de Charles Leclerc, praticamente 0s4 atrás. O carro britânico apresentou um ritmo consistente ao longo do dia e parece muito bem acertado tanto para volta única quanto em condições de corrida. Aliás, Lando também se destacou nesse quesito: é dele a melhor performance em cima dos pneus médios. O piloto inglês andou em média quase 0s3 mais rápido que Piastri.

“Foi uma sessão um pouco caótica”, disse Norris após o TL2. “Mas, no que diz respeito ao carro, acho que foi muito bom. Ainda há algumas coisas a serem corrigidas, mas tenho ideias claras sobre o assunto, então estou otimista.”

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ OUÇA AGORA: Por que GP da Hungria é mais decisivo do que parece na F1 | Paddockast #198

O caos mencionado por Lando é a única ressalva do fim de semana. Porque há uma forte sensação de que a McLaren só perde para si mesma na Hungria. E o vice-líder do Mundial se colocou como a maior prova disso. Norris escapou bisonhamente na última curva durante a segunda parte do treino vespertino, o que provocou um susto em George Russell, que vinha logo atrás. Não satisfeito, ainda quase se envolveu em uma batida com o companheiro de equipe na primeira curva. Depois de deixar os boxes, o britânico quis dividir a freada com o colega, fritou pneus e quase, quase bateu.

Certamente, seria um revés daqueles, especialmente no Hungaroring, palco, em 2024, de um dos momentos mais críticos da equipe de Andrea Stella e onde o público ouviu primeiro sobre as tais regras papaias. Talvez por isso Piastri tenha tentado evitar o favoritismo, muito embora o cenário já se desenhe para um inevitável embate entre os dois postulantes ao título deste ano. “Acho que, em geral, tudo tem funcionado até agora. Tivemos de mudar algumas coisas e tentar melhorar o carro um pouco, mas o desempenho tem sido muito bom. Então, no geral, estou bem satisfeito. Ainda há alguns detalhes para ajustar. O TL2 não foi o mais tranquilo, mas acho que o ritmo é bom, então estou empolgado para o resto do fim de semana”, comentou Oscar.

“Acho que esta é uma pista que deveria nos favorecer, e isso já aconteceu antes. A Ferrari parecia rápida no TL1. Ainda não vi as simulações de corrida do TL2, mas acho que estamos em uma boa posição”, completou o australiano.

De fato, a Ferrari apareceu na terceira colocação com Leclerc e, em sétimo, com Lewis Hamilton — fazendo uso de um acerto mais próximo do companheiro de garagem. A equipe italiana tenta se aproximar dos ponteiros com uma revisão da suspensão traseira, feita especificamente para o circuito húngaro, e um novo acerto com a asa dianteira. As mudanças entregam maior velocidade para o carro vermelho nas retas — embora ainda exista uma perda signficativa de desempenho nas curvas de média e baixa velocidade. Ainda assim, a SF-25 parece o modelo mais equilibrado entre os oponentes da McLaren. Só que há um trabalho a ser feito.

“Tivemos um bom ritmo em Spa-Francorchamps, começamos bem aqui e ainda estamos nos estágios iniciais de uso desta suspensão traseira. Ainda precisamos otimizar o pacote, mas o progresso também é visível em comparação com nossos rivais”, afirmou Frédéric Vasseur, que acabou de ter o contrato renovado com os italianos. “A batalha é acirrada, no entanto, estamos falando de décimos ou até menos, não se pode cometer erros. Aqui em Budapeste, para ganhar, é preciso largar na frente. Talvez tenhamos essa chance aqui ou mais adiante, mas é possível vencê-los”, completou um otimista Vasseur, apesar do ceticismo de seus pilotos.

Mas se a Ferrari segue focada em alcançar os papaias, a Red Bull e a Mercedes tentam, antes de tudo, colocar ordem na casa. A esquadra taurina enfrentou diversos problemas nesta sexta-feira e se mostrou, principalmente com Max Verstappen, fora de qualquer ritmo e com o 14º tempo — Yuki Tsunoda, surpreendentemente, ainda foi capaz de colocar o time no top-10. Só que o tetracampeão apontou uma enorme falta de aderência e se queixou do carro, afirmando que “foi como pilotar no gelo”. A simulação de corrida resumiu bem o desastroso dia dos austríacos: o neerlandês está a quase 0s6 em média do ritmo da McLaren de Norris em cima dos pneus médios.

“Foi um dia muito difícil para nós hoje, o carro não está se comportando como esperado”, admitiu o diretor Pierre Waché. “Fizemos alguns testes durante as duas sessões e nada está respondendo como deveria. Atualmente não estamos competitivos o suficiente, então há muito trabalho a ser feito e esperamos encontrar boas soluções para amanhã”, acrescentou.

De fato, a Red Bull promoveu várias mudanças ao longo do dia, mas nada pareceu funcionar. Não é exatamente uma novidade em 2025, mas os austríacos já foram capazes de conduzir reviravoltas após sextas-feiras difíceis. Desta vez, porém, o cenário parece mais complexo. Assim como para a Mercedes, que decidiu resgatar um sistema de suspensão traseiro lá do início do ano para entender o que acontece com o W16.

“Nosso foco hoje foi restabelecer uma base sólida com o W16, depois de sofrer alguma instabilidade nas últimas corridas. Isso fez com que os pilotos tivessem dificuldades para extrair o desempenho em relação ao restante do grid, como víamos nas primeiras seis corridas da temporada”, contou o engenheiro de pista, Andrew Shovlin.

“Por isso, reintroduzimos uma especificação anterior da suspensão traseira e, embora soubéssemos que não seria uma solução mágica, parece ter dado mais confiança aos pilotos com o carro. Também optamos por rodar com acertos diferentes entre os carros no TL2, o que nos deu uma direção clara de foco para o restante do fim de semana”, emendou.

No TL1, Andrea Kimi Antonelli anotou 1min16s880 e terminou na sétima colocação, enquanto George Russell concluiu em oitavo, apenas 0s045 mais lento que o companheiro de equipe. Algumas horas mais tarde, no TL2, o britânico cravou 1min16s417 e ficou em sétimo, desta vez à frente do novato, que retrocedeu e teve de se contentar com o décimo lugar.

Ainda assim, apesar de enxergar o copo meio cheio, a suspensão pareceu, de fato, funcionar bem, mas isso não resultou em uma performance melhor. Então, também há um caminho a percorrer aí até para alcançar a Ferrari, uma vez que a McLaren se mostrou fora do radar. “Ainda há uma diferença considerável para as McLaren, que estão na frente, além de vários carros competitivos logo atrás. Temos mais desempenho a encontrar — e esse é agora o nosso foco”.

F1 retorna neste fim de semana, de 1º a 3 de agosto, em Hungaroring, palco do GP da Hungria, 14ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

GP da Hungria de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horário de Brasília

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!