Leclerc põe McLaren na roda e vira fiel da balança no duelo Piastri x Norris na Hungria
A classificação do GP da Hungria talvez tenha sido a melhor da temporada 2025, simplesmente porque se tornou imprevisível de uma hora para outra. A lógica colocava a McLaren na primeira fila com folga, mas o que se viu foi uma batalha das mais interessantes em que Charles Leclerc saiu vitorioso, depois de uma volta muito bem executada. Os carros laranjas, afetados pelo vento e pela cautela, ficaram para trás. E agora têm um problemão para resolver no domingo
“Hoje, não entendo nada de F1.” A frase dita por um incrédulo Charles Leclerc resumiu bem a sessão que definiu as posições de largada do GP da Hungria deste sábado (2). Afinal, a razão apontava para uma McLaren imbatível no Hungaroring. Tanto que, na fase intermediária, Lando Norris apareceu com um temporal, em 1min14s890 — a melhor marca do dia, inclusive. Só que, como quase sempre acontece em enredos bem acertados, a história mudou drasticamente e sem aviso no Q3. E abriu a chance de um roteiro alternativo para a 15ª etapa da temporada 2025. É que Leclerc soube como aproveitar um inesperado revés dos carros laranjas, para cravar talvez a pole mais estranha de sua carreira — e a melhor dos últimos tempos. Mesmo com uma marca mais lenta do que aquela registrada por Norris no Q2, o monegasco foi capaz de colocar a Ferrari na ponta. E mais do que isso, torna-se agora um interessante fiel da balança no confronto entre os dois postulantes ao título na McLaren.
Também é importante entender o que houve com Oscar Piastri, que sai em segundo no grid, e Norris, o terceiro, naquele fim de classificação, para compreender o tamanho do feito de Charles. Como é de conhecimento público, o traçado húngaro é um dos mais adequados para o MCL39 da McLaren. Os trechos fluidos do segundo setor e as curvas de médias e baixa velocidade casam perfeitamente com a eficiência aerodinâmica do modelo papaia. E isso ficou muito claro durante os treinos e as primeiras partes da sessão principal do dia. No entanto, uma brusca mudança no clima acabou por afetar a equipe britânica mais do que o esperado. De acordo com a Pirelli, houve uma queda de cerca de 10ºC na temperatura, também foram registradas algumas gotas de chuva e uma alteração de 90 graus na direção do vento em pontos chave da pista, como a curva 5 e o setor final. Tudo isso entre o Q2 e o Q3. E foi o que bastou para uma transformação do desempenho de Piastri e Norris.
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Chefe da McLaren, Andrea Stella tentou explicar o caos que se estabeleceu nas garagens papaias e revelou que as alterações climáticas custaram à dupla uma margem considerável. Mas o dirigente fez também outra ressalva importante. A derrota que se seguiu foi provocada ainda por uma postura mais cautelosa de Norris e Piastri nos momentos finais da classificação. “Nossa análise revelou isso. Foram 0s4 perdidos devido ao vento. Acredito que o último décimo esteja ligado a uma abordagem um pouco mais conservadora dos pilotos. Em relação à temperatura da pista, também pode ter contribuído para a redução da aderência, mas não acho que tenha sido o principal motivo. A diferença entre o Q2 e Q3 se deu principalmente pelo vento”, explicou o italiano aos jornalistas na Hungria.
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“O que nos surpreendeu no Q3 não foi apenas a mudança na direção do vento, mas também o fato de não termos certeza de qual seria a aderência em cada curva e, como eu disse antes, acho que ambos os pilotos abordaram a situação com certa cautela. Em uma corrida, é diferente; depois que você entende a situação, pode começar a forçar mais. Os pilotos sabem onde forçar e onde ser mais cautelosos. Estou bastante otimista quanto à capacidade do carro de expressar seu ritmo em todo o seu potencial. A Ferrari está no jogo, mas, ao mesmo tempo, estamos confiantes de que temos tudo o que precisamos para lutar pela vitória”, completou o comandante da McLaren.
Piastri se mostrou mais crítico sobre a perda da pole, afirmando que “era patético culpar o vento”. E embora entenda que o clima realmente tenha sido um fator para a performance, o líder do campeonato se conformou com o segundo posto do grid e se vê em uma boa posição. Norris, por outro lado, foi mais condescendente e aceitou a derrota. Ambos, no entanto, apostam em condições diferentes para a corrida deste domingo e acreditam em um retorno da McLaren ao ritmo normal.
Mas há aí esse Leclerc. A Ferrari fez um trabalho dos mais interessantes ao longo da classificação, que pareceu mais difícil do que a pole faz crer. Os italianos estavam enfrentando mais dificuldades com a janela de operação em termos de temperatura de pneus, mas o chefe Frédéric Vasseur explicou que uma decisão estratégica durante o Q3 acabou por ajudar o monegasco na luta pela pole. “Acho que a maior diferença foi entrar na fila ou não”, disse o dirigente francês, se referindo à posição dos carros na saída do pit-lane. “Quando você entra na fila, e acho que uma vez ficamos na fila por 1min30s, você perde 6°C, 7°C [de temperatura dos pneus].”
“Então, por causa dessas brechas, você não consegue ultrapassar e não consegue se recuperar”, completou. Por isso, os ferraristas optaram por sair antes e evitar o risco de perder temperatura. “Decidimos ir muito antes dos outros. Essa foi a decisão certa para nós, porque quando os pneus estão na janela certa, vale mais do que meio segundo.”
Aí entrou a habilidade de Leclerc, que soube executar muito bem a volta derradeira. Foi 27ª pole do piloto do carro #16, que agora tem a chance de entrar numa briga pela vitória. Apesar da força da McLaren, é preciso colocar em perspectiva o fato de que Hungaroring é um circuito manhoso e de ultrapassagens complexas. A SF-25 tem a seu favor um configuração alinhada com a velocidade de reta, e isso pode se transformar em uma arma das mais poderosas. Além disso, há também uma sensação de que Piastri e Norris tendem a se preocupar um com outro no início da corrida e, por fim, ainda que pequena, há uma possibilidade de chuva.
“Sinceramente, estou sem palavras. Provavelmente é uma das melhores poles que já conquistei. Com certeza, a mais inesperada”, comemorou o piloto da Ferrari, que também foi questionado sobre as chances de vencer o GP da Hungria. “A largada e a curva 1 serão decisivas. Não tenho ideia de como vai ser, mas uma coisa é certa: vou fazer absolutamente tudo para manter essa primeira posição. Se conseguirmos fazer isso, deve facilitar bastante a nossa vida para o restante da corrida.”
Em termos de tática, no caso de uma corrida com pista seca, a Pirelli aposta em duas paradas como estratégia mais rápida, usando os conjuntos de pneus médios e duros. Mas o pit-stop único também não está totalmente descartado, especialmente se o clima se revelar mais ameno. “Entre as opções de duas paradas, o plano envolvendo os três compostos pode ser uma opção, começando com pneus macios para tentar recuperar posições logo no início e, em seguida, potencialmente explorando o ar limpo após o primeiro pit. Ultrapassar não é fácil nesta pista, e o undercut é altamente eficaz”, alertou Mario Isola, chefe da fornecedora única de pneus da F1.
Portanto, as lições deste sábado parecem servir também para o domingo húngaro da F1.
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| Sessão | BRA* | CBV | POR ANG | MOZ |
| Corrida | 10:00 | 12:00 | 14:00 | 15:00 |
*Horário de Brasília
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