Copa GP

A “menina dos olhos” de Interlagos: como funciona a equalização dos karts

A equalização de karts é uma das tarefas mais importantes para uma corrida em qualquer kartódromo. Em Interlagos, o responsável pela tarefa é Seu Benê, que explicou como funciona todo o processo, que foi acompanhado de perto, e também realizado, por pilotos da Copa GP de Kart

Grande Prêmio / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo / GUILHERME BLOISI, de São Paulo
Disputar em uma corrida de kart muitas vezes parece ser muito simples: sentar no kart e acelerar. Entretanto, nos bastidores dos kartódromos, um importante e essencial trabalho é feito para que tudo aconteça sem grandes problemas: a equalização.
 
E você, caro leitor, está se perguntando o que seria isso? Simples: pilotos vão para o traçado com todos os equipamentos do determinado kartódromo para deixá-los o mais próximos possível e para que não haja grandes diferenças durante a prova.
 
Em Interlagos, o responsável por essa importante tarefa é Seu Benê. Há muitos anos na função, explicou ao GRANDE PRÊMIO o processo. “Bom, pessoal, a equalização é a menina dos olhos para nós porque nós temos que manter os karts virando na mesma velocidade porque existem baterias abertas. Aqui chegam não só pilotos que sabem acelerar, mas chegam também pilotos que é a primeira vez, é um sonho, primeira vez que vai sentar em um kart”, disse.
 
“Então quando se trata de baterias abertas, os karts são muito surrados. Acabam acontecendo pancadas, um esforço desnecessário às vezes, isso requer uma manutenção absurda e constante. Os karts são revisados todo dia, mas duas vezes por semana, religiosamente, nós paramos tudo, é um processo que leva o dia todo”, seguiu.
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“Primeiro entramos os karts [na pista], vemos o chão, se estão ruins, kart que não faz curva, tomou batida, está com uma roda mais alta que outra, ou mais adiantada. Então temos que analisar o chão, gabaritar o chassi, fazer o alinhamento, depois colocamos de novo na pista para avaliar a condição dos motores. Para que isso aconteça, os pilotos tem que guiar de forma constante porque a pilotagem de corrida é uma coisa, a de equalização é uma coisa diferenciada, o piloto esquece dele e foca no kart”, pontuou.
 
“Não estou eu indo ao limite, mas levando o kart no limite, e é assim que pilota de forma constante. Então assim descobre que tem motor que tá 0s5 na frente do outro, ou um que está tomando 0s2, 0s3 do outro. Então damos a volta, mexe nos difusores na entrada da carburação, volta para a pista até que todos fiquem com o mesmo tempo para que, na hora que tenha uma corrida onde os pilotos estejam lastreados, eles que decidam, não os karts”, continuou.
 
“Esse é um processo para nós que é a menina dos olhos, é manter o equipamento em dia e deixá-los todos de forma equilibrada. Uma vez que conheceram o processo, acompanharam, viram que isso é importante, vocês veem que por trás da cortina tem um processo gostoso, legal, saudável, para que quando o piloto chegue para se divertir, ele pegue o equipamento da melhor maneira possível que a gente conseguiu”, completou.
 
Benê ainda explicou que a falta de equalização afeta diretamente as corridas. “Às vezes a gente termina uma equalização e logo em seguida tem uma bateria daqueles pilotos que não vêm para acelerar, vem para fazer bate-bate, e então isso já começa a comprometer todo o trabalho que fizemos. Mas o kart tá aí pra isso, então a galera que chega aqui não tem experiência de pista, então acabam acontecendo toques, batidas, que comprometem o kart. Então além da equalização e da manutenção diária, nós estando aqui para acompanhar, essa manutenção ocorre desta forma, já fomos repondo, corrigindo as falhas.”
Sétima etapa da Copa GRANDE PRÊMIO de Kart 2019 (Foto: Gabriel Pedreschi/Grande Prêmio)
Então, na última etapa da Copa GP de Kart, que aconteceu em Interlagos, dois pilotos do campeonato, Sidney Rogério e Gustavo Ariel, ambos com vaga na Scuderia GP para as 500 Milhas de Kart do final do ano, participaram do processo.
 
Ao comentar sobre o trabalho feito, Sidney disse que “fomos bem recebidos pelo kartódromo que explicou todo o funcionamento e o processo que fazem a equalização dos karts, foi bem solícito mostrando todo o processo de equalização, de pegar kart a kart, volta a volta, e tentar sempre equalizar os karts de 0s2 a 0s3 no máximo. Toda vez que não conseguíamos fazer a volta no determinado tempo, ficava acima desse tempo, fazíamos ajustes nesses karts, até conseguir chegar em um tempo equalizado.”
 
“Para mim foi bem interessante, minha primeira experiência, nunca tinha feito isso, mas gostei bastante de fazer esse tipo de trabalho porque é um trabalho de muita concentração, e apesar de ser um trabalho em que você tira o máximo do kart, para fazer voltas iguais e constantes, é um trabalho que exige muita concentração dos pilotos para não errar na pista e realmente fazer uma volta igual sempre”, ressaltou.
 
“Da parte dos mecânicos e da equipe de Interlagos eles foram muito parceiros, principalmente o Benê, mostrando que tem toda uma metodologia, um processo para realizar esse tipo de coisa. Foi bem legal, aprovei bastante, todo kartódromo tem que fazer esse trabalho uma vez por semana com certeza”, emendou.
Sétima etapa da Copa GRANDE PRÊMIO de Kart 2019 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Quem também chegou a falar sobre todo o trabalho feito foi Renato Ribeiro, o Chase Carey da Copa GP. O organizador do campeonato elogiou a dedicação tanto dos pilotos quanto de Benê, mas ressaltou que ainda encontrou problemas na etapa. “Eu não sei de nenhum campeonato que assumiu e ajudou no trabalho de equalização que é feito no kartódromo, isso mostra como a gente se preocupa em entregar o melhor e mais equiparado equipamento para todos os pilotos da Copa GP”, disse.
 
“O trabalho do Seu Benê é de uma baita dedicação. O Sidney e o Gustavo sentiram como é um processo trabalhoso colocar os karts em 0s2 de diferença e podem compartilhar dessa experiência pra sempre. A equalização não depende só desse trabalho, depende de organização do kartódromo, do uso dos equipamentos nas demais baterias. Uma pena que todo esse trabalho gerado karts equilibrados, gerando uma diferença muito grande - acima do aceitável - nos equipamentos durante a última etapa, mas foi um grande aprendizado para todo mundo que participou disso”, encerrou.

Já deu para perceber que o esquema da Copa GP de Kart é totalmente profissional, não é mesmo? Então não deixe de vir correr com a gente! A próxima etapa acontece no Kartódromo Granja Viana, dia 21 de setembro, às 21h30. Vem correr, se divertir e ter um dia de piloto profissional! Se animou? Então é só se inscrever aqui.
 

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